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22 Fevereiro de 2012 - Quarta Feira

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Waldir Guerra

Waldir Guerra

Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

URL do website: http://www.douranews.com.br/coluna-waldir-guerra E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Seg, 13 de Fevereiro de 2012 15:57

Não dá para viver sem ela

Os nove mil jovens que estiveram reunidos nesta semana no Centro de Eventos Anhembi em São Paulo demonstraram, com suas presenças, que é impossível imaginar o mundo hoje sem a Internet.

Todos aqueles jovens concentrados no Anhembi se fizeram presentes espontaneamente, é preciso salientar. O que significa dizer que a próxima Campus Party Brasil será ainda maior. Também demonstra que os jovens querem mais que simplesmente uma conexão via Internet; eles querem explorar os avanços da tecnologia; querem conhecer as novidades, dividir conhecimentos e querem intercambio.

Até mesmo nós, os náufragos da máquina de escrever, precisamos nos agarrar, até meio desajeitados, nas bordas desse bote salva vidas, o computador, para podermos sobreviver neste mundo informatizado.

Sim, temos dificuldades em acompanhar os estonteantes avanços que acontecem nesse novo mundo cibernético. Pela facilidade com que os jovens manuseiam os smart fones e tablets fica-se com a impressão que a informática e esses novos aparelhos foram feitos somente para eles, os jovens. Muitos adultos se conformam pensando assim e não fazem o menor esforço para aprender o uso dessas maravilhosas máquinas modernas.

Ainda com certo esforço tento acompanhar essa louca corrida de lançamentos de novos aparelhos e também as incessantes inovações nas redes sociais. Apesar de muito estressante para alguns aprendizados entendo que devo me esforçar para assimilar apenas o que necessito e, claro, o que me traz prazer.

Poder acessar a conta bancária pela internet foi uma das conquistas prazerosas, mas poder fazer isso agora através do celular chega ser assustador. Agora, mesmo estando a mais de mil de quilômetros de distância da agência bancária, com um comando instantâneo, posso pagar minhas contas ou mesmo transferir valores a outras pessoas sem aquela cansativa burocracia de comparecer a um caixa de banco. É preocupante, sim, mas vale à pena.

Apesar de ainda ser difícil de tomar gosto em navegar nas redes sociais, mesmo assim, fazer algumas incursões no Facebook de vez em quando é muito bom. Até porque é preciso reconhecer que as redes sociais estão acelerando a intercomunicação mundial. A globalização, tanto temida por muitos, é irreversível. Já não restam dúvidas de que o mundo será uma grande aldeia global como imaginou Aldous Huxley. Certamente o mundo será uma nação única, mas não será tão desumano e ditatorial como ele previu.

O maior erro que cometem aqueles que teimam em permanecer alheios ao mundo da informática e à Internet é desmerecer os benefícios que ela nos traz. Esses estão comprando uma briga antecipada contra a futura geração dominante no mundo: os jovens de hoje. O que deveriam fazer – e o mais rapidamente possível – seria iniciarem hoje mesmo, nesta segunda-feira, algumas aulas particulares desse mundo maravilhoso da Internet.

O que os jovens fizeram na semana passada no Anhembi também precisei fazer a poucos dias na oficina do João na loja “Espaço Notebook”. Com duas excelentes aulas e a instalação de alguns aplicativos; dentre eles, o TomTom Brasil, um excelente navegador (GPS), agora posso me orientar quando estou dirigindo em qualquer estrada ou rua brasileiras. E isso tudo através do meu celular.

Não se pode negar, a Internet melhora as relações humanas, amplia o conhecimento e dinamiza as descobertas científicas. E nós já não podemos viver sem ela.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

 

Dom, 05 de Fevereiro de 2012 11:37

Presidente, rédeas nas mãos, por favor!

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Economistas e políticos comentam todo santo dia sobre a necessidade urgente de o governo investir na infraestrutura do país para baixar o custo Brasil.

No começo do ano, Delfim Neto, um dos economistas brasileiros mais competentes, fez um comentário no jornal Valor Econômico falando disso. “Profecias para 2012” era o nome do artigo dele.

