Maquiavel e o "Pé Direito" de 2026
Esse é o meu Brasil! Onde até um par de sandálias de borracha consegue realizar o milagre da transubstanciação política. Quem diria que Fernanda Torres, ao sugerir, em mais uma apresentação quase cênica, fosse a 'comunista' escolhida para sugerir que não entremos em 2026 com o “pé direito”. Sem saber - ou já sabendo? - estaria ela na verdade citando as notas de rodapé mais sombrias de O Príncipe.
Maquiavel deve estar dando piruetas no túmulo (provavelmente calçando o modelo tradicional, aquele azul e branco). O mestre florentino ensinou que "dividir para reinar" é a regra de ouro, mas os caciques do bolsonarismo, entre eles os nossos expoentes, o casal Rodolfo (federal) e Gianni Nogueira (a vice-prefeita) elevaram isso a um nível de pós-graduação tsunâmica.
Quando o país ensaiava uma união morna, uma espécie de paz de espírito de fim de ano, até porque às vésperas de um Natal de ano confuso e tumultuado pela revanchista tese do 'nós contra eles', bordão sempre requentado pela ala lulocaquética, liderada talvez pela quase senilidade do próprio, eis que surge o grande vilão: a 'comunista' Havaianas com esse 'maldoso' trocadilho publicitário.
Para a ala "bolsonarista-sionista", traduzindo assim aos mais raivosos, não se trata de um roteiro de marketing sobre "entrar com os dois pés na porta"; é um código de guerra, um sinal de fumaça globalista emitido diretamente dos estúdios da TV Globo para sabotar a marcha da direita rumo a 2026.
É, em resumo, a aplicação prática do manual maquiavélico: pegue um símbolo de união nacional (o chinelo que "todo mundo usa") e transforme-o em um campo de batalha. Se o Príncipe buscava esse mote para manter o Estado, os novos príncipes do Zap-Zap buscam a indignação para manter o engajamento.
A estratégia é brilhante (hahaha): em vez de discutir projetos, discutimos se a Havaiana é comunista. Dividir para reinar? No Brasil de 2025, a ordem é "separar o par". Enquanto você se preocupa se o pé direito de Fernanda Torres é um manifesto ideológico, o tabuleiro para 2026 está sendo montado sobre as cinzas de qualquer tentativa de diálogo. Um jabuti aqui, outro ali e sigamos...
Maquiavel avisou: ao povo basta não ser oprimido. Mas no Brasil, ao povo basta ter um motivo para queimar um chinelo no Instagram. E assim, entre o "pé na jaca" e o "pé na porta", o país segue exatamente onde os estrategistas da divisão querem: descalço de lógica, mas devidamente calçado de ódio.
Feliz 2026!
(Ah, e quem puder, melhor entrar o ano saltitando, com os dois pés... Assim a gente evita de ser o primeiro a puxar o gatilho)