HU

Intérprete Guarani aumenta cuidado com pacientes indígenas

Acolhimento e tratamento humanizado fazem a diferença

1 MAR 2026 • POR Redação Douranews, com Assessoria • 10h22
Intérpretes qualificam acolhimento a paciente indígena - Divulgação

O Comitê de Saúde Indígena (o CSIN) do HU (Hospital Universitário) da UFGD, vinculado à Ebserh (a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), divulgou o relatório de atendimentos realizados pelos intérpretes da lingua Guarani que atuam na instituição. O documento evidencia o fortalecimento da mediação linguística e cultura como estratégia para a qualificação do cuidado a pacientes indígenas no âmbito do SUS, o Sistema Único de Saúde. 
 
De acordo com o Relatório de Monitoramento do Comitê, entre março e outubro de 2025, mais de 2 mil atendimentos foram mediados por intérpretes Guarani no HU. Cerca de 70% desses atendimentos envolveram pacientes da etnia Guarani Kaiowá. Os dados mostram, ainda, um crescimento expressivo da demanda no segundo semestre do ano, com destaque para os meses de julho (238 atendimentos), agosto (324 atendimentos) e setembro (322 atendimentos). 

Segundo o superintendente do HU, Hermeto Macario Amin Paschoalick, o trabalho dos intérpretes vai muito além da tradução literal. “São indígenas que vivem nas aldeias de Dourados. Tornam-se, portanto, mais do que tradutores, realizando uma verdadeira mediação cultural durante o período de internação no hospital”, destaca. 

Essa mediação tem reflexos diretos na reorganização das práticas assistenciais. “Os intérpretes participam ativamente das ações do Comitê de Saúde Indígena, trazendo a perspectiva de quem vive essa realidade. Isso nos permite repensar processos e construir formas de cuidado realmente individualizadas e personalizadas”, afirma o superintendente. 

Atuação multiprofissional 

O relatório do CSIN aponta que os atendimentos mediados por intérpretes foram solicitados por diferentes categorias profissionais do HU-UFGD. A maior parte das solicitações ocorreu por demanda livre, com 1.256 registros. Na sequência, aparecem enfermagem (115), psicologia (69), recepção (55) e área médica (40).   

A atuação dos intérpretes se estende por setores estratégicos do hospital, como a Maternidade, com 207 atendimentos, o alojamento conjunto (126), a Pediatria (122), a UTI Neonatal (117), a UTI Pediátrica (115), a recepção de internação (105), entre outros. 

O perfil etário dos pacientes atendidos demonstra que o serviço alcança diferentes faixas etárias da população indígena, com maior concentração na faixa de 20 a 29 anos. Entre os pacientes atendidos, predominam as etnias Guarani Kaiowá, seguidas por Guarani Ñandeva e Terena. 

Para Hermeto Paschoalick, o monitoramento desses dados amplia a compreensão sobre o papel do hospital no cuidado integral.

“Essas informações nos ajudam a entender a importância da relação entre o cuidado hospitalar e o cuidado realizado em território. Isso reforça a necessidade de fortalecer a articulação com a atenção primária e garantir continuidade do cuidado após a alta”, explica.

Novas iniciativas 

Além dos resultados já alcançados, o HU avança em novas iniciativas voltadas à saúde indígena. Uma delas é a construção de uma casa de reza indígena dentro do hospital, espaço destinado à realização de cuidados tradicionais e espirituais, respeitando as práticas culturais dos povos originários. 

Outra ação é o fortalecimento da formação de especialistas em 2026. “Iniciamos recentemente o programa de residência multiprofissional em Gestão da Saúde Indígena, somando forças à residência multiprofissional em Saúde Indígena, com foco no fortalecimento do cuidado em território, principal local de atuação dos nossos residentes”, ressalta Paschoalick.