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Terça, 06 Novembro 2018 08:53

Bolsonaro diz que questão sobre dialeto gay no Enem não mede conhecimento

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O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) criticou, nesta segunda-feira (5), uma questão presente na prova de linguagens, códigos e suas tecnologias do Enem (o Exame Nacional do Ensino Médio), aplicada domingo (4) na pri9meira etapa da prova. A questão tratava do pajubá, linguagem utilizada pelas travestis e gays, que traz referências de origem africana. Descrito na prova como um “dialeto secreto”, o pajubá, vindo do iorubá, ganhou espaço como forma de comunicação dentro de um grupo social e assim foi abordado.

"Uma questão de prova que entra na dialética, na linguagem secreta de travesti, não tem nada a ver, não mede conhecimento nenhum. A não ser obrigar para que no futuro a garotada se interesse mais por esse assunto”, disse Bolsonaro em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, da Band.

Na entrevista, o presidente eleito negou a intenção de acabar com o exame, mas afirma que o Enem “não tratará os assuntos dessa forma” e que, em seu governo, não ficará “divagando sobre questões menores”. "Tem que cobrar o que realmente tem a ver com a história e a cultura do Brasil, não com uma questão específica dos LGBT. Parece que há uma supervalorização de quem nasceu assim”, afirmou.

Pelo Twitter, Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente eleito, também opinou. “Aviso que não é requisito para ser ministro da educação saber sobre dicionário de travestis ou feminismo”, ironizou.

Professores aprovam

Considerada como a questão mais polêmica da prova, a pergunta nº 31 do caderno amarelo abordou a linguagem típica entre gays e travestis, fazendo uma relação direta com uma linguagem de matriz africana. Segundo Camila Souza, professora de filosofia e sociologia do Sistema Positivo de Ensino, esses são dois temas que normalmente geram bastante discordância e até rejeição de determinados grupos. “São temas que, dependendo da falta de compreensão da pessoa, ela pode responder baseada em estereótipos e não em conhecimento científico nem na base do texto apresentado para ela”.

Para a professora, a questão foi muito bem elaborada, deixando claro o foco na diferenciação de dialeto enquanto elemento linguístico. A professora de língua portuguesa, Lucienne Lautenschlager, conta que, do ponto de vista técnico, a resposta correta seria aquela que afirma que o Pajubá ganha status de dialeto, “especialmente por ser consolidado por objetos formais de registro”, conforme repercutiu reportagem do jornal Correio Braziliense.

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