Ex-presidente do PT pede saída de senador
Jaques Wagner é envolvido em escândalo do banco Máster
Apesar de garantir que mantém a absoluta confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que até telefonou para lhe prestar solidariedade, a permanência do senador Jaques Wagner (PT-BA) como líder do Governo no Senado, fica cada vez mais difícil.
Com aval do presidente Lula (PT), ministros e aliados se lançaram, ainda nesta quinta-feira (18), após a revelação do escândalo, em uma operação de convencimento do líder do governo para que ele entregue o cargo, como especula o jornal Folha de S. Paulo.
Segundo aliados, Lula avalia como insustentável a permanência dele na liderança do governo, mas, apesar dessa avaliação, não deverá destituí-lo. Espera que essa iniciativa parta do próprio Wagner.
Em Dourados, o caso também repercute entre lideranças do partido governista. Ex-presidente municipal e ex-vereador do PT no início dos anos 2000, o jornalista e professor Elecir Ribeiro Arce defendeu solução rápida para o caso.
Procurados por emissários do governo, aliados do senador, incluindo ministros e integrantes do Governo da Bahia, desencadearam essa articulação. Eles mesmos estariam convencidos da delicadeza da situação de Wagner.
Enquanto isso, o líder do governo no Senado continua negando as acusações de irregularidades e afirma não ter nada a esconder após ser alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero. Ele declarou que os recursos encontrados pela polícia possuem origem lícita e que mantém a absoluta confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que telefonou para lhe prestar solidariedade.
Dólares em espécie
O senador justificou que os US$ 49 mil encontrados em seu cofre em Brasília são provenientes de diárias acumuladas de viagens oficiais internacionais realizadas pelo Senado entre 2019 e 2026. Ele esclareceu que costuma guardar os valores por não utilizá-los integralmente durante os compromissos no exterior.
Apartamento de luxo
Sobre o imóvel de R$ 2,5 milhões em Salvador, que a PF suspeita ter sido uma vantagem indevida, Wagner alegou que o edifício ainda está em construção. Ele explicou que pretendia ajudar a filha a adquiri-lo e solicitou ao empresário Augusto Lima (ex-sócio do Banco Master) que fizesse a compra inicial estritamente como um investimento financeiro, reforçando que não houve transferência de patrimônio para o seu nome.
O parlamentar ainda reiterou que sua relação com Daniel Vorcaro e o Banco Master é inexistente. Ele declarou formalmente que nunca recebeu repasses da instituição financeira e que os R$ 289 mil identificados pela Receita Federal em sua pessoa física correspondem estritamente ao rendimento de uma aplicação financeira pessoal.
O senador também ressaltou, em nota oficial, que não é réu e não foi denunciado em nenhum processo decorrente dessa apuração, pontuando que acompanha o desdobramento do caso com total tranquilidade e confiança na condução da Justiça.