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Segunda, 16 Novembro 2020 16:26

Multas de trânsito podem ser parceladas?

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Você tem multas de trânsito pendentes e quer saber como parcelar? Nesta semana, falei sobre parcelamento de multas de trânsito na minha coluna no UOL. Andar com o veículo com documento irregular é um grande problema, mas não é incomum ver essa situação.

Com multas acumuladas, o momento de licenciar um automóvel pode acabar saindo ainda mais caro. Mas, você sabia que é possível parcelar as multas de trânsito – e até mesmo licenciamento, IPVA e DPVAT?

E a melhor parte é que tenho uma indicação para você de uma empresa em que eu confio para parcelar os débitos do seu veículo: a Zapay!

Com o fim do ano chegando, o ideal é colocar esses débitos em dia para circular sem preocupações com o seu veículo. E a Zapay é a sua melhor escolha!

Quanto mais tempo você deixa passar, mais juros correm nas suas multas em aberto – e maiores as chances de você ser novamente multado por não estar com o licenciamento em dia. Na Zapay, a consulta dos débitos do seu veículo é gratuita e você parcela pela internet mesmo, usando cartão de crédito.

A quitação com os órgãos de trânsito é imediata e você já pode solicitar a regularização do documento. A Zapay é credenciada aos Detrans de 15 estados brasileiros e vai ajudar você a se ver livre dos débitos de uma forma que cabe no seu bolso.

* O autor é cofundador da Doutor Multas

Quarta, 11 Novembro 2020 18:10

Não confunda pouca idade com nova política

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Estamos em período eleitoral e através dos instrumentos de informações em massa, nossas redes sociais cumprem um papel fundamental, representando a democratização da informação, tão necessária e valiosa.

Mas este instrumento também serve aos maus intencionados que utilizam destas redes para promoverem confusões imaginárias nas mentes, nos corações e na alma das pessoas.

A nova política é aquela que possui poder visionário, que transpõe ao tempo, que enxerga soluções demonstrando as alternativas para superação.

Aquele que fala na velha política, apesar da pouca idade, possui uma trajetória ladeada com estes que ele visa denegrir, os mesmos que lhe deram oportunidade em tempos recentes de ocupar uma das cadeiras do poder legislativo.

Quem conosco esteve em toda sua vida pública não pode simplesmente saltar do "barco" e com dedo em riste afirmar que não representamos as boas práticas, afinal ele compartilhou toda sua vida pública conosco.

Transparecer e tentar se encaixar como o novo é subestimar a capacidade intelectual dos douradenses, é desafiar o poder de análise e reflexão do nosso povo.

Por isso, afirmo, pouca idade não significa o novo na política, pois, além disso, terias que mostrar com quem andou ao longo da sua carreira, onde esteve nas últimas eleições e quais foram os governos que ele nos ajudou defender.

Pra isso basta buscar os recursos das redes sociais, lá dá pra encontrar os abraços efusivos, os discursos de outrora, os companheiros que o ladeavam e dá para encontrar até mesmo o partido por qual esteve nas últimas eleições.

Que isso sirva para desconstruir a confusão entre o novo e as velhas práticas.

Enquanto isso continuaremos defendendo os propósitos de reconstruir Dourados, com altivez, com postura ética, mas principalmente com lealdade e honradez às pessoas que nos seguem.

* O autor é vereador, gerente regional da Sanesul e presidente do Diretório Municipal do DEM em Dourados 

Terça, 03 Novembro 2020 20:19

Saneamento deve ser pauta das eleições

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A aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento é um divisor de águas da nossa história. O alcance das metas audaciosas estabelecidas na nova legislação do setor vai contribuir para a redução significativa das desigualdades brasileiras. Investir em saneamento é deixar o atraso no passado e acreditar em um Brasil mais moderno e com desenvolvimento social e econômico, permitindo à população mais pobre uma vida digna.

