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Campo Grande

Menina de 13 anos que conheceu homem em jogo on-line e fugiu é filha de vítima de feminicídio

De acordo com uma tia da adolescente, a mãe da vítima foi assassinada em 2011 e a jovem ficou sob os cuidados da avó paterna, que mora em Campo Grande (MS).

05 maio 2022 - 13h21Por g1

A menina de 13 anos que fugiu com um homem de 25 anos após conhecê-lo em um jogo on-line perdeu a mãe em 2011 vítima de feminicídio. Segundo a tia da jovem, a adolescente está sob os cuidados da avó paterna, que não sabia que a neta mantinha contato com pessoas de outros estados.

De acordo com as autoridades policiais, a menina já retornou para Campo Grande (MS) e está prestando depoimento.

“A mãe dela morreu em um feminicídio. Ela não tem mãe e o pai mora em Florianópolis, quem tem a guarda dela é a avó paterna. Não sei o que aconteceu pra ela fazer isso, não tivemos briga, ela não apanhou, não aconteceu nada. Ela estava ótima”, disse.

A adolescente desapareceu na quinta-feira (28), após sair para ir para a escola. Ela foi localizada na quarta-feira (4), em Cascavel (PR), a 633 km de Campo Grande. O caso é investigado pela Delegacia Especializada na Proteção da Criança e Adolescente (DEPCA) em Campo Grande.

A tia da adolescente relatou que mãe da jovem foi assassinada em 2011. A adolescente, foi acompanhada por uma psicóloga, precisou usar medicamentos controlados por um tempo, pois se automutilava. Ela e a caçula foram acolhidas pelas avós materna e paterna.

Segundo a tia, a menina enfrentou muitas dificuldades para lidar com o sentimento da perda.

“Ela tinha seis anos quando a mãe morreu e precisou de um tratamento, apoio psicológico, terapia, e até tomou remédio psiquiátrico. Sempre falava para ela ‘ninguém vai substituir a sua mãe, ela é única’. Dava essa liberdade para ela”, esclarece.

O maior receio da tia é que o assassino pudesse fazer algo contra a família. “Eu até cogitei que o cara [que ela conheceu no jogo on-line] estava a mando desse assassino que matou a mãe dela, mas ele está preso, pegou 30 anos de prisão”, relembra.

Em depoimento na delegacia de Cascavel, o homem confessou que manteve relações sexuais com a adolescente. Conforme a Polícia Civil, ele deve responder, no Paraná, pelo crime de estupro de vulnerável.

Adolescente foi encaminhada para delegacia em Cascavel.  Foto: Reprodução/PoliciaCivil

Adolescente foi encaminhada para delegacia em Cascavel. — Foto: Reprodução/PoliciaCivil

‘Oi, vó, eu estou bem’

Conforme apurado pela reportagem, a jovem usava o celular da avó para manter contato com o suspeito de estupro. A tia da adolescente relatou que a vítima não tinha computador, nem celular. “A minha mãe nem deixava o celular 24h com ela. O celular que ela jogava é o da minha mãe”, apontou.

Antes de ser localizada em Cascavel, a adolescente chegou a ligar para a avó, no domingo (30). A tia, que estava presente no momento da ligação, relata que a menina estava com voz de choro, mas tranquilizou a família: “ela é muito emotiva, não sei se chorou de saudade ou de remorso”, relata a tia.

Homem percorreu mais de 600km de Campo Grande até Cascavel com a menina.  Foto: Reprodução

Homem percorreu mais de 600km de Campo Grande até Cascavel com a menina. — Foto: Reprodução

“Ela disse: ‘oi, vó, eu estou bem’ ; e quando a minha mãe perguntou onde ela estava ela disse que não podia falar. A gente salvou o número que ela ligou e eu mandei para a polícia”, relembra a mulher.

Desaparecimento

A tia narra que no dia do desaparecimento, a adolescente apresentava comportamento normal, exceto por um detalhe. Por volta das 5h da manhã de quinta-feira (28), ela pegou um ônibus com a avó, rumo ao centro da capital, onde a idosa trabalha.

Como de costume, a adolescente permaneceu no local de trabalho da avó durante a manhã e fez a tarefa escolar. Até que às 12h50 estava pronta para ir ao colégio.

“Ela arrumou a mochila e a minha mãe sempre olha a mochila dela e percebeu que a mochila estava macia. Quando ela abriu, viu que tinha roupa. A minha mãe tirou a roupa e perguntou para ela o porquê ela tava lavando roupa para a escola. Ela disse que tinha confundido e levado as roupas, deu uma desculpinha qualquer”, cita a tia.

Após o desaparecimento, a família repercutiu o ocorrido. “Eu falei para a minha mãe que ela nem deveria ter deixado ela ir para a escola naquele dia, mas a minha mãe disse que não desconfiou que ela iria fazer uma coisa dessa”, diz a mulher.

Às 17h, a avó estava em frente ao colégio da neta, mas a adolescente não passou pelo portão para encontrá-la. "Minha mãe entrou e a coordenadora disse que ela não tinha ido. [...] A gente já foi fazer um boletim de ocorrência depois”, completa a tia.