Em seu artigo Delfim Neto não se ateve muito a projeções técnicas, mas ao final do seu comentário com muita felicidade disse: “Voltamos a insistir: 2012 não está escrito nas estrelas! Ele será o que nós, governo e a sociedade, soubermos fazer dele, se tivermos a coragem e a inteligência necessárias para enfrentar a “má alocação” de nossos fatores (públicos e privados) e promover políticas que aumentem simultaneamente, a oferta e a demanda globais, como é o caso, por exemplo, dos investimentos em infraestrutura que eliminem rapidamente gargalos produtores”.

Delfim bateu na mosca. Ele matou a charada. A presidente Dilma precisa aproveitar a maré boa do seu governo, pois enquanto os países ricos enfrentam uma baita crise, o Brasil continua navegando em águas bem tranquilas. Ela precisa investir em estradas. E não apenas em rodovias, mas especialmente em ferrovias.

A produção do Centro-Oeste que cresce de ano a ano; com dezenas de milhões de toneladas de grãos precisando alcançar os portos, está usando a mesma e precária rodovia construída por Mario Andreazza na década de 70 do século passado. É inacreditável, para os estrangeiros, que o Brasil consiga transportar tamanha quantidade de cargas numa única estrada.

O resultado dessa deficiência? Claro, nem dá para se falar dos acidentes; das mortes; e das inúmeras outras perdas. Basta dizer que os produtos de exportação como a soja, por exemplo, têm seu custo aumentado em mais de 100 dólares por tonelada. Um desperdício; e tudo por falta de uma boa ferrovia.

Tratando desse mesmo assunto a Folha de S.Paulo em seu editorial de 17/01 “Dilema Federal”, disse: “O governo se consome em tentar resolver só os problemas do dia a dia. Em linguagem coloquial, vende o jantar para pagar o almoço. Não consegue encetar um programa estratégico capaz de dotar o Estado de gestão e planejamento de longo prazo que vá além da mera resistência à voracidade com que a burocracia e a classe política se lançam sobre os cofres públicos”.

Pois é, enquanto Delfim Neto mostra à presidente o caminho a ser seguido neste começo de ano, o jornal mais lido e respeitado do Brasil diz que este governo não tem condições administrativas de iniciar um programa estratégico para isso. Uma pena!

Apesar de serem evidentes os argumentos do jornal paulista, alguns sinais otimistas que a presidente – não seu governo, mas ela própria – vem dando deixa, sim, em pessoas que teimam em ser otimista, como eu próprio, que seu governo vai se lançar na proposta do economista Delfim Neto.

Um sinal? Observe que o PAC, Projeto de Aceleração do Crescimento, foi lançado e ficou sob a administração direta dela, Dilma Rousseff. Ela tem, então, um amplo conhecimento nesse setor.

E mais: está ainda tentando se livrar da herança maldita recebida com o loteamento “de porteira fechada” dos seus ministérios que foi obrigada a manter no inicio do seu governo.

A demora para se lançar de corpo e alma na proposta do Delfim é por não ter ainda conseguido emplacar a sua maneira própria de administrar, mas tudo leva a crer que ela vai tomar as duas rédeas em suas mãos.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

 

Dom, 29 de Janeiro de 2012 14:10

Os meus direitos

"O meu direito acaba onde começa o do outro”. É assim que se costuma simplificar as determinações da ONU.

Em 10 de dezembro de 1948, na ONU, Organização das Nações Unidas, foi aprovada a Declaração dos Direitos Humanos e o Brasil, como todos os demais países, comprometeu-se a respeitar e cumprir essa Declaração.

No seu artigo XXIV, inciso 2, está escrito: “No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas pela Lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática”.

No Brasil se cumpre quase religiosamente essa obrigação quando se trata de respeitar o direito do outro. Mas aqui não se cumpre muito esse dever quando se trata da coisa pública.

Esse exemplo pode muito bem ser explicitado com a desocupação de uma área particular realizada na semana passada no município de São José dos Campos - SP.

Para retirar as 1.600 famílias que lá haviam construído suas casas há oito anos foram usados 1.800 policiais da PM paulista, centenas de veículos e dezenas de tratores; 34 pessoas foram presas e dez veículos foram destruídos.

Nada de ilegal na atitude da PM paulista, até porque, ela estava cumprindo uma ordem judicial.

Mas por que não se cumprem determinações judiciais assim tão rápidas e eficazes como aquela da semana passada na gleba Pinheirinho em São José dos Campos?

Ou ainda, por que a Justiça não emite ordens rápidas como aquela para desalojar invasores de áreas públicas?

