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Servidor da Agepen ajudava facção criminosa

Operação desmantela esquema de organização na Capital

11 MAR 2026 • POR Assessoria • 09h33
Objeto arremessado sobre o muro é investigado em presídio - Gaeco

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (11), por intermédio do Gaeco, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, a Operação “Pombo Sem Asas”, com o objetivo de desmantelar o núcleo de facção criminosa de âmbito nacional que atua no Estado, notadamente em unidades prisionais da Capital, voltado para a prática de crimes de tráfico de drogas e que se valia da corrupção ativa de servidor público para o alcance de seus objetivos.

A investigação, iniciada a partir do compartilhamento de provas obtidas em apuração anterior que levou à exclusão de um policial militar pela prática de corrupção, revelou um esquema estruturado para garantir a entrada de entorpecentes e aparelhos celulares no complexo penitenciário de Campo Grande mediante o pagamento de propina. O servidor, então responsável pela vigilância externa através das torres do presídio da Capital, recebia vantagens financeiras indevidas de internos e familiares, integrantes de facção criminosa, para permitir o arremesso de pacotes contendo drogas e celulares por cima dos muros da unidade.

O trabalho investigativo demonstrou que detentos coordenavam a logística externa dos arremessos de objetos ilícitos, executados por membros da organização criminosa que estavam em liberdade. O grupo também utilizava contas bancárias próprias e de terceiros para movimentar valores do tráfico e realizar o pagamento de subornos, visando à manutenção das comunicações com o meio externo e ao fortalecimento da facção no Estado. Além dessa atuação, a rede criminosa articulava, ainda, o envio de entorpecentes para outras unidades da federação.

A operação cumpre 35 mandados judiciais de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão domiciliar, na cidade de Campo Grande e nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Norte. A investigação contou com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Estado e da Gerência de Inteligência Penitenciária da Agepen. As diligências contam com o apoio operacional da Polícia Militar, por meio de equipes do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Especiais e das Forças Táticas do 1º Batalhão de Polícia Militar e da 5ª Companhia Independente de Polícia Militar.

O nome da operação – “Pombo Sem Asas” – faz alusão ao termo utilizado pelos próprios criminosos para nominar os pacotes contendo drogas e celulares lançados para o interior do presídio (“pombos”), seja por simples arremessos manuais, seja com a utilização de drones, e à ação do Estado em interromper esse fluxo, neutralizando a logística de comunicação e o abastecimento de materiais ilícitos para a organização criminosa.