Menu
Buscarquinta, 18 de abril de 2024
(67) 99913-8196
Dourados
17°C
Esportes

Clubes 'ignoram' regra da Fifa e recolocam Justica no futebol

04 março 2011 - 11h12Por Redação Douranews, com Folha Esportes

A recente novela envolvendo o título brasileiro de 1987 e o destino da Taça das Bolinhas reabriu a discussão sobre a interferência da Justiça Comum no futebol.

Expressamente proibido no estatuto da Fifa publicado no site da entidade, com última atualização em agosto de 2010, o uso do que ela chama de "cortes ordinárias" para temas esportivos é o que está acontecendo no momento com São Paulo, Flamengo e Sport, cada um utilizando a estrutura judiciária de seu respectivo Estado de origem.

O trio não lançou mão nem mesmo da figura do "laranja", caso em que o interessado prefere não ser identificado como autor do processo.

Todos entraram de maneira direta, aparecendo seus próprios nomes no polo ativo de cada ação.

"Vejo uma ilegalidade flagrante e um desrespeito absoluto. Não só à entidade máxima do desporto, como também à Carta Magna do Brasil", diz o diretor jurídico do Flamengo, Rafael de Piro.

Segundo o artigo 217 da Constituição Federal, a Justiça Comum apenas admitirá ações envolvendo o esporte após esgotarem-se as instâncias desta área _situação semelhante ao que fala o regulamento da Fifa.

Para o flamenguista, porém, a situação se encaixa exatamente à conduta do Sport, adversário da equipe carioca na disputa por 87.

"Só fomos ao Judiciário porque entregaram a Taça das Bolinhas ao São Paulo, mas não para discutir título de campeonato de futebol", alega. Os paulistas duelam com o Fla pelo status de primeiro pentacampeão nacional desde a criação do troféu.

Diretor jurídico do São Paulo, Kalil Rocha Abdalla afirma se tratar de uma exceção à regra da Fifa. "Já houve uma briga judicial anterior". Apesar disso, põe a culpa no rival: "Veja bem, não fomos nós que começamos. O Flamengo entrou com uma ação contra o clube devido à Taça das Bolinhas. Por esse motivo, entramos aqui [em SP] e o Sport lá em Pernambuco".

Já o responsável pelo jurídico do rubro-negro do Recife, Arnaldo Barros, diz que só está buscando o seu direito. "O que o Sport fez foi tomar as medidas necessárias para cumprir o que já estava decidido [o time como único campeão de 87]", argumenta.

"Essa nova portaria da CBF [divisão do título com o Fla] é que é uma afronta à lei", completa ele, fazendo questão de destacar que todos os trâmites esportivos sobre a questão já foram percorridos 24 anos atrás.

Na época, o extinto CND (Conselho Nacional dos Desportos) proclamou o Flamengo campeão. Mesmo assim, o Sport acionou o Poder Judiciário.