Douradense "Paty", animação brasileira de horror, estreia em festivais internacionais
A animação de horror “Paty”, novo curta da cineasta sul-mato-grossense Maria Luiza Staut, começou sua trajetória em festivais nacionais e internacionais apostando em uma combinação de body horror, atmosfera sombria e violência psicológica. O filme acompanha uma mulher encurralada durante a noite em um ponto de ônibus, até que uma palhaça misteriosa decide intervir na situação de forma brutal e inesperada. Desenvolvido de maneira totalmente independente, o projeto teve toda sua animação 2D, cenários, design de som e direção visual criados pela própria realizadora.
A produção terá exibição internacional no 4º GASP! Horror Film Festival, em Manchester, na Inglaterra, onde integra a mostra “Women in Horror”, ao lado de curtas do Irã, Austrália, México, Canadá e Reino Unido. No Brasil, “Paty” estreia na mostra “Adjetivo Terror”, dentro da programação do FITZ – Festival Inovador Talvez de Cinema, realizado em Imperatriz, no Maranhão. A curadoria do festival britânico descreveu o curta como “um horror corporal brilhantemente repulsivo”, enquanto o FITZ destacou a capacidade do filme de provocar inquietação e conexão com o público.
Douradense
Formada em Cinema pela UFF e mestre em Cinema e Artes do Vídeo pela Unespar, Maria Luiza Staut pesquisa horror brasileiro dirigido por mulheres e atualmente desenvolve estudos sobre monstruosidade feminina na literatura latino-americana. A cineasta é filha do atleta de basquetebol e árbitro esportivo em Dourados, José Ormezindo de Oliveira, o ‘Bedeu’.
Entre as referências assumidas por Maria Luiza Staut estão a série animada “Hotel Hazbin”, o longa “A Pequena Loja de Suicídios” e personagens do horror contemporâneo como Art, the Clown, da franquia “Terrifier”. O imaginário do filme também dialoga com clássicos sobre mulheres reagindo à violência masculina, como “Carrie, a Estranha”, “A Vingança de Jennifer” e “Garota Exemplar”. Parte da ambientação foi construída a partir de elementos urbanos de Dourados, cidade natal da diretora, sem transformar o cenário em um retrato regional explícito.
Maria Luiza afirma que o principal desafio de “Paty” foi criar uma animação de horror 2D que se afastasse completamente da estética infantil. “Apesar de ser um desenho, não é para crianças”, resume a cineasta sobre o curta, que marca o segundo trabalho dela como diretora.