No ar, o velho discurso de 'servir'
Amplavisão
DISCURSOS-1: Ouvi vários deles nestas convenções. Mais iguais do que diferentes. A tendência é de aprimoramento ao longo da campanha, pois quem domina a melhor narrativa pode convencer o bloco dos indecisos. Nestes novos tempos, os candidatos devem misturar propostas lógicas com os conhecidos e eficientes apelos emocionais.
DISCURSOS-2: Com eles, os candidatos tentam criar laços afetivos com o eleitor, usando uma retórica que sensibiliza. Em todas as falas, é notória a estratégia do convencimento; enaltecem a abnegação e a vontade de servir sem ambição pessoal. Todos, primam pela tentativa de passar a imagem de altruístas e patriotas.
A PROPÓSITO: A mídia tem publicado a evolução patrimonial da maioria dos nossos candidatos, o que nos leva a desconfiar e até questionar do propalado altruísmo. Mais do que contradição, a realidade financeira deles pode ser considerada uma afronta em relação a situação econômica da população. Patriotismo talvez? Papo que não cola!
VEJA BEM: O sociólogo Max Weber dividiu os agentes políticos em dois grupos. O primeiro, chamado de Viver “para” a política – quando se tem a atividade política como missão, causa ideológica ou serviço à sociedade. O segundo grupo é do Viver “da” política – quando a atividade política se torna principal fonte de renda e meio de vida do cidadão.
‘OS PROFISSIONAIS’: (Lembra título de filme) - Embora não seja tipificada como profissão formal, é uma atividade abraçada em todo o mundo pela chamada e notória profissionalização da política. E ela - não fica restrita aos que e exercem mandatos eletivos - atinge a todos do ‘entorno’ - aqueles que exercem trabalho de assessoria.
‘LONGEVOS’: Sarney lidera com 50 anos de mandato (iniciou em 1959), seguido por Atila Lins (PSD-AM) com 9 mandatos na Câmara Federal; Aécio Neves e Arlindo Chinaglia com 8 mandatos. Aqui temos Londres Machado no 13º mandato, dois deles ainda no Mato Grosso. Sem discriminar, todos têm algo em comum. De leve...
MORDIDAS: Os pedidos de eleitores aos candidatos variam. Na lista alguns itens em sintonia com os novos tempos e desejos. Destaque para as injeções de emagrecimento, patinetes, patins, implantes dentários, quitação do IPVA, IPTU e pensões alimentícias atrasadas, taxas de condomínios e harmonização facial.
TABULEIRO: Opiniões não faltam quanto ao destino da maioria dos votos antes endereçados ao senador Nelsinho. Algumas delas sem conhecimento de ‘campo’, outras manchadas por interesses diversos. Conclusão; somente após as primeiras pesquisas – confiáveis – é que se terá uma avaliação do novo quadro para o Senado.
APOSTAS: Os eleitores que apoiavam Nelsinho vão escolher entre Contar, Reinaldo e Contar baseados em quais critérios? Seria por questão partidária, ideologia (direita, centro e esquerda) qualificação pessoal ou outros fatores conectados com as eleições de 2026. Aliás, essa escolha passa também por reivindicações de prefeitos e vereadores.
OPINIÃO: Segundo Vander, pesaria a seu favor a ‘questão de identidade’ com o eleitor de Nelsinho. O petista ainda destaca a convivência pacifica com lideranças municipais interioranas (principalmente) ligadas ao senador do PSD e que não vê barreiras contra esses apoios. Com o favoritismo de Lula, Vander quer capitalizar esse fato a seu favor.
REINALDO: Há tempos planta sementes do municipalismo pelo estado afora. Mesmo sem mandato, é protagonista respeitado. Conectado com o Governo Estadual mantém laços com prefeitos e vereadores. Ao seu lado, um batalhão de deputados e candidatos à Assembleia e Câmara. Um ‘animal político’ que quer se beneficiar com a decisão de Nelsinho.
CONTAR: Ao seu estilo sem rodeios volta com o discurso ideológico da direita. Nas suas manifestações, prega a necessidade de conquistar 54 cadeiras (dois terços) do Senado para promover o impeachment de ministros do STF. Em nosso estado conservador (vide pesquisas), suas propostas encontram apoio. Ele representa bem o descontentamento com o Governo Lula.
NA CARONA: Vale mais uma vez abordar a questão relacionada aos candidatos a deputado estadual, notadamente, que podem se beneficiar das regras e conquistar uma cadeira com poucos votos. No MDB – por exemplo – a expectativa otimista é que Puccinelli supere os 60 mil votos - com o partido elegendo 3 candidatos ou mais.
TUCANOS: Quem imaginava que o PSDB ficasse ‘depenado’ também no Mato Grosso do Sul se enganou. Fiel escudeiro do Governo Riedel, o deputado Pedro Caravina reestruturou a sigla e montou um bom time para essas eleições. Após uma análise dos nomes de partidos e federações, ele vaticina: ‘elegeremos 4 ou mais deputados estaduais”.
REPRISE: Muitos vereadores do interior de olho nas eleições municipais, são candidatos a deputado. É o discurso de eleger um deputado da terra contra os ‘paraquedistas’. Mas isso nem sempre funciona. Chapadão do Sul, por exemplo, com 23 mil eleitores conta com 4 candidatos à Assembleia Legislativa. Vai faltar eleitor!
CAFÉ NO BULE: Repito; impressiona a capacidade de se reinventar politicamente do deputado Lídio Lopes. Comandando o Avante no estado, ele mais uma vez surpreende ao lançar 32 candidaturas em aliança com o PL, PP, União Brasil, PSDB, MDB e Republicanos. O escritor Augusto Cury é o nome para o Palácio do Planalto.
EXPECTATIVA: Assessores e observadores na Assembleia tem uma pergunta em comum: como será o mote de campanha do deputado João Catan? Outros exemplos já provaram; manifestações calcadas apenas em críticas e meios afins não agradam e não tem guarida no cidadão comum. Espera-se propostas viáveis com a nossa realidade.
PREVISÃO: “A vitória de Trump (2024) não é o fim do mundo. É o início de uma nova ordem que, por imprevidência nunca imaginamos. Como tudo na vida, vai nascer, evoluir e depois ser substituída, embora não saibamos quando. A única coisa certa é que o Brasil nada tem a ganhar e tem tudo a perder como esses novos tempos”. (Roberto Brandt – ex-ministro de FHC)
PILULAS DIGITAIS
Você é contra ou a favor da legalização da corrupção? (Millôr Fernandes)
A poesia e o nada: “se o nada desaparecer, a poesia acaba”. (Manoel de Barros)
É bem melhor pensar sem falar do que falar sem pensar. (Jô Soares)
O brasileiro só tem três problemas: café, almoço e jantar. (Chico Anísio)
Nostalgia é mais insatisfação com o presente do que saudade do passado. (Boni)
Tenho notado que todas pessoas a favor do aborto já nasceram. (Ronald Reagan)
A política é arte de pedir votos aos pobres, dinheiro aos ricos e mentir a ambos. (Antônio Ermírio de Moraes)
A mulher abre o negócio, tem seus filhos, cria os filhos e se sustenta, tudo isso abrindo o negócio. (Dilma Roussef)