Afinal, por que a distinção entre maior respeito pelo bem particular do que o respeito pelas coisas públicas? Os bens públicos, por pertencerem a todos deveriam ter, pelos responsáveis da sua defesa, uma preferência sobre os particulares, sim.

Por que ninguém se importa em retirar invasores que invadem terrenos públicos à beira de rodovias já que a proximidade com as pistas de tráfego os expõem em constantes riscos?

Um exemplo disso é a invasão da Avenida Guaicuru, lá no seu inicio ainda dentro do perímetro urbano da cidade – nas imediações da majestosa figueira douradense. As casas dos moradores foram sendo construídas à revelia de qualquer licença e hoje já não deixam espaço nem mesmo para a construção de calçadas.

Já que não interessa agora saber de quem era a responsabilidade de reprimir a invasão, no inicio dela, pelo menos nos dias atuais a responsabilidade de zelar para que os abusos não excedam é do poder municipal.

Que os atuais moradores continuem morando lá é compreensível. Só precisam ser impedidos de continuarem a pôr em risco, naquela área pública, eles próprios e todos os que trafegam por lá com abertura de bares – e até borracharia.

Quantos exemplos poderiam ser citados de apropriações ilegais da coisa pública por particulares sem que os administradores responsáveis pela defesa do bem público tenha sido feita. Muitos, sem dúvida. Tantos que você mesmo, caro leitor, deve conhecer dezenas de casos.

Se fala muito em melhorar nossa educação e educar ensinando. Mas quando se trata do respeito às coisas públicas precisamos fazer com que “o nosso direito acabe quando começa o direito público”.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

Seg, 23 de Janeiro de 2012 07:15

Dourados sem linha aérea

Uma suspensão, mesmo temporária, dos vôos diários que a TRIP faz em Dourados teria um efeito muito ruim economicamente para a cidade e região.

Mas acontece que essa hipótese não pode ser descartada porque mais uma vistoria da ANAC, Agencia Nacional de Aviação Civil, a última feita no final de outubro passado, e com validade até dia 8 de fevereiro próximo, alerta os responsáveis pelo aeroporto de Dourados que a segurança oferecida pelo Corpo de Bombeiros do aeroporto é deficiente em razão dos equipamentos serem obsoletos.

Não è a primeira vez que a ANAC emite boletim (Notam) com advertências a respeito da falta de condições para a manutenção de uma linha aérea no aeroporto de Dourados.

A TRIP, única empresa com vôos comerciais em Dourados e que opera suas aeronaves quase somente a noite, durante um bom tempo, arriscou-se a ter um acidente grave com algum animal. A pista de pouso era aberta, sem cerca alguma. Foi graças à intervenção do vice-governador – na época Murilo Zauith – que providências foram tomadas. E os recursos usados não foram da Prefeitura Municipal, a proprietária do aeródromo, mas investidos pelo governo do Estado.

Agora apesar do empenho pessoal do prefeito, Murilo Zauith, em solucionar não apenas as deficiências, mas no esforço em ampliar a capacidade do aeroporto todo, como no exemplo em contratar uma empresa para operar o sistema de rádio-comunicação durante 24 horas; a instalação do PAPI (Indicador de Percurso de Aproximação de Precisão), aparelho que orienta as aeronaves para um pouso noturno; elaboração de projeto para ampliação da pista de pouso dos atuais 30 metros de largura para 45 metros, com reforço em sua base para poder operar aeronaves maiores, assim mesmo, seus esforços pessoais não estão tendo as respostas com a urgência necessária para evitar uma interrupção dos vôos diários.

Existe, então, o perigo da interrupção dos vôos por uma “canetada” da ANAC. E seria um retrocesso econômico para a região porque para formar o hábito no uso dos vôos foi um processo demorado. Uma simples interrupção de alguns dias seria desastrosa para criar insegurança nos usuários.

Em certos negócios não se pode dar mole e cometer erros.

Um fato recente e que é de lamentar: vendo seus vôos lotados a TRIP iniciou recentemente mais dois vôos diários de Dourados para São Paulo e acabou cancelando-os. E por quê? Apesar de a empresa alegar falta de aeronaves, a verdade é que foram suas tarifas exageradas que levou os passageiros a preferirem se deslocar a Campo Grande para viajar de avião.

