superlotação

Estudo indica PED entre piores presídios do Brasil

Dados do Cinep apontam dificuldades para manutenção

4 MAI 2026 • POR Redação Douranews • 08h57
Superlotação aumenta clima de instabilidade na PED - Douranews

Mato Grosso do Sul tem três presídios entre os mais superlotados do Brasil, aponta o Cinep (Cadastro Nacional de Inspeções em Estabelecimentos Penais), divulgados pelo Portal Geopresídios, indicando que o principal problema é a superlotação das unidades prisionais.

A Penitenciária Estadual de Dourados também enfrenta superlotação e está na lista nacional dos piores presídios. Atualmente, são 1.700 presos ocupando espaço adequado para 700. A população carcerária está 240% acima da capacidade.

A taxa passa de 300% da capacidade na Penitenciária de Segurança Máxima de Naviraí. Conforme a pesquisa, a unidade tem capacidade para 254 presos, no entanto, a população carcerária é de 775, o que representa 301,5% a mais do potencial.

A superlotação também foi registrada em outras duas unidades localizadas no sul do Estado. No estabelecimento Penal de Japorã, são 50 vagas para um população carcerária de 130 presos, 260% a mais que a capacidade total.

Para a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) os dados informados no levantamento não estão atualizados. Segundo a Agepen, a capacidade na Penitenciária Estadual de Dourados e na Penitenciária de Segurança Máxima de Naviraí são superiores às informadas pelo Portal Geopresídios. No entanto, o número atualizado não foi informado, conforme repercute o site midiamax.

A Agepen ressalta o plano de expansão da infraestrutura prisional, que prevê a construção de quatro novas unidades masculinas de regime fechado, o que possibilita 1.632 novas vagas. Dessas quatro unidades, três estão em processo de licitação.

Entre as principais ações do Estado para reduzir a superlotação, a Agepen destaca a criação de 186 vagas no interior e 136 na Capital, além da ampliação programada com outras 64 vagas.

Prisões por tráfico

De acordo com a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário, o alto índice de ocupação no sistema prisional de Mato Grosso do Sul está diretamente relacionado ao número de prisões por tráfico de entorpecentes. Cerca de 35% dos detentos cumprem pena por esse crime.

Em nota, a Agepen justifica que a localização geográfica do Estado — que faz fronteira com o Paraguai e a Bolívia — contribui para o alto índice de prisões por tráfico de drogas. Mato Grosso do Sul tem 1.500 quilômetros de fronteira com países vizinhos; por isso, as estradas são as principais rotas utilizadas por organizações criminosas.

Apenas no primeiro trimestre de 2026 foram apreendidos 94.887,61 quilos de entorpecentes, de acordo com os dados da Agência.