Pela primeira vez o assunto ganhou força na sociedade e, com certeza, estará mais presente durante a campanha para as eleições municipais, que ocorrem no dia 15 de novembro. Por isso, os eleitores dos 5.570 municípios brasileiros precisam cobrar dos candidatos a prefeito e a vereador compromisso com essa pauta para que possamos alcançar o atendimento de água potável para 99% da população brasileira e de 90% de tratamento e coleta de esgoto até 2033. Dessa forma, melhoraremos a qualidade de vida de 35 milhões de brasileiros sem acesso à água potável e outros 100 milhões em moradias que ainda não contam com ligação ao sistema de esgotamento sanitário.

A falta de saneamento traz impactos diretos na saúde da população, como mostra o Ranking 2020 da ABES (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). O estudo revela que mais de 40 mil internações foram causadas por doenças relacionadas à precariedade do saneamento básico no primeiro trimestre deste ano, alcançando uma despesa de R$ 16,1 milhões no setor de saúde.

Na lista dos males que afetam a população brasileira sem acesso à rede de esgoto estão doenças como a dengue, Chikungunya, esquistossomose, amebíase, hepatite infecciosa e cólera. Uma pesquisa da OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta que 94% dos casos de diarreia no mundo são resultado da falta de acesso à água de qualidade e ao saneamento precário. Vale lembrar ainda que a mesma organização contabiliza que para cada US$ 1 investido em saneamento, os governos economizam outros US$ 4 em saúde.

O principal efeito do saneamento é local. São as cidades que assumem os principais prejuízos desse atraso. Por isso, as eleições municipais são importantes para o futuro do saneamento. Os novos prefeitos precisam estar comprometidos com as metas e devem elaborar o Plano Municipal de Saneamento Básico, documento que apenas 40% das cidades brasileiras já prepararam até o momento e que é um instrumento fundamental para o planejamento de curto, médio e longo prazos nessa área. Um dos principais obstáculos enfrentados por essas localidades é a falta de profissionais especializados no setor com competência para coordenar a elaboração do projeto. Uma das sugestões já apresentadas por entidades da área é uma maior participação do governo federal, por meio da Secretaria Nacional de Saneamento, com a oferta de apoio técnico aos estados e municípios.

Sem o Plano Municipal de Saneamento Básico, as cidades perdem ainda a capacidade de planejar os empreendimentos por não contar com informações essenciais sobre as demandas e terão grandes dificuldades de acesso aos recursos e eventuais parcerias e concessões do setor. O eleitor deve ficar atento às propostas de campanha dos candidatos e também se o município já conta com um plano de saneamento. Mesmo que a moradia desse eleitor seja abastecida com água e sistema de esgoto, a cidade precisa ter melhores condições para todos. A qualidade do saneamento no município vai repercutir em indicadores como desenvolvimento econômico, produtividade, entre outros, que são ferramentas para atração de empresas.

O Novo Marco Legal do Saneamento impulsiona uma nova história do setor no país. O eleitor pode fazer uma grande diferença com seu voto em candidatos comprometidos com o avanço dessa causa.

* O autor é presidente da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente), engenheiro pela Escola de Engenharia de São Carlos da USP e doutor em engenharia hidráulica e sanitária pela Escola Politécnica da USP.

Sexta, 30 Outubro 2020 18:22

Prefeitos: Gerentes ou líderes?

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Vivemos hoje um tempo de falta de confiança nos governantes e descrédito na política. Esses são sinais visíveis dos problemas que marcam o tempo presente. É, portanto, uma oportunidade para realizarmos uma reforma cultural sobre a governança pública.

Para alguns, essa discussão se esgota em polemizar sobre mais Estado ou menos Estado, para outros a simples troca dos nossos políticos e escolha de gestores mais competentes. Errado: esse tipo de Estado e esse tipo de governo estão esgotados, já não conseguem resolver os desafios de uma sociedade que sofreu profundas transformações, tornando-se mais complexa, mais articulada, e mais consciente da sua autonomia. Esse é o cerne da questão.