O prefeito municipal, além de sua conhecida competência em obras, também sabe que o aeroporto é a porta de entrada para os que vem criar novos empregos na sua cidade. Sabendo disso tem se esforçado muito em melhorias no aeroporto.  Contudo, precisa de maior colaboração daqueles envolvidos diretamente na administração do aeroporto. Falta lá um administrador competente para orientar o dia a dia principalmente quando da movimentação das aeronaves.

Uma atenção mais gentil – e dinâmica também, por que não – dos servidores, especialmente por parte da Guarda Municipal.

Os aeroportos do mundo todo se esforçam para prestar bons serviços aos pilotos e passageiros. Recebê-los bem é uma obrigação porque sabem que a primeira impressão da cidade nasce ali.

Por tudo isso nem dá para imaginar Dourados sem linhas aéreas diárias regulares.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

 

 

Dom, 15 de Janeiro de 2012 14:15

Administradores incompetentes

Muito pouco existe na legislação brasileira para coibir administradores públicos incompetentes de continuarem exercendo seus cargos.

A Lei é muito vasta e rigorosa quanto à honestidade dos administradores públicos brasileiros. E não somente leis, mas decretos, regulamentos, portarias e uma infinidade de determinações legais tratam de penalidades a que estão sujeitos funcionários públicos desonestos.

Muito tem sido divulgado sobre os escândalos nos ministérios do governo federal e sempre a motivação é mostrar apenas a desonestidade dos funcionários públicos no gasto dos recursos do povo. Pouco, ou quase nada, é dito sobre a incompetência deles.

Nada se diz a respeito do despreparo deles para exercer o cargo; suas inaptidões para a função que exercem.

Não seria por isso, por não se dar importância em colocar pessoas bem preparadas nos postos de comando que as administrações públicas quase sempre são ruins?

E não se trata apenas desses casos de indicações políticas onde ministérios são entregues de porteira fechada a partidos políticos com a finalidade de subtraírem recursos para financiar campanhas de seus candidatos – sabemos agora graças às denúncias da imprensa.

Nesses casos ficou evidente que o único interesse real dos administradores nomeados era o de arranjar recursos para suas campanhas. Como diz o filósofo Roberto Romano da Unicamp se referindo ao ministro que ainda não saiu: “Na cabeça dele está fazendo o que é certo, o que é natural, o que é consagrado e o que vai dar votos”.

Mas e os outros, aqueles indicados para cargos de comando na administração pública e não roubam, mas não têm competência ou são despreparados? Aqueles que, inaptos, atravancam e atrasam decisões tornando as administrações públicas naquela incômoda burocracia estatal que todos odeiam?

Quanto custou ao município a falta de capacidade e o despreparo do ex-prefeito Ari Artuzi com a perda de recursos federais?

Você como bom brasileiro, fã do futebol e que acompanha envergonhado a duplicação dos preços nas obras para a Copa do Mundo, não sente raiva por saber que a maioria das reformas já deveria estar pronta? Mesmo com a roubalheira nos contratos, assim mesmo, elas deveriam estar prontas, mas, tudo indica, a incompetência dos gestores públicos causa o atraso.

Ao assumir, a presidente Dilma convocou o empresário Jorge Gerdau para assessorá-la com sugestões na melhoria da máquina pública. Esperava-se que o empresário fosse se encarregar de montar um novo Ministério da Desburocratização como no tempo de Helio Beltrão que muito fez pela melhoria da administração pública no país. Mas passado um ano ainda não se viu nada.

A esperança agora para melhorar as administrações públicas está numa PEC, Proposta de Emenda Constitucional, que tramita no Congresso Nacional e obriga os governos federal, estaduais e municipais a executarem suas propostas de campanha.

Hoje o eleito para uma função executiva age como se dono fosse do cargo e inclusive da própria coisa pública. Impõe sua própria vontade nos gastos do dinheiro público e as promessas de campanha são esquecidas.

Com a aprovação da PEC um programa de metas terá de ser obedecido por todos os executivos, presidente, governadores e prefeitos assim como hoje eles são obrigados a cumprir a exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). E quem dos eleitos desconhece a Lei de Responsabilidade Fiscal?

Sim, é preciso encontrar uma maneira de impedir que pessoas incompetentes comandem as administrações publicas.

