Avanço da chikungunya mobiliza Estado e União
Autoridades reforçam ações diante de pandemia nas aldeias
Coletiva na Câmara detalha avanço da chikungunya e reforça medidas emergenciais em Dourados
Autoridades destacam avanço da doença e cobram mobilização coletiva após decreto de emergência no município
A Câmara Municipal de Dourados sediou, neste sábado (21), uma coletiva de imprensa para apresentar a atualização das ações de enfrentamento à pandemia de chikungunya no município. O encontro foi realizado no Plenarinho da Casa de Leis e reuniu autoridades municipais e estaduais com dirigentes de organismos federais da área da saúde que monitoram a situação crítica que envolve, especialmente, comunidades das aldeias Bororó e Jaguapiru, na Reserva Indígena de Dourados.
Participaram da coletiva o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo; a coordenadora estadual de Vigilância Epidemiológica, Daniele Tebet; a secretária-adjunta da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, Lucinha Tremembé; o diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stábeli; o médico e chefe de gabinete da presidência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rivaldo Venâncio da Cunha; e a presidente da Câmara, Liandra Brambilla, acompanhada dos vereadores Isa Marcondes, Sargento Prates e Alex Cadeirante.
Durante a agenda, foi apresentado um panorama atualizado da situação epidemiológica, bem como as medidas já adotadas e os próximos encaminhamentos após a publicação do decreto de emergência em saúde pública pelo prefeito Marçal Filho.
De acordo com os dados mais recentes da Vigilância Epidemiológica, Dourados registra 1.099 casos notificados de chikungunya, sendo 546 confirmados e 380 ainda em investigação. Até o momento, foram confirmados quatro óbitos causados pela doença, todos entre a população indígena, incluindo idosos e uma criança de três meses.
Confira dados atualizados do último boletim:
No território indígena, o monitoramento aponta 909 casos prováveis e mais de mil notificações, evidenciando a rápida disseminação do vírus. A coordenadora estadual de Vigilância Epidemiológica, Daniele Tebet, ressaltou que o Governo do Estado acompanha a situação desde os primeiros registros da doença no município.
“Desde o início estamos monitorando de perto a situação, especialmente nas reservas indígenas. De forma imediata, deslocamos nossas equipes para Dourados, com o objetivo de garantir uma resposta mais rápida e assertiva. Observamos que a concentração dos casos não está apenas nas aldeias, mas também na área urbana, o que exige atenção redobrada de toda a população. É fundamental que todos estejam em alerta e participem desse enfrentamento”, destacou.
O diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stábeli, reforçou a importância da atuação direta da população no combate ao mosquito Aedes aegipty, o transmissor dessas doenças. Além da chikungunya, casos de dengue também são acompanhados.
“O enfrentamento à chikungunya passa, necessariamente, pelo cuidado dentro das casas. A eliminação de água parada em quintais, terrenos e recipientes é uma das medidas mais eficazes para interromper a cadeia de transmissão. Precisamos do engajamento de toda a população para reduzir os focos do mosquito e proteger vidas”, alertou.
Diferença
Já o médico e chefe de gabinete da presidência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio da Cunha, chamou a atenção para as diferenças entre dengue e chikungunya, além dos grupos mais vulneráveis.
“A chikungunya tem como principal característica dores articulares intensas e persistentes, que podem evoluir para quadros crônicos. Diferentemente da dengue, ela tende a causar maior impacto na qualidade de vida dos pacientes. É fundamental atenção especial aos grupos de risco, como idosos, gestantes e crianças, que podem apresentar complicações mais graves”, explicou.
O secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, agradeceu o apoio das instituições e reforçou a importância do trabalho coletivo.
“Esse é um momento de união. O fortalecimento do enfrentamento à chikungunya depende da atuação conjunta entre os entes públicos, instituições e, principalmente, da colaboração da população. Cada ação conta para reduzir o avanço da doença em nosso município”, destacou.
Prevenção e combate ao mosquito
As autoridades reforçaram que a principal forma de conter o avanço da chikungunya é eliminar os criadouros do mosquito Aedes aegypti. Medidas simples, como evitar o acúmulo de água parada em recipientes, manter caixas d’água fechadas, limpar calhas e descartar corretamente materiais inservíveis, são fundamentais para reduzir a proliferação do vetor.
A orientação também é para que, diante de sintomas como febre alta, dores intensas no corpo e nas articulações, a população procure imediatamente atendimento nas unidades de saúde.