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22 Fevereiro de 2012 - Quarta Feira

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Seg, 23 de Janeiro de 2012 07:15

Dourados sem linha aérea

Escrito por  Waldir Guerra

Uma suspensão, mesmo temporária, dos vôos diários que a TRIP faz em Dourados teria um efeito muito ruim economicamente para a cidade e região.

Mas acontece que essa hipótese não pode ser descartada porque mais uma vistoria da ANAC, Agencia Nacional de Aviação Civil, a última feita no final de outubro passado, e com validade até dia 8 de fevereiro próximo, alerta os responsáveis pelo aeroporto de Dourados que a segurança oferecida pelo Corpo de Bombeiros do aeroporto é deficiente em razão dos equipamentos serem obsoletos.

Não è a primeira vez que a ANAC emite boletim (Notam) com advertências a respeito da falta de condições para a manutenção de uma linha aérea no aeroporto de Dourados.

A TRIP, única empresa com vôos comerciais em Dourados e que opera suas aeronaves quase somente a noite, durante um bom tempo, arriscou-se a ter um acidente grave com algum animal. A pista de pouso era aberta, sem cerca alguma. Foi graças à intervenção do vice-governador – na época Murilo Zauith – que providências foram tomadas. E os recursos usados não foram da Prefeitura Municipal, a proprietária do aeródromo, mas investidos pelo governo do Estado.

Agora apesar do empenho pessoal do prefeito, Murilo Zauith, em solucionar não apenas as deficiências, mas no esforço em ampliar a capacidade do aeroporto todo, como no exemplo em contratar uma empresa para operar o sistema de rádio-comunicação durante 24 horas; a instalação do PAPI (Indicador de Percurso de Aproximação de Precisão), aparelho que orienta as aeronaves para um pouso noturno; elaboração de projeto para ampliação da pista de pouso dos atuais 30 metros de largura para 45 metros, com reforço em sua base para poder operar aeronaves maiores, assim mesmo, seus esforços pessoais não estão tendo as respostas com a urgência necessária para evitar uma interrupção dos vôos diários.

Existe, então, o perigo da interrupção dos vôos por uma “canetada” da ANAC. E seria um retrocesso econômico para a região porque para formar o hábito no uso dos vôos foi um processo demorado. Uma simples interrupção de alguns dias seria desastrosa para criar insegurança nos usuários.

Em certos negócios não se pode dar mole e cometer erros.

Um fato recente e que é de lamentar: vendo seus vôos lotados a TRIP iniciou recentemente mais dois vôos diários de Dourados para São Paulo e acabou cancelando-os. E por quê? Apesar de a empresa alegar falta de aeronaves, a verdade é que foram suas tarifas exageradas que levou os passageiros a preferirem se deslocar a Campo Grande para viajar de avião.

O prefeito municipal, além de sua conhecida competência em obras, também sabe que o aeroporto é a porta de entrada para os que vem criar novos empregos na sua cidade. Sabendo disso tem se esforçado muito em melhorias no aeroporto.  Contudo, precisa de maior colaboração daqueles envolvidos diretamente na administração do aeroporto. Falta lá um administrador competente para orientar o dia a dia principalmente quando da movimentação das aeronaves.

Uma atenção mais gentil – e dinâmica também, por que não – dos servidores, especialmente por parte da Guarda Municipal.

Os aeroportos do mundo todo se esforçam para prestar bons serviços aos pilotos e passageiros. Recebê-los bem é uma obrigação porque sabem que a primeira impressão da cidade nasce ali.

Por tudo isso nem dá para imaginar Dourados sem linhas aéreas diárias regulares.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

 

 

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