*O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

Dom, 08 de Janeiro de 2012 20:00

Bom administrador público é o que se antecipa

O bom administrador público é aquele que além de bem capacitado e competente ainda se antecipa na solução de futuros problemas.

É o que tenta demonstrar agora o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, ao se antecipar na solução de um grave problema que se imaginava para um futuro distante, mas já está hoje nas mãos do governo de Dilma Rousseff.

Desde o inicio este governo vinha se preocupando com o déficit da previdência dos seus servidores agora, então, anda apavorado.

O jornal Valor Econômico afirma que esse déficit cresceu 10% no ano de 2011. Findou o ano com 56 bilhões de reais no vermelho. A despesa com o pagamento de benefícios a 1,1 milhão de aposentados e pensionistas do Judiciário, Legislativo, Executivo, incluindo militares, se aproxima de 80 bilhões. Enquanto isso, a receita com a contribuição dos servidores foi inferior a 25 bilhões.

A preocupação é grande porque mais de um terço dos funcionários federais irá se aposentar dentro de poucos anos – e com rendimentos integrais!

O assunto é assustador dentro do governo porque para atender 25 milhões de trabalhadores do Regime Geral de Previdência Social o governo teve um déficit em 2011 de 35 bilhões de reais – contra 56 bilhões para 1,1 milhão no setor público.

Neste ano o governo terá que encontrar uma maneira de aprovar uma reforma na previdência social dos seus funcionários mesmo que seja apenas o que vem propondo o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves: novos funcionários terão novo regime.

Ou seja, daqui pra frente, para terem salário integral na aposentadoria, somente com contribuição complementar. Só assim poderia ser corrigido o problema do déficit no orçamento do governo federal.

Até porque está sendo cada vez mais difícil explicar aos 25 milhões de aposentados privados – e pior, todos eles eleitores – que para eles existe um teto máximo que o INSS paga, R$ 3.691,74 enquanto os funcionários públicos recebem seus proventos integrais.

O estado de São Paulo já se antecipou e criou seu SP-PrevCom, entidade que vai gerir a previdência complementar dos novos funcionários públicos porque suas aposentadorias não terão limites superiores aos do INSS.

Todos os estados brasileiros deverão copiar São Paulo, se antecipar e corrigir futuros rombos em suas contas. E muitos municípios também.

Serve como exemplo o município de Dourados-MS que com uma população de pouco menos de duzentos mil habitantes criou sua previdência pública, o PREVID, Instituto de Previdência Social dos Servidores do Município de Dourados. Com poucos anos de vida já tem cerca de 70 milhões de reais em caixa.

Hoje o PREVID de Dourados é um mar calmo e de bons ventos. Sua única preocupação é em aplicar bem os milhões em caixa. Mas há também quem já esteja preocupado com o futuro da previdência pública do município, o secretário municipal Walter Carneiro Junior, responsável pela Secretaria de Finanças e Receita.

Ele diz que apesar de saber que por dez ou quinze anos a tranquilidade financeira do PREVID de Dourados estará garantida, assim mesmo, irá propor estudos e, juntamente com a Câmara de Vereadores, se anteciparem aos futuros problemas. Certamente deverá antecipar as reformas propostas agora pelo governo federal e já postas em prática pelo governo de São Paulo.

O secretário de Finanças e Receita de Dourados faz bem ao tomar essa atitude. Assim deveriam fazer todos os administradores públicos.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal

Seg, 02 de Janeiro de 2012 07:41

O melhor ano das nossas vidas

FELIZ ANO NOVO – Hoje amanheci com a determinação de fazer com que este ano de 2012 seja o melhor ano da minha vida. Aliás, esta não é a primeira vez que faço esta promessa, outros anos já fiz isso e sempre me dei bem.

Uma das maneiras para que o ano seja bom é me tornar mais alegre. Não é por nada, não, mas me dei conta há muito tempo que as pessoas quanto mais velhas tendem ser menos alegres. Percebi isso, não em mim, mas em meus amigos. Constatar isso nos outros e chegar ao óbvio que meus momentos de riso já não eram tão constantes foi num estalo.

O difícil foi lembrar todo dia e constantemente da promessa feita no primeiro dia do ano. Mas descobri que nada melhor para isso do que envolver Deus na parada. Toda noite O lembro que precisa me ajudar a ser mais alegre no dia seguinte.

