Paty, de Maria Luiza Staut, tem agenda internacional
Produção de douradense ganha prêmios e corre pelo Brasil
Durante o trajeto noturno de volta para casa, uma mulher se vê encurralada e em perigo num ponto de ônibus. O aparente beco sem saída chama a atenção de uma palhaça misteriosa, que decide intervir na situação à sua própria maneira.
Esta é a sinopse do curta-metragem de animação Paty, da diretora e roteirista sul-mato-grossense Maria Luiza Staut. O filme foi definido pelo 4o GASP! Horror Film Festival como “a brilliantly disgusting body horror” ("um horror corporal brilhantemente repulsivo”).
Neste mês de julho, ganhou prêmio de melhor animação na 2a Mostra Ficcional de Cinema Fantástico (SP). Até agora Paty compõe a programação de seis festivais de cinema em 2026 e está confirmado em mais dois: FITZ – Festival Inovador Talvez de Cinema (Imperatriz, Maranhão,) e Mostra Adjetivo Terror 4o GASP! Horror Film Festival (Manchester, Inglaterra).
Único título brasileiro na seção Women in Horror. Fantosfreak - XXVII Festival Internacional de Curtmetratges Fantàstics i Freaks (13 a 17/7) Cerdanyola del Vallès (Barcelona, Espanha), Paty também foi o único curta-metragem brasileiro na programação da 2a Mostra Ficcional de Cinema Fantástico (São Bernardo do Campo, São Paulo), onde assegurou o Prêmio de Melhor Animação.
O 8th Screaming Room Film Festival (7 a 9/8) em Los Angeles (EUA) e o 2th Los Angeles Fantasy Film Festival (20 e 21/11) são as próximas paradas.
Paty foi desenvolvido de forma totalmente independente. Todos os traços e desenhos, cores, cenários, movimentações, design de som e movimentações animadas são criação da douradense Maria Luiza Staut, que materializou a história em animação 2D. A personagem-título remete ao fascínio da diretora por palhaços e circos e teve por inspiração Art, the Clown, figura imortalizada pelo ator David Howard Thornton na franquia Terrifier (2016- 2024), de Damien Leone.
Outros filmes acionados pelo imaginário de Maria Luiza Staut no desenvolvimento de Paty tratam de mulheres reagindo à violência masculina, entre eles títulos como Carrie, a Estranha (Brian De Palma, 1976), A Vingança de Jennifer (Meir Zarchi, 1978) e Garota Exemplar (David Fincher, 2014).
Alguns elementos em Paty foram desenhados a partir de detalhes urbanos de Dourados, de forma a ambientar o filme na cidade-natal da realizadora sem para isso explicitar algum tipo de regionalismo mais específico. Maria Luiza Staut é animadora e cineasta nascida em Dourados.
Formada em Cinema pela UFF (Universidade Federal Fluminense) e mestre em Cinema e Artes do Vídeo pela Unespar (Universidade Estadual do Paraná), ela desenvolve pesquisas acadêmicas sobre cinema de horror brasileiro, especialmente em relação a filmes dirigidos por mulheres, e estuda a monstruosidade feminina na literatura latino-americana no doutorado em Letras que cursa na UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul).
Paty é seu segundo trabalho como diretora. Antes ela fez outra animação, Cuidado com a Cuca (2020), codirigida por Liara Belmira. Maria Luiza integra, desde 2024, a equipe de curadoria e programação do Djanho, o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Curitiba.
A definição da autora
"O grande desafio do horror em animação 2D é não deixar que o formato pareça infantil. Por isso me baseei em duas animações que gosto muito: a série Hotel Hazbin (2019) e o longa A Pequena Loja de Suicídios (2012). Essas obras são as que mais se aproximam do macabro que eu queria alcançar e me ajudaram a deixar absolutamente claro que, apesar de ser um desenho, não é para crianças".