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Paulo Roberto Costa diz não ter dinheiro para ir a audiência no Paraná

16 fevereiro 2017 - 14h36Por Adriana Justi e Fernando Castro

A defesa do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que cumpre pena em regime aberto, solicitou ao juiz Sérgio Moro para que a audiência da Lava Jato em que seu cliente será testemunha, em Curitiba, seja feita através de videoconferência pelo Rio de Janeiro. A audiência está marcada para o dia 9 de março.

Costa deve depor como testemunha de acusação em um processo contra o ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral que tramita na Justiça Federal do Paraná. O ex-diretor da petrolífera é delator da Operação Lava Jato e, nesta condição, é obrigado a comparecer às audiências e responder às perguntas.

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De acordo com os advogados, Costa não pode mais arcar com as passagens para a capital paranaense porque se encontra em grave dificuldade financeira, e com contas ainda bloqueadas.

"Ocorre que o comparecimento do requerente, que muitas vezes já se deslocou até Curitiba, geraria um grande dispêndio em virtude dos altos valores das passagens aéreas, não tendo, o requerente, hoje condições de arcar com essas despesas, em virtude da grave dificuldade econômica em que toda a família se encontra, somando ainda o fato, de suas contas bancárias ainda encontrarem-se bloqueadas", declararam os advogados.

O pedido foi protocolado no sistema eletrônico da Justiça Federal do Paraná na tarde de quarta-feira (15). Até a manhã desta quinta (16), o juiz não tinha se posicionado sobre o assunto.

O ex-diretor da estatal foi condenado em vários processos da Operação Lava Jato por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Investigações

Paulo Roberto Costa foi preso junto em março de 2014, quando a Operação Lava Jato foi deflagrada. Dias depois, conseguiu um habeas corpus da Justiça, mas voltou a ser preso.

Após dois meses na prisão, decidiu colaborar com as investigações e detalhou como funcionava o esquema.
Foi a partir dos depoimentos dele que os policiais desvendaram como funcionava a distribuição de recursos desviados da Petrobras.

Empreiteiras que mantinham contratos com a estatal superfaturavam os valores dos serviços que prestavam, por meio de contratos aditivos às obras.

Parte dos valores do superfaturamento era usado para pagar propina a diretores da Petrobras e também para abastecer o caixa de partidos políticos, no caso o PT, PMDB e PP.

Costa virou diretor da Petrobras em 2004, por indicação do ex-deputado federal José Janene, que morreu em 2010. Ele permaneceu no cargo até 2012, quando pediu demissão e abriu a empresa de consultoria.

Janene foi eleito pelo PP do Paraná e também esteve envolvido no escândalo do mensalão. Como revelaria mais tarde o doleiro Alberto Youssef, teria partido de Janene a ideia de usar a estrutura da Petrobras para arrecadar dinheiro para pagar a base aliada do governo na Câmara dos Deputados e no Senado, em troca da aprovação de projetos estratégicos para o governo federal.