Nos últimos tempos tenho incluído mais um pedido nas minhas orações da noite: para me tornar mais otimista. Tenho insistido tanto com Deus que para não me tornar chato demais decidi pedir a intermediação de São Francisco de Assis para alcançar essa graça de ser um otimista.

Minha confiança em São Francisco vem de longe. Fui batizado com esse nome, então sou homônimo dele e, além disso, na minha infância estudei dois anos em seminário franciscano. Assim, ninguém melhor que ele para me ajudar a ser uma pessoa otimista. Aliás, foi com a ajuda dele que consegui uma grande graça de Deus. Faço isso porque sei, Deus gosta muito do jeito humilde de Francisco de Assis e sempre o ouve.

Por que quero tanto ser mais otimista? Porque preciso acreditar que a presidente Dilma conseguirá melhorar a infra-estrutura dos transportes no país. Apesar da evidente falta de vontade política nos ministérios – melhor mesmo seria dizer falta de competência – ainda assim, confio nela para parar de vez com obras como o trem-bala, a transposição das águas do Rio São Francisco e se dedique a melhorar o transporte de cargas e pessoas também. As estradas estão um caos, os ônibus um perigo. Os aeroportos, então, saturados.

Preciso ser mais otimista para acreditar que a presidente vai “chutar o balde” de seus compromissos com Lula e faça uma administração à sua maneira. Sei que ela é competente; sei que ela destoa da maioria dos atuais administradores públicos: despreparados e incompetentes.

Desejo ser otimista e acreditar que Dilma ainda fará uma grande administração. Que vai aproveitar a troca de ministros – coisa que ela já prometeu fazer – e, apesar de ter participado do governo Lula, se afaste do continuísmo daquela administração e crie a SUA administração.

Por ser mulher, mãe e avó, ela deve ter mais sentimentos humanos que nós homens e isso a fará pôr em prática um projeto de melhoria no ensino e na educação no Brasil. O país está muito mal nesse setor e nosso futuro depende da educação das nossas crianças hoje.

Mas somente a graça do otimismo a mim não basta. Deus precisa também dar coragem à presidente para que inicie essa nova administração que o país precisa. Até aqui, nesse primeiro ano, nada de novo e bom aconteceu. Ela própria deve saber disso.

Se a presidente tiver coragem de sobrepor sua competência às vontades dos atuais políticos que a cercam, então, Deus atendeu meu pedido e fará de 2012 o melhor ano na historia do Brasil.

 

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal


Seg, 26 de Dezembro de 2011 17:10

Os escândalos vão melhorar o país

Tomara que seu Natal tenha sido bom; o meu, como sempre, foi ótimo e cheio de bons momentos junto com familiares queridos.

Hoje ainda possuído do espírito natalino e com a alma mais leve nesta ultima semana do ano proponho relembrar o lado bom de tantos escândalos que pipocaram em 2011.

Para nós douradenses depois de tantos desacertos político-administrativos foi o ano em que pudemos colocar um fim na instabilidade política da administração municipal. Com a eleição direta de Murilo Zauith, a cidade voltou à calma e agora, com oito meses de sua gestão, o povo já demonstra claramente a confiança nele.

Essa atitude dos eleitores douradenses foi uma clara demonstração daquilo que no mundo árabe passou a se chamar Primavera Árabe. Tudo indica que o que acontece lá no Oriente Médio e Norte da África não seja uma tendência passageira, nem apenas casos isolados. São novas atitudes populares estimuladas pelas redes sociais mostrando que hoje o povo quer, além da sua liberdade, governantes honestos e competentes.

O que aconteceu em Dourados – perdoem-me a petulância – tem muito a ver com essa nova vontade popular.

O povo quer mudanças e neste mundo globalizado, interligado, as pessoas sentem-se encorajadas a propor as alterações que as beneficiem. De nada adianta a gente se assustar com essas reivindicações, elas são necessárias.

E não se assuste você também caro leitor com a divulgação de tantos escândalos na Justiça brasileira. Isso tudo servirá para acelerar discussões dentro da própria esfera judiciária e desencadeará as melhorias tão necessárias ao Judiciário nacional.

Mais uma coisa boa aconteceu neste ano de 2011 e por conta de um plano que fracassou. Foi o cancelamento do projeto TAV, trem de alta velocidade, ou trem-bala, como se tornou conhecido o empreendimento faraônico para ligar Campinas ao Rio de Janeiro com um trem de alta velocidade.

