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Segunda, 25 Novembro 2019 08:36

Morre soldado do MS que combateu contra o Exército de Hitler Destaque

Escrito por
Manoel Siqueira, no front e em imagem mais recente, em Campo Grande, onde residia Manoel Siqueira, no front e em imagem mais recente, em Campo Grande, onde residia Arquivo Helton Costa

Morreu na noite deste domingo (24), em Campo Grande, o ex-combatente da II Guerra Mundial, como soldado da FEB (Força Expedicionária Brasileira), Manoel Castro Siqueira. Ele integrou o 1° Escalão, designado pelo 6º Regimento de Infantaria, como atirador de morteiros da 5ª Cia. Siqueira nasceu em 29 de julho 1923, na cidade de Amambai. Depois da guerra se estabeleceu em Campo Grande, onde trabalhou nos Correios e residia até então. Ele deixa viúva a esposa Helena, filhos, netos e bisnetos.

O historiador e pesquisador da trajetória de combatentes na II Guerra, professor Helton costa, conviveu parte do tempo com Manoel Siqueira, na produção de artigos e livros sobre a participação brasileira no conflito armado. E conta: “Quando foi convocado, Manoel estava servindo em Ponta Porã. Atravessou o Oceano em meio a enjôos e incertezas. Treinou bastante para se adaptar ao estilo da guerra que estava sendo travada nas terras italianas, sentiu medo nos primeiros ataques e uma adrenalina imensa quando entrou em batalha pela primeira vez. Depois ‘pegou o jeito’ de como aquilo tudo funcionava e ‘tocou’ a guerra nos meses que se passaram”.

Segundo o relato, o risco de morte era constante, porque “pela função que exercia, nos morteiros, os alemães podiam ‘caçá-lo’ para tentar neutralizá-lo (nome bonito para dizer que tentariam matá-lo primeiro). Manoel sofreu quando viu o amigo Sebastião Ribeiro passar em uma maca, pertinho dele, sem vida e ele tendo que avançar sem nem sequer poder dar adeus ao colega de Ponta Porã, morto em combate”.

“Nosso Pracinha saiu em patrulhas, apoiou avanços, ataques, e no final da guerra, com um grande peso na consciência, foi ordenado a atirar contra uma ambulância alemã, enquanto substituía um soldado baixado no hospital, em uma posição de metralhadora ponto cinqüenta. Por sorte dele e azar do motorista alemão, naquele dia a ambulância não levava feridos e sim, armamentos escondidos, como tática para tentar enganar os brasileiros. Foi um alívio quando a ambulância explodiu, cheia de explosivos. Depois ele ficou triste de novo, pelo motorista, mas, era a guerra...”

O jornalista Helton Costa, egresso do curso da Unigran e atualmente coordenador do curso de Jornalismo na Unisecal, no Paraná, conta ainda que Manoel voltou da guerra, teve certa dificuldade para ser reintegrado, “porque nós brasileiros temos o péssimo costume de não valorizar quem realmente merece, dando mais atenção aos ‘ídolos de barro’ que parte da mídia ajuda a construir. Demorou arrumar um bom emprego, ninguém queria contratar ex-combatentes, diziam que eles tinham voltado ‘loucos’ da guerra. Quando uma lei abriu vagas no serviço público, Manoel foi para os Correios. Ficou ali até se aposentar. Viveu uma vida mais tranquila. Sem luxos, mas, tranquila, ao lado de seu único e grande amor, Helena”.

Com a colaboração de Helton Costa, Jornalista, Doutor em Comunicação, autor dos livros “Confissões do Front: soldados do Mato Grosso do Sul na II Guerra” e “Crônicas de sangue: jornalistas brasileiros na II Guerra Mundial”.

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