Tribunal mantém presos irmãos Razuk em Dourados
Apontado como líder, deputado Neno continua solto
A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve, por unanimidade, a prisão de investigados na quarta fase da Operação Sucessione, do Gaeco (o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), realizada em Dourados. Os desembargadores seguiram o relator Jonas Hass Silva e negaram liberdade a Rafael e Jorge Razuk, irmãos do deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL). A dupla permanece presa na PED, a Penitenciária Estaduall de Dourados.
A decisão também atinge Rhiad Abdulahad, filho do empresário José Eduardo Abdulahad, investigado na primeira fase da Operação Sucessione, e Marco Aurélio Horta, chefe de gabinete do deputado estadual Neno Razuk. No total, 20 pessoas foram presas em novembro do ano passado.
Segundo a denúncia, eles estão ligados à prática dos crimes de organização criminosa, roubos, corrupção passiva e ativa, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e contravenção penal de estabelecimento e exploração de jogos azar, bem como de outras infrações correlatas, fundamentando nas investigações e elementos de prova que evidenciaram a atuação de cada um.
O Gaeco afirma que exite uma “organização criminosa” liderada pelo deputado Neno Razuk, cuja família é conhecida há décadas pela exploração ilegal do jogo do bicho, ilícito agravado pela prática de crimes de toda ordem, entre os quais assaltos a mão armada e lavagem de dinheiro, objetivando ocupar o vácuo deixado com o desmantelamento da organização liderada por Jamil Name Filho na capital do Estado.
Na denúncia, o Gaeco ressalta que a organização criminosa, comandada por Neno, efetuou ao menos três assaltos contra os chamados “recolhes” [motociclistas responsáveis pela arrecadação diária dos valores provenientes do jogo do bicho] em diversos pontos onde atuam, executados a mão armada, em outubro de 2023, à luz do dia, "contando com aparato especial para a investida, tais como, uso de pistolas, mais de um veículo, concurso de agentes etc., em circunstâncias típicas do agir de uma organização criminosa estruturada e violenta, o que chamou a atenção das autoridades, que iniciaram as investigações que culminaram no ajuizamento de ação penal"
O MPE afirma que os crimes e contravenções não se consubstanciam em um fato isolado, posto serem de conhecimento público e notório o envolvimento do grupo familiar nessas infrações.
No pedido de prisão, o Gaeco detalhou a participação de todos os 20 que tiveram mandados de prisão expedido pela justiça. Neno Razuk, inclusive, foi denunciado como líder principal na “Operação Successione”, e a quem se atribui o controle operacional das atividades da organização criminosa.