Todo governo tem que ter capacidade de gestão, mas isso não é suficiente. Não é possível resolver a imensa demanda reprimida da sociedade sem mobilizar os imensos recursos que estão fora dos orçamentos públicos. Fora do governo existem recursos imensos desperdiçados. São recursos, financeiros, cognitivos, organizativos, políticos entre outros. Há que se somar toda essa riqueza, articulando um orçamento ampliado por uma nova governança baseada na democracia e na responsabilidade solidária.

Colocando em termos práticos, quanto vale o eficiente trabalho da Pastoral da Criança no combate à desnutrição infantil, ou das ongs ambientais, quanto vale o imenso voluntariado da cidade a serviço da solidariedade humana, quanto vale o potencial produtivo e de responsabilidade social das nossas empresas, quanto vale o conhecimento das nossas Universidades, o potencial dos pequenos negócios e das organizações da sociedade civil? Tudo isso é desperdiçado, não converge para ajudar no enfrentamento dos desafios do desenvolvimento da cidade.

Há que se juntar esse imenso potencial em um projeto baseado na maximização da coesão social, na organização das interdependências do conjunto dos atores da sociedade para produzir níveis crescentes de desenvolvimento humano. Há que se perceber que a sociedade política, sem a sociedade civil, já não dá conta das imensas demandas de uma sociedade democrática, complexa e articulada em redes. Essa apartação é a fonte da nossa crise de capacidade de governo e de deslegitimização da representação.

Nessa visão, o governo deve ser um agente organizador das potencialidades existentes. Essa é a experiência de regiões que trilharam caminhos mais sustentáveis de desenvolvimento. Robert Putnam estudou e identificou esse modelo nas cidades desenvolvidas no norte da Itália. É dele o conceito de capital social: o conjunto formado pela confiança social, pelas normas e redes articuladas para resolver os problemas comuns com compromisso cívico. Quanto mais densas forem estas redes, mais possibilidades existirão de que os membros de uma comunidade cooperem para obter um benefício comum.

Para cumprir esse papel novo não são suficientes gerentes. A materialização dessa utopia possível, depende de uma mudança cultural, depende do surgimento de lideres que possam entusiasmar e ter o crédito da sociedade. Esses líderes seriam capazes de organizar com a sociedade um grande projeto de longo prazo, onde houvesse a convergência ampla de interesses e fosse calçado em uma liderança moral inequívoca.

Os momentos de crise podem, muitas vezes, serem as oportunidades de criação do novo. As crises são como momentos de partos, elas são caracterizadas pela existência de uma situação em que o “velho já morreu, mas o novo ainda não nasceu”. As possibilidades são apenas duas, acreditar em mais do mesmo ou ousar no parto de novos paradigmas para a gestão pública.

Apressar a emergência de um novo estilo de liderança e de um modo novo de governar é um dos maiores desafios contemporâneo do pensamento progressista.

* O autor é Engenheiro, professor aposentado da UFMS

Terça, 20 Outubro 2020 14:11

A caminho de um Novo Normal

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Neste ano atípico de 2020, no qual uma crise sanitária global abalou os alicerces de todos negócios, sem exceção, e deixou em turbulência as indústrias de marketing e criatividade, as agências tiveram que se reinventar no seu formato de trabalho, no qual a proximidade entre as equipes sempre foi fundamental para gerar as faíscas criativas para seus clientes, e também entender novos briefings que, em muitos casos, passavam longe de buscar apenas soluções criativas para incremento de vendas. Como afirmou o mestre Olivetto: "Agora não é hora de vender; agora é hora de prestar serviço”.

