crime compensa

Governo vê aumento de combustíveis com classificação de PCC

Grupos organizados do crime controlam setores de abastecimento

30 MAI 2026 • POR Redação Douranews • 08h46
Investigação apura vinculação de orcrim a mercado de combustíveis - GeraçãoIA

As revelações de que o PCC [o grupo do crime organizado do Primeiro Comando da Capital] atua no mercado formal brasileiro, principalmente no setor de combustíveis, elevam o risco de agentes financeiros nacionais diante da designação, pelos Estados Unidos, dessas facções como terroristas, avaliam integrantes do Governo, ensaiando justificativa para eventual nova alta nos preços de derivados.

Entre os principais impactos da decisão de classificar como terroristas o PCC e o Comando Vermelho, anunciada quinta-feira (28) por membros do governo Donald Trump, um dos maiores temores é que empresas estrangeiras deixem de fazer negócios com companhias brasileiras do setor por excesso de cautela, o chamado overcompliance, especula a Folha de S. Paulo.

Companhias brasileiras já estavam intensificando o contato com o governo brasileiro desde que a ameaça da mudança na classificação começou, há alguns meses, para entender possíveis impactos caso o cenário se concretizasse. Os diálogos se intensificaram.

A Operação Carbono Oculto, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo em parceria com a Receita e já com duas fases, expôs vínculos entre o PCC e a cadeia de combustíveis por meio da atuação de postos de gasolina, fornecedores de combustíveis e distribuidoras. Empresas do sistema financeiro também são investigadas por suposta movimentação ilícita dos recursos.

O temor preliminar é de que o vínculo que foi revelado pelas próprias operações conduzidas pelas forças brasileiras poderia servir de alerta para a atuação dos estrangeiros no Brasil. Isso porque, caso seja identificado qualquer tipo de ligação —direta ou indireta— entre um investidor e uma empresa que esteja ligada a uma das entidades sancionadas, poderia haver a aplicação de sanção pelos Estados Unidos.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta sexta-feira (29) que a decisão americana pode causar prejuízos à economia brasileira e ter impacto ao investimento estrangeiro direto. Nesta sexta-feira (29), a Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência da República divulgou nota alegando, sem dar explicações, que o sistema financeiro brasileiro e o próprio Pix poderiam ser impactados pela decisão.

Infiltração

 

De acordo com recente reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, a infiltração do PCC no setor de combustíveis envolve um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de produtos. A facção utiliza a cadeia do petróleo, em especial o desvio de nafta petroquímica, para maximizar lucros e ocultar o patrimônio ilícito. 

As investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Receita Federal expuseram como a engrenagem funciona na prática. A nafta é um solvente com custo e tributação inferiores aos da gasolina. O grupo criminoso utilizava empresas de fachada e laranjas para simular a compra do produto para fins industriais. Na realidade, o material era desviado e misturado aos tanques de gasolina, vendido nos postos como se fosse combustível legal, gerando margens de lucro abusivas e estimulando a sonegação.