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Justiça condena advogada e irmãos Mendes

Ligação com Comando Vermelho teria enriquecido grupo

31 JUL 2026 • POR Redação Douranews • 08h16
Buscas realizadas durante operação em Dourados em 2024 - PF

A Justiça Federal condenou a advogada Cristiane Maran Milgarefe da Costa, os irmãos Hermógenes Aparecido Mendes Filho e Ronaldo Mendes Nunes, além de outros quatro réus pelos crimes de lavagem de capitais e organização criminosa, repercute o blog O Jacaré.

A ação penal é proveniente da Operação Sanctus, deflagrada em dezembro de 2023 pela Polícia Federal em Dourados. Durante a ofensiva, Ronaldo Mendes conseguiu fugir após ter sido “resgatado” por um deputado paraguaio supostamente envolvido com o narcotráfico internacional. O parlamentar foi morto no ano seguinte pela polícia do país vizinho.

O processo, ainda tratado com sigilo absoluto na 5ª Vara Federal de Campo Grande, também conta com outras figuras ilustres como o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira e o filho, o ex-vereador de Campo Grande Odilon de Oliveira Junior.

Odilon e o filho atuam na defesa de Aparecido Mendes Nunes, que tinha um relacionamento com a advogada Cristiane Maran, filha do promotor de Justiça aposentado Doralino Milgarefe da Costa, falecido aos 64 anos, em agosto de 2010, quando sofreu um infarto em Maceió.

Na última década, Hermógenes saiu da condição de açougueiro que tocava em bairro de Dourados para a de dono de propriedades rurais, na cidade onde mora e também no vizinho Mato Grosso, onde ainda possui fazenda. Para a Polícia Federal, o traficante teria ligação com a organização criminosa Comando Vermelho, baseada no Rio de Janeiro.

Os irmãos Mendes são acusados de ser chefes do esquema ligado a facções criminosas do tráfico internacional de drogas. Eles teriam se associado ao tráfico para trazer drogas de outros países para o Brasil e obter as vantagens financeiras decorrentes da “lavagem” do dinheiro conquistado ilegalmente, “de forma estável e permanente”.  

Hermógenes Aparecido coordenava a logística do tráfico de drogas e promovia a “lavagem” do dinheiro obtido com a atividade ilícita, fazendo circular “elevados valores” pelas contas de Cristiane Maran.  As operações eram feitas com dinheiro em espécie para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos valores. A advogada também fazia o pagamento de despesas do empresário.

Ronaldo Mendes utilizava empresas no Brasil, como um luxuoso restaurante na área central de Dourados, e no exterior, para reinserir o dinheiro obtido ilicitamente no mercado formal. Luan Yamashita o auxiliava, sendo responsável pelos pagamentos fracionados, pela contabilidade das empresas e pelo controle das contas e documentos, além de outras atividades do dia-a-dia da organização.

Além do trio, foram denunciados, em abril de 2024, Wuillhan Rojas, Markus Verissimo de Souza, Luan Yamashita Gonçalves, Jair Marques Neto, Eduardo Faustino dos Santos, e Heitor de Oliveira Buss. Dois anos depois, porém, só é possível saber da condenação dos réus, com exceção de Jair Marques, graças a pedidos de liberação e alienação de bens, que são negados com a justificativa de se constituírem resultado de atividade ilícita e devem ser perdidos em favor da União depois do trânsito em julgados dos processos.

O Diário de Justiça Eletrônico Nacional desta quinta-feira (30) traz a informação de que a Polícia Federal pediu a alienação antecipada de um imóvel em nome do filho de Ronaldo Mendes Nunes localizado em Dourados, sequestrado no âmbito da Operação Sanctus. A juíza Jéssica Flores Silva, em substituição na 5ª Vara Federal de Campo Grande, deu provimento ao pleito, conforme despacho:

“No caso, o imóvel está registrado em nome de […], filho de RONALDO MENDES NUNES, que foi condenado nos autos nº 5008035-75.2023.403.6000 por organização criminosa e lavagem de capitais. Dentre os efeitos da condenação, foi determinado o perdimento do bem que é objeto deste feito. Portanto, já foi reconhecida a origem ilícita do imóvel”, relata a magistrada. 

A PF constatou, em diligências, que o imóvel está ocupado e tem acumulado dívidas tributárias, o que demonstra a deterioração da situação jurídica do bem, com aumento de seus custos de manutenção, o que justificou sua alienação.

Dentre todos os condenados pela Operação Sanctus, a única pena que se tornou pública é a de Hermógenes Mendes, sentenciado a 14 anos, dois meses e 10 dias de reclusão pela prática dos delitos de organização criminosa e lavagem de capitais. As penas dos demais seguem sendo uma incógnita.