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Prefeitura 'ataca' sujeira da Reserva Indígena

Prefeitura reforça decreto de situação emergencial na cidade

20 ABR 2026 • POR Redação Douranews • 16h58
Recipiente plástico com água parada é retirado por agente - Divulgação

A Prefeitura de Dourados iniciou nesta segunda-feira (20), em pleno ponto facultativo do feriado de Tiradentes, o mutirão de limpeza na Reserva Indígena, com foco estratégico na luta contra a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da Dengue, da Zica e da Chikungunya. 

Também nesta segunda o prefeito Marçal Filho editou o Decreto número 638, declarando situação de calamidade em saúde pública no município em razão da severa epidemia, com colapso da rede assistencial. No dia 20 de março, o prefeito Marçal Filho já havia editado o Decreto número 587, declarando situação de emergência da saúde pública do município. Logo depois, no dia 27 de março, o prefeito editou o Decreto número 608/2026, declarando situação de emergência em Defesa Civil nas áreas afetadas pela epidemia de Chikungunya

Logo nas primeiras horas da manhã, as ações foram iniciadas na Aldeia Bororó, em uma grande força-tarefa que conta com a colaboração da Defesa Civil (estadual e municipal), Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), Secretaria Municipal de Saúde (Sems), Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), além dos Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) e da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai).

Com mais de 6 mil notificações e quase 5.000 casos prováveis de Chikungunya, superando a marca de 2.000 casos confirmados e o registro de oito óbitos por complicações da doença, Dourados teve sua situação de emergência reconhecida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). O órgão federal aprovou um aporte, via Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), no valor de R$ 974,1 mil para ações contra a epidemia. Diante do cenário, o município executou uma dispensa de licitação de caráter emergencial e conduz as frentes de trabalho com o suporte logístico das empresas Litucera e Financial para a retirada ágil dos resíduos sólidos espalhados pelas aldeias Bororó e Jaguapiru.

Pelo período de quinze dias, as equipes atuarão com o reforço de caminhões, pás carregadeiras, entre outros equipamentos pesados, para garantir a retirada e a destinação correta de entulhos. O foco principal é a Reserva Indígena, que atualmente concentra o maior número de casos da doença, estendendo-se também aos bairros da área urbana. Nesta segunda-feira, por exemplo, as equipes também operaram de forma simultânea no Jardim Colibri.

Conforme o secretário-adjunto de Serviços Urbanos, Ângelo Augusto Gomes dos Santos, o mutirão busca sensibilizar a população sobre a necessidade urgente de eliminar objetos dos quintais que possam servir de criadouro para o mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. A ação visa, ainda, a remoção de resíduos de grande porte, seguindo o direcionamento do prefeito Marçal Filho de priorizar a saúde coletiva e salvar vidas.

As equipes estão em guerra contra o mosquito. “Estamos trabalhando ‘casa a casa’, conversando com a população nessa guerra ao mosquito. Estamos levando orientações e pedindo para que, se houver itens maiores a serem descartados, como eletrodomésticos inservíveis, que os moradores coloquem para fora, pois os caminhões vão fazer a retirada nos próximos dias”, explicou o secretário-adjunto.

O coordenador da Defesa Civil municipal, Johnes Aniceto Santana, destacou que o trabalho integrado não visa apenas a limpeza física dos espaços, mas a garantia de mais qualidade de vida e segurança sanitária para as famílias afetadas. “Juntamente com as equipes estaduais, temos orientado quanto aos cuidados com as caixas d’água. Quando necessário, fazemos a troca da água, a inserção de larvicida, a colocação de telas de proteção e até mesmo a substituição da caixa d’água danificada”, pontuou.

Complicações

Além das internações por complicação da Chikungunya, o prefeito levou em consideração o agravamento do cenário de saúde pública pela demanda extraordinária decorrente de outras enfermidades, notadamente a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que pressiona simultaneamente o sistema público. O Decreto de Situação de Calamidade em Saúde Pública no Município de Dourados tem validade de 90 dias.

A situação de calamidade em saúde pública ficou caracterizada em razão do aumento expressivo do número de casos suspeitos, prováveis e confirmados de Chikungunya;  da ocorrência de hospitalizações e internações as quais extrapolam a capacidade instalada; da ocorrência de óbitos associados à doença; da expansão da transmissão para além do território indígena, com impacto assistencial sobre o território municipal; do crescimento da demanda por atendimento nas Unidades Básicas de Saúde, nos serviços de urgência e na rede hospitalar; da saturação ou risco de saturação da capacidade instalada de leitos e demais recursos assistenciais do município; da necessidade de adoção de medidas imediatas de vigilância, assistência, regulação, controle vetorial e mobilização da rede regional de saúde.