Gaeco apura desvios de R$ 27 milhões no Estado
Grupo criminoso agia em Dourados e outras 7 cidades
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul divulgou, no meio da manhã desta terça-feira (7), por meio do Gaeco (o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), os primeiros resultados da operação deflagrada em seis municípios do Estado e ainda na capital paulista e na cidade goiana de Adadiânia.
Durante a operação denominada “Gutenberg” foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho em Mato Grosso do Sul, além das outras duas localidades.
O Gaeco investiga a prática de crimes contra a Administração Pública em licitação, com corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros delitos correlatos.
A investigação aponta crime em Campo Grande/MS e com atuação em diversos municípios do Estado, com núcleos bem definidos, liderada por empresários que atuavam como principais articuladores do esquema criminoso.
“Os investigados se valiam de servidores públicos corrompidos para fraudar e direcionar procedimentos de compras públicas, mediante contratação direta por inexigibilidade de licitação para a aquisição de livros paradidáticos. Verificou-se que os valores recebidos dos cofres públicos pela organização criminosa ultrapassam a quantia de R$ 27 milhões, a qual era pulverizada entre seus integrantes, servidores corrompidos e diversas pessoas físicas e jurídicas com o fim de ocultar e dissimular a sua origem ilícita”, diz a nota do Gaeco.
Segundo a investigação, o esquema criminoso se valia da influência de servidores cooptados na área da saúde pública para condicionar a autorização de exames, cirurgias e até vagas de leitos em hospitais pela rede estadual à aquisição de livros vendidos pelo grupo.
“Importante destacar que a organização criminosa seguia operando até os dias atuais com contratos ativos em vários municípios”, reforça o Gaeco.
O nome da operação, “Gutenberg”, faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros. No caso investigado, ao contrário, os livros constituem justamente o instrumento utilizado para dar aparência de legalidade ao esquema criminoso.
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