Agosto Lilás exige mais proteção, defende Lia Nogueira
Deputada é autora de programas que cuidam das vítimas
"Eu só me dei conta que estava sofrendo violência quando acordei sendo enforcada." A frase da enfermeira Eliete Santos traduz a realidade silenciosa vivida por milhares de mulheres brasileiras. Durante quatro anos, ela enfrentou violência psicológica, manipulação, dependência emocional e isolamento sem conseguir reconhecer que estava presa em um relacionamento abusivo.
A consciência de que corria risco de morte só veio quando sofreu uma tentativa de estrangulamento. Hoje, sua história ecoa como um alerta para outras mulheres, a violência quase sempre começa de forma silenciosa. O relato ganha ainda mais força durante o Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento da violência contra a mulher.
Em Mato Grosso do Sul, a mobilização ocorre em meio a um cenário preocupante. Entre 1º de janeiro a 1º de agosto de 2026, o Estado registrou 12.245 vítimas de violência doméstica, média de 57,5 casos por dia ou 2,4 vítimas por hora. No mesmo período, 18 mulheres foram vítimas de feminicídio, conforme dados do Monitor da Violência Contra a Mulher, elaborado pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) com informações da Sejusp, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado.
Assim como Eliete, muitas vítimas levam meses e até anos para romper o ciclo da violência. O medo, a dependência emocional, a vergonha e a esperança de que o agressor mude fazem com que milhares de mulheres permaneçam em silêncio. "Eu demorei quase um ano para denunciar. Na primeira vez que fui à delegacia, tive uma crise de choro e não consegui registrar a ocorrência. Hoje eu digo para todas as mulheres, denunciem. Nunca é tarde para recomeçar", relata.
Na Assembleia Legislativa, a deputada estadual Lia Nogueira (PSDB) tem concentrado sua atuação no fortalecimento da rede de proteção às mulheres. A parlamentar relembra a luta pela implantação de delegacias especializadas de atendimento à mulher funcionando 24 horas no interior do Estado, defendendo que o acesso rápido ao acolhimento pode salvar vidas. Em Dourados, o mandato contribuiu para fortalecer a estrutura de atendimento especializado, garantindo que as vítimas tenham acolhimento humanizado na Delegacia de Atendimento à Mulher e, durante o período noturno, na Depac (a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), por meio da Sala Lilás.
Delegacias 24 horas, Salas Lilás, Programa Recomeços e acolhimento às vítimas integram a atuação da deputada em defesa da vida
O fortalecimento dessa rede vem avançando em Mato Grosso do Sul. Atualmente, o Estado conta com 62 Salas Lilás, espaços preparados para acolher mulheres vítimas de violência com privacidade e atendimento especializado. A meta é que a estrutura esteja presente em todos os 79 municípios sul-mato-grossenses, ampliando o acesso das vítimas à proteção e incentivando a denúncia.
Além da fiscalização e da atuação parlamentar, Lia Nogueira também é autora de iniciativas que impactam diretamente a vida das mulheres. Entre elas está o Programa Recomeços, que incentiva a contratação de vítimas de violência doméstica, oferecendo autonomia financeira para romper o ciclo de abusos. A deputada também criou a lei que garante a presença de uma profissional de saúde do sexo feminino durante atendimentos em que a mulher esteja inconsciente ou sob efeito de sedação, medida criada para prevenir casos de violência em momentos de extrema vulnerabilidade.
"Nenhuma mulher quer sofrer violência. Enquanto houver uma mulher vivendo com medo dentro da própria casa, nós não podemos nos calar. Investir em delegacias, Salas Lilás, acolhimento e independência financeira não é gasto, é salvar vidas. O meu compromisso é fazer com que nenhuma mulher se sinta sozinha na hora de denunciar e lutar para que Mato Grosso do Sul deixe de figurar entre os estados mais violentos para as mulheres"