Somado ao fracasso do projeto da Transposição do Rio São Francisco, mais uma obra faraônica com fins eleitoreiros como o trem-bala Campinas - Rio, o governo será forçado a olhar na urgência de uma ferrovia para o transporte de cargas ligando São Paulo aos três estados do sul do país.

E não apenas para os estados sulinos, mas para Interligar o Brasil ao Chile através da Argentina e encurtar o caminho para a Ásia. Essa, sim, uma obra necessária e urgente. Basta ver o quanto estão sobrecarregadas de caminhões as atuais rodovias. O país precisa de ferrovias, muito mais que um trem de alta velocidade.

Outra coisa: não assuste caro leitor, com a queda de tantos ministros em 2011. Não esconda nem mesmo a vergonha em saber que seis deles caíram por corrupção. Desviaram dinheiro público para seus partidos usar em campanhas políticas e eles próprios continuarem no poder. Fique frio! Estamos enfrentando a corrupção.

Em todos esses casos, a revolta para um enfrentamento foi iniciado pela imprensa. O Brasil, graças a Deus, tem uma imprensa com credibilidade alta e com tradição de não se submeter a nenhum tipo de poder, quer da direita ou da esquerda. Foi ela que derrubou os seis ministros e nem precisou ainda da participação do povo.

Alegra-te, pois, caro leitor que a derrota da corrupção já foi iniciada e os corruptos serão alijados do poder. Como? Assim como você, também não sei. A própria presidente Dilma não sabe, mas assim como nós, ela quer e precisa por um fim nisso

Mas, anote aí, esses escândalos todos estão eclodindo porque o Brasil quer melhorar.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal

 

 

 

 

Dom, 18 de Dezembro de 2011 12:06

Com crises não se brinca

Com certeza você não está preocupado com a recessão mundial anunciada para o próximo ano. Mas deve estar inquieto com uma possível seca que já mostra sua cara por aqui e, se persistir, ela pode trazer uma crise.

É isso mesmo, já se pode ver a preocupação estampada no rosto dos produtores rurais. Eles evitam externar pessimismo, mas não esquecem as secas sofridas há poucos anos. Ainda estão pagando as renegociações feitas com os bancos que os financiaram. Preocupam-se e com razão.

Tudo indica que esse veranico é mesmo o La Niña, fenômeno causado pelo resfriamento das águas superficiais no Oceano Pacífico, na costa oeste do Peru. Quando isso acontece “há um excesso de chuvas no Nordeste do Brasil e estiagem no Oeste dos estados do sul do Brasil e no Paraguai” como ensina a Wikipédia.

Nos estados do sul, a oeste deles, como é nosso caso, todos temem novamente uma seca severa por conta do La Niña; este é o motivo da preocupação. E o que se pode dizer disso agora? A respeito disso somente dizer que é um fenômeno natural. Que faz parte da própria vida da Terra. Hoje ainda não podemos fazer nada para evitá-lo.

Mas se não podemos fazer nada quanto aos malefícios de uma seca podemos, sim, nos prevenir quanto à recessão que, assim como os efeitos do La Niña, já está mostrando a cara pelo Brasil sem a gente perceber.

Os efeitos dela, a recessão, ainda não se mostram à maioria da população, mas você não se iluda, eles chegarão até nós. E isso pode trazer uma grande crise.

Vejamos: a China, a maior compradora do Brasil reduziu suas compras nestes últimos meses em mais de 10%. Nos produtos alimentícios, especialmente soja, ainda não, até porque, eles também precisam comer. Mas em algumas das demais commodities a redução chega a 20%.

A Europa atravessa uma crise pra lá de séria. A União Europeia está encrencada até o pescoço por conta de dívidas astronômicas de alguns de seus países-membros; como Grécia, Portugal, Itália, Espanha e mais alguns outros menos expressivos. O endividamento desses países colocou a maioria dos grandes bancos europeus em crise e agora não há recursos para financiar importações. Os bancos não têm dinheiro para financiar compras de produtos brasileiros; esta é a maneira simplificada para mostrar a gravidade da crise deles.

Os Estados Unidos, para falar somente de nossos maiores parceiros comerciais, é nosso mais forte concorrente nas vendas de commodities, especialmente as agrícolas, mas continua mantendo um bom intercâmbio conosco. Mas não se pode esperar grande acréscimo em nossas transações com ele, até pelo contrário, porque ainda não conseguiu se recuperar da sua grave crise imobiliária.