Concordo com o Rob Reilly, global creative chairman do McCann Worldgroup, quando ele diz que a criatividade é um ativo cada vez mais necessário para resolver problemas complicados que vão além da comunicação em si e que ela, como conceito, é mais valiosa do que nunca. Eu sempre acreditei que o melhor uso da criatividade na publicidade é na construção de marcas fortes, de marcas sólidas, que vão além de um belo slogan, marcas de empresas que materializem a promessa em fatos e não só em narrativas em torno de um brilhante slogan.

No que tange especificamente à comunicação do agronegócio no Brasil, imperou, neste ano, um tom bem mais “institucional” no discurso das marcas, até porque temos verificado que um grande esforço tem sido feito pelas entidades e players do segmento para descolar a percepção negativa que as pessoas têm do agronegócio brasileiro. E, como afirma Ricardo Nicodemos, vice-presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA), mais do que a preocupação com as vendas, só terão destaque as marcas que deixarem um legado após o fim da pandemia.

Mas, de qualquer maneira, as agências estão funcionando a todo vapor e trabalhos muito criativos sendo veiculados pelos tradicionais anunciantes de todos os segmentos. Grandes cases continuam a pipocar aqui e ali e as agências e seus criativos precisam da validação de suas ideias. Além disso, cases são ferramentas de carreiras de profissionais de marketing e um dos seus maiores legados. E nada melhor do que os festivais de criatividade para estabelecer os critérios qualitativos dos trabalhos que estão saindo na nossa indústria da propaganda. Com a comunidade criativa tendo que enfrentar outros desafios neste momento, falar em premiações publicitárias parece ser um contrassenso, mas os festivais de publicidade continuarão o melhor termômetro e referência das produções criativas.

E é neste contexto que a ABMRA está programando, para o primeiro semestre de 2021, o lançamento do XIX Mostra da Comunicação Agro da ABMRA, a maior premiação da publicidade e marketing do agronegócio no país e que contribui para o constante aprimoramento das técnicas e da gestão da comunicação em marketing rural e agronegócio, através do reconhecimento de profissionais, empresas e instituições.

E já está definido o presidente do júri desta edição. Trata-se de Luiz Lara, grande nome da publicidade brasileira, fundador da LewLara e Chairman do grupo TBWA/Brasil. O publicitário substituirá o criativo João Livi, que foi o presidente do júri do evento em 2019. Luiz coordenará o trabalho, que será totalmente online, dos jurados da Mostra, selecionados entre as personalidades mais influentes do mundo agro e profissionais de criação que lideram a área criativa em agências no Brasil e no exterior.

A expectativa é que esta Mostra superará a anterior, que contou com 151 cases de comunicação do agro, inscritos pelos maiores players do setor e que teve o projeto da Rede Globo, “O Agro é Pop, o Agro é Tech”, como o grande vencedor do festival.

E, como sempre, esta premiação sinaliza os novos paradigmas da comunicação, não só do agronegócio, mas por onde anda a comunicação de um modo geral, como os novos meios digitais, suas interconexões com o mundo offline e as multiplataformas. Ou seja, o nosso novo normal.

* O autor é Diretor de Integração da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA) e CMO da Neodigital

Praticamente todas as evidências, sejam em litígio judicial, arbitragem, ou relacionadas a investigações realizadas por reguladores ou autoridades de fiscalização, conterão alguns dados pessoais por inerência ao procedimento.

Na enxurrada de atividades em torno do imediato início da vigência da Lei Geral de Proteção de Dados, muitas organizações comprometeram amplos recursos para a realização de auditorias de dataprivacy, avaliando até que ponto suas atividades envolvem o tratamento de dados pessoais e considerando se seus processos estão em conformidade com a nova legislação.Compreensivelmente, o foco nessas revisões tende a ser nas atividades operacionais regulares das organizações.

Mas, uma questão que tem recebido menos atenção, mesmo no setor jurídico, é o dilema funcional de como as regras de proteção de dados se aplicam quando as organizações estão lidando com dados no contexto de um litígio. Não há um roteiro absoluto de como se aplicam ao processo de contencioso esses novos ditames, diretrizes e limites legais trazidos pela LGPD.

