Maio Amarelo é a esperança de nova mentalidade
Fluxo desordenado e excesso de velocidade contribuem para aumento de acidentes
Acidentes de trânsito envolvendo motociclistas marcaram a segunda quinzena do mês em Dourados e acenderam, novamente, sinal de alerta em relação aos cuidados que se espera sejam adotados pelas autoridades investidas em cargos de gestão, principalmente quando o assunto é recorrente em períodos de debate eleitoral e caem no esquecimento imediatamente após.
Às vésperas de mais um Maio Amarelo, mês em que, por resolução nacional, as autoridades de trânsito intensificam a pauta da prevenção e das campanhas educativas para tentar frear essa onda, outro alerta toma conta: a flexibilização das exigências para se obter o registro de motorista oficial ajuda ou atrapalha?
Para o Contran (Conselho Nacional de Trânsito), a mudança nas regras para obter a CNH reduz a burocratização e vai aumentar a inclusão produtiva, reduzindo custos para o cidadão, sem necessariamente comprometer a segurança, focando a avaliação no resultado técnico final e não apenas na carga horária de aprendizado.
A opinião do agente de trânsito José Carlos Torraca Luiz, entretanto, como encarregado de uma equipe que cuida da segurança viária junto ao Detran (Departamento Estadual de Trânsito de MS) em Dourados, é que as regras didáticas e o ensinamento prático não podem ser ignoradas por quem está no trânsito.
“Na maioria das vezes o excesso de velocidade, a falta de atenção e a desobediência à sinalização, como muitos avanços de parada obrigatória e a ocorrência de acidentes justamente embaixo do semáforo, são fatores que somam para o aumento de acidentes”, diz ele.
Torraca lembra, por exemplo, os casos mais recentes ocorridos no Município. “Em um cruzamento sinalizado alguém avançou a preferencial, a moto não tem carcaça, é um veículo de menor visibilidade, o motorista de carro às vezes não vê a moto por questão de que algumas aí estão sem a lâmpada de farol, sem a lanterna traseira, sem nada, aí o outro motorista não vê o motociclista, se coloca numa posição de risco, no ponto cego, pronto...”
Nessa situação, é preciso avaliar ainda um conjunto de fatores, como a falta de preparo do motociclista pra tirar a habilitação. "Ele vai na pista, faz uns oito contornos, uns zerinhos, e já põe o pé no acelerador, como se fosse igual andar de bicicleta, mas o trânsito na rua possui regras de sinalização, há uma disputa de espaço com outros veículos, inclusive, com esses novos veículos propulsores de velocidade que se comportam como se fossem bicicletas".
“Isso tudo leva, em consequência, à lotação dos hospitais, perca de mobilidade e qualidade de vida, afastamento do mercado de trabalho, compromete a família, perca de capacidade produtiva e quem perde mais é o cidadão, a sociedade”, diagnostica o agente de trânsito.
Maio Amarelo
O agente Torraca é um dos cinco representantes do Estado designados pelo Observatório Nacional do Sistema Viário para coordenar o Movimento Maio Amarelo, engajado no cumprimento de ações pela segurança viária, que visam, ao mesmo tempo, promover a mudança de comportamento na comunidade, mobilizando e apoiando iniciativas em prol de um trânsito mais seguro e humano.