Sim, mas e daí, deve estar se perguntando você? Daí que nós também – estou me referindo ao Brasil – já estamos sentindo o efeito disso tudo. O governo continua tratando isso como mais uma marolinha, mas a verdade é que nossa indústria teve um crescimento de 10,4% em 2010. E neste ano apenas 1,8%.  Para 2012 é previsto um crescimento máximo de 2,3%. Consequentemente, a recessão já está aqui e cada um de nós precisa “botar as barbas de molho”.

O que fazer, então? Primeiro, frear todos os gastos supérfluos. Segundo, nada de aumentar a produção, mas tratar de aumentar a produtividade; e isso serve de conselho para qualquer tipo de atividade. Terceiro, manter a calma e não fazer empréstimos, pois essa recessão pode até ser mais uma marolinha, mas recessão é crise e com isso não se brinca.

*O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

 

 

 

Dom, 11 de Dezembro de 2011 18:43

O ânimo dos douradenses

Se há uma coisa que os douradenses gostaram foi ver sua cidade iluminada neste final de ano. E diga-se, bem que o povo merece porque não se via expressões de alegria assim há muitos anos.

As luzes acesas produziram um efeito bonito para os olhos, mas o que elas iluminaram mais mesmo foi a alma dos douradenses. É preciso reconhecer que essa foi uma brilhante ideia.

Desde a idealização, como o próprio financiamento, em tudo teve a mão da primeira-dama do município. Nada de exageros; tudo feito com muita simplicidade. Agradou, inclusive, aos ecologistas quanto ao respeito às arvores.

Depois, ninguém melhor do que a própria primeira-dama para arrecadar os recursos necessários, haja vista a quantidade de empresários chamados ao palco para receber os aplausos. Dava para se ver a satisfação do prefeito que, para esse evento, não precisou gastar recursos da prefeitura.

Os comerciantes eram todos sorrisos, muito também pela atitude do prefeito que ao reduzir o preço das passagens nos ônibus atraiu os moradores de bairros distantes. Agora, à noite, é gente pra todo lado andando nas calçadas.

A iluminação na Avenida Marcelino Pires é o que chama atenção maior, mas outras atividades estão movimentando o centro: a pista de patinação no gelo faz a alegria dos jovens que espalham sua alegria em altos gritos; assim como os eventos culturais enchem de satisfação as pessoas maduras.

Esse esforço feito para alegrar o povo, se vê claramente, não se trata apenas de uma questão comercial; aquela ânsia de melhorar as vendas; aquele cunho financeiro. Agora foi visada a questão principal, melhorar o orgulho dos cidadãos douradenses. Orgulho que estava – e perdoem os leitores ainda está – um tanto abalado. Com tantos escândalos políticos e muitas frustrações com seus administradores, os cidadãos andavam de cabeça baixa.

Nada melhor, então, que aconteçam coisas bonitas e boas na cidade.

É dever de uma boa administração pública criar com certa regularidade fatos positivos para manter alto o ânimo dos cidadãos, assim, a cooperação se estreita entre o poder público e o privado. E a situação calamitosa da cidade é conhecida até pela Velhinha de Taubaté.  Se há uma cidade que precisa ser reanimada, esta cidade é Dourados.

A proximidade do Natal somado às festas de formaturas e mais o Réveillon, são os melhores momentos para injetar ânimo nos munícipes. E foi essa a intenção da administração municipal.

O próximo ano será um ano de eleições. E justamente para eleger um novo prefeito e novos vereadores. É bom lembrar àqueles que pretendem se candidatar que a melhor coisa a se fazer durante a campanha é insuflar ânimo aos douradenses.

De tanto ouvir e ver desmandos e corrupção nos administradores públicos, coisa que está começando a incomodar os eleitores, a melhor maneira de se conquistar votos nessa próxima eleição certamente não serão as cestas básicas e, sim, incutir nos eleitores estímulos para que eles tenham orgulho de sua cidade.

O primeiro passo no sentido de levantar o ânimo dos douradenses já foi dado. Outros virão, afinal, estamos em campanha política. Mas o que vier, daqui pra frente, que seja para o bom ânimo dos douradenses.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

 

 

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