Na medida em que a questão foi considerada, muitos podem ter simplesmente assumido que, quando os dados pessoais estão sendo coletados e divulgados no contexto de um processo legal formal, devem ser cobertos por alguma isenção legal. No entanto, a posição não é tão simples. Embora o LGPD contenha uma série de disposições que legitimam efetivamente o processamento de dados pessoais quando realizado em conexão com o exercício de direitos legais, cada uma dessas disposições é específica para obrigações particulares na legislação. Nenhuma das disposições se aplica integralmente a todos, de modo a permitir que uma parte ignore efetivamente a proteção de dados em um determinado contexto.

Por conseguinte, indivíduos que agora têm maior consciência de seus direitos nessa seara, são mais propensos a buscarem exercer esses direitos e as partes em litígio podem explorar o escopo de usar a proteção de dados como um subterfúgio ou artifício adicional em seu arsenal tático e estratégico.

Desta forma, há efetiva possibilidade de qualquer violação da LGPD dentro do processo litigioso ser facilmente identificada e resultar em ação, sustentada pela ameaça de multas regulatórias muito maiores. Portanto, é mais importante do que nunca que as partes envolvidas na demanda, seus patronos e consultores, conheçam como a lei interage diretamente com o processo.

Todo este cenário de mutações e inovações, inevitavelmente faz emergir preocupações sobre se as partes deveriam alterar suas práticas atuais no que diz respeito à supressão de dados pessoais irrelevantes na divulgação, e com o fazê-lo. Sobretudo, a fim de evitar-se mais um nicho de judicialização, que sobrecarregaria ainda mais nossos Tribunais, onerando toda a sociedade.

Nesse sentido, a implementação de práticas e procedimentos transparentes e a conscientização dos titulares de dados, já reduziria consideravelmente as disputas e chances de conflito, inclusive para demandantes contumazes e mal intencionados.

Outrossim, criar-se canais para a intermediação, mediação e resolução efetiva de eventuais problemas advindos de fluxo ou tratamento errôneo de dados, corroboraria para atestar a adequação do órgão ou da empresa à legislação, bem como proporia o esgotamento de vias de solução compositória - por acordo ou transação -, antes da evolução direta - e muitas vezes desnecessária e aleatória - do tema ao Judiciário.

Sob este raciocínio já evoluem os entendimentos e ponderações dos tribunais do mundo, ao entenderem que os meios reclamatórios e de resolução extrajudicial de conflito, devem ser esgotados antes de buscar-se tutela estatal pela via judicial, o que conota intuito de razoabilidade e transigência, que deve permear qualquer disputa e relação, e assim guiar as consequências desta nova lei, para que sejam preponderantemente positivas.

* O autor é advogado, especialista em Direito Processual Civil, Contratos, e Proteção e Privacidade de Dados; Vice Presidente da Comissão de Direito Contratual, Compliance e Propriedade Intelectual da OAB/SP - Subseção Santana

Segunda, 14 Setembro 2020 07:43

A poesia é a concretude de Deus

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Foi indicada pela UFMS, para o vestibular 2021, uma relação de nove obras de autores da literatura de língua portuguesa, para que sejam estudadas e sirvam como base para questões e conhecimentos dos alunos. Os livros são: “Marília de Dirceu”, de Tomás Antonio Gonzaga; “Esaú e Jacó”, de Machado de Assis; “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto; “Viagem e Vaga Música”, de Cecília Meireles; “Sagarana”, de Guimarães Rosa; “O Encontro Marcado” de Fernando Sabino; “Seminário dos Ratos”, de Lygia Fagundes Telles; “Cinzas do Norte”, de Milton Hatoum; e “Vias do Infinito Ser”, de Rubenio Marcelo.

Publicado pela Editora Letra Livre, o livro de Rubenio Marcelo traz 115 poemas em versos livres. Aprovado pelo FIC/MS, foi o 11ª livro autoral de Rubenio Marcelo (“Vias do Infinito Ser”) e apresenta poemas dosados de efeitos metafóricos e sintonizados com linguagem filosófica e aspectos da espiritualidade humana – a obra expõe também mensagens voltadas para reflexões acerca da virtude e aspectos existenciais além do imediatismo cotidiano.

A orelha traz opiniões de pesos pesados da literatura do nosso Estado. O escritor, jornalista e acadêmico Henrique de Medeiros aponta: “Neste novo livro, Rubenio Marcelo veleja, filosofa, canta, expõe o verbo poetar em sua essência, e principalmente busca o essencial: o ser”. Entrementes o escritor J. P. Frazão, membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, assevera: “Ao desvendar o fenômeno das intuições e do fantástico místico incorporado neste livro ‘Vias do Infinito Ser’, testemunhamos que a infinitude poética se confirma em cada verso, filosoficamente criado, como um fio de sensações cósmicas interligando astros e nos conduzindo ao misterioso princípio/fim da existência”.

A poesia que oferta o título à obra é:

VIAS DO INFINITO SER
sem a ordem do dia
do sobrenatural
não haveria
a natural ordem
das coisas da noite...
da noite para o dia
silentes instantes
tornam-se eternos...
do dia para a noite
palavras saltam muralhas
e viram estrelas...
instantes e estrelas
conhecem os refúgios do tempo
mas desentendem
a quietude das pedras
e a saga dos pássaros
translúcidos
do sétimo céu...
por via das dúvidas
há vias de certezas
que nos desafiam a percorrer
in/conscientemente
e em perfeita claridade
a via láctea e o infinito
do nosso ser...

Se por um lado não há óbices para um recatado eu lírico em cumprir sua sina, por outro, sua escrita não se reduz à emotividade, pois promove um diálogo profícuo entre a tradição poética e os silentes instantes que se tornam eternos. Outrossim, o pensamento romântico abarca para a poética moderna o ideal da lírica como essencialmente subjetiva. Dessa maneira, o poeta passa a manifestar sua experiência individual e o eu lírico a expressar não somente a realidade, mas a maneira como a interioridade dialoga na facúndia loquacidade com a tal realidade.

A importância da abordagem existencial apresenta seu embate, a nosso ver, no alcance que pode trazer à compreensão da experiência humana, e também no fato de ser um paradigma de investigação científica atento aos fundamentos ontológicos da realidade, fazendo com que, “do dia para a noite” as palavras saltem as muralhas e se transmutem em estrelas. Vejo através dessa escolha efusivo beneplácito, no aquecimento da literatura regional, nitidificando um fortalecimento para todos nós escritores, com novos livros saindo do recôndito das prateleiras para as praças e pontos de estudo. Por derradeiro, Descartes, pela aplicação da dúvida metódica, assumiu a existência do cogito, isto é, da sua existência como ser pensante, demonstrou a existência de Deus a partir do facto de que não nos podemos conservar a nós próprios.

Se não podemos garantir a nossa existência, mas apesar disso existimos, é porque alguém nos pode garantir essa existência e essa completude se torna eterna ... através da poesia. E graças a Deus sou poeta, sim; eu sou! E agradeço a Rubenio Marcelo por nos representar. Honrando a cadeira 35 e a ala de compositores da Catedráticos do Samba.

* O autor é Articulista

Após um feriado, como foi o do dia 7 de setembro, somos bombardeados por notícias jornalisticas que apontam inúmeras aglomerações de pessoas aproveitando o feriado prolongado, em bares, restaurantes, balneários, praças e praias.

Desde que a Organização Mundial de Saúde declarou a pandemia de Covid-19, o mundo vem enfrentando desafios e restrições. As recomendações das autoridades são uniformes em várias partes do mundo. Para além dos esforços sanitários, a redução de aglomerações é fortemente recomendada, senão imposta, de preferência por meio de isolamento domiciliar.

Nos contratos de trabalho, a pandemia trouxe vários reflexos, como as suspensões dos contratos e o teletrabalho, mas para aqueles empregados que permanecem no exercício da atividade laboral, há a possibilidade de o empregador aplicar a justa causa ao funcionário que participa de aglomerações fora do horário de trabalho.

Isso mesmo, em tempos de restrições impostas pela pandemia, a vida privada não é garantia absoluta, e em situações extremas, como nos dias atuais, a saúde pública é dever de todos. Se a vida pessoal do trabalhador impacta na segurança e saúde dos seus colegas de trabalho, devemos ter em mente que é necessário pensar e agir coletivamente, com razoabilidade e equilíbrio.

A grande discussão é que a saúde pública passa a ser dever de todo cidadão, empregado ou empregador. Todos somos responsáveis por situações que coloquem em risco nossa vida, dos familiares, dos amigos e, também, dos colegas de trabalho. Com esse fundamento, pode o empregador aplicar medidas disciplinares aos empregados por atitudes que terão reflexos na empresa, especialmente os comportamentos que arrisquem a saúde de seus empregados.

Assim, caso se verifique que determinado empregado não está observando as medidas de distanciamento social e sanitárias impostas, que se nega a realizar aferição de temperatura ou exames compulsórios, deve o empregador, de forma reservada e sem constrangimentos, adverti-lo, em caso de reincidência suspender o trabalhador e em ultimo caso demitir por justa causa.

Os atos que caracterizam a justa causa estão definidos no artigo 482 da CLT, e se dá por ato faltoso do empregado que faz desaparecer a confiança e a boa-fé existentes entre as partes, tornando indesejável o prosseguimento da relação empregatícia. As empresas devem estabelecer suas rotinas restritivas e observá-la igualmente para todos os empregados.

É preciso que toda a sociedade assuma a responsabilidade em manter a segurança e saúde do próximo, seja familiares ou colegas de trabalho. Aquele que coloca em risco a saúde de terceiros pode ser responsabilizado. Se o risco ocorrer no ambiente de trabalho, é dever do empregador agir de modo a coibir comportamentos que arrisquem a saúde de trabalhadores e consumidores.

* O autor é advogado em Dourados

Sexta, 28 Agosto 2020 15:18

Tecnologia para democratizar o ensino

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Algumas prefeituras estão adotando equipamentos móveis para fazer chegar o ensino à distância em algumas regiões. Essas remessas, mesmo insuficientes, também poderão entrar na rotina pedagógica das escolas após a pandemia. Escolas particulares também já trabalham com essa linha, de digitalizar mais o ensino. É desse futurismo imediato que precisamos falar, ou melhor, já não é mais um futurismo, estamos demorando demais.

Moro em Castanhal, região metropolitana de Belém. Falar de tecnologia nessa ponta do Brasil ainda é um desafio. Estou rodeado por comunidades que sequer possuem saneamento básico, por povoados que caminham horas e cruzam rios a barco para estudar embaixo de estruturas quentes, com chão de terra. Como falar de tecnologia nesses espaços?

A mudança das escolas para o universo digital propôs inúmeros desafios, há tantas limitações preocupantes: alunos e professores que não possuem recursos para acompanhar aulas e atividades remotas, por exemplo. O Ministério da Educação transferiu em março R$ 450 milhões para 64 mil colégios no Brasil. Sabemos que o setor precisa de mais e a única possibilidade de seguir lecionando nesse período é digitalizando o ensino. Isso deve ficar para sempre, como disse o poeta Milton Nascimento "nada será como antes".

A proposta do chamado blended learning, ensino híbrido, propõe uma parte do aprendizado de maneira off a outra on-line. O ensino de línguas, por exemplo, já adotou esse modelo há um tempo. As ferramentas digitais mostraram a possibilidade de comunicação com outras partes do mundo sem precisar se deslocar.

Para esse ano, a Base Nacional Curricular (BNCC) definiu a obrigatoriedade de aulas de inglês em toda rede pública e particular do 6º ano ao ensino médio. A tecnologia, atrelada a isso, rompe fronteiras: tradutores simultâneos online, aplicativos de videoconferência - tudo isso conecta o nosso ensino com o restante do mundo, com a cultura daquele idioma que está se ensinando.

Quando criei a minha empresa, uma edtech sediada nos EUA, que leva aulas on-line de inglês, principalmente para as menores regiões do Brasil, foi com o propósito de democratizar o ensino. Os lugares mais afastados desse Brasil teriam seus habitantes falando inglês, conectados com outro país, por um custo baixo. Oferecemos isso para mais de dez mil pessoas, gratuitamente na pandemia.

Essa movimentação entre empreendedores também desperta os governos para políticas públicas no ensino e agora é a hora de fazê-la, ou criaremos uma ilha tecnológica no ensino, e não uma nação inteira conectada.

* O autor é CEO da Really Experience

Sexta, 21 Agosto 2020 16:22

A saúde em primeiro lugar

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O pânico criado pela pandemia do novo coronavírus afetou a vida da população mundial. A necessidade de isolamento social adiou projetos, afetou a economia e, infelizmente, fez com que muitos pacientes postergassem os cuidados com a saúde. O diagnóstico e tratamento de muitas doenças como câncer e hipertensão tiveram reduções sensíveis nos últimos meses. O mesmo ocorreu com as consultas.

O fenômeno não é exclusividade nossa e ocorre em vários países. Em Portugal, agora em julho, o Sistema Nacional de Vigilância de Mortalidade do país registrou aumento de 24% de mortes não relacionadas com a Covid-19 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Nos EUA, os pacientes com câncer, por exemplo, reduziram os cuidados. No Brasil, entre diversos indicadores, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) registrou queda de 30% no número de pacientes novos que procuram a instituição no início da pandemia.

As complicações desse adiamento terão reflexos no curto, médio e longo prazos tanto na saúde pública como no setor privado. Entretanto, elas serão mais sensíveis para os pacientes que poderiam ter tomado uma decisão capaz de salvar sua vida.

O tempo é um fator importante no tratamento do câncer. Alguns tumores são extremamente agressivos, como é o caso do câncer de pulmão, que tem letalidade de 99% para pacientes de qualquer idade sem diagnóstico e tratamentos adequados. No caso da Covid-19, os índices variam entre 6% a 10% nas pessoas acima de 80 anos.

Para os outros tipos de câncer, os cuidados devem seguir os mesmos critérios. Quanto mais cedo diagnosticado o tumor, maiores são as chances de um resultado positivo para o paciente.

No sistema de saúde, os efeitos dos adiamentos serão igualmente danosos. Podemos enfrentar um crescimento na procura por tratamento - cirurgias e quimioterapias - com o risco de encontrarmos os serviços de saúde sem condições de atender essa alta da demanda no futuro.

Por isso, o paciente não deve adiar sua consulta ao médico. A telemedicina, por exemplo, pode reduzir o número de visitas ao especialista contribuindo para diminuir a exposição aos riscos da pandemia. Uma outra boa alternativa vem do sistema de saúde. Os hospitais vêm adotando medidas para reduzir os riscos de contaminação pela Covid-19 separando pacientes desse novo coronavírus dos demais.

Portanto, nesse momento, o maior risco para o paciente é não tratar o câncer. O essencial é procurar um especialista e tirar as dúvidas. Com certeza, ela vai indicar o melhor caminho e ajudar o paciente a superar esse momento tão difícil na vida de qualquer pessoa.

* O autor é médico oncologista, professor da disciplina de oncologia clínica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), da Uninove (Universidade Nove de Julho) e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal)

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