homenagem

Botânica de Corumbá pode dar nome ao Bioparque

Projeto de Gleice Jane homenageia Graziela Maciel Barroso, uma das principais referências da botânica brasileira

17 AGO 2026 • POR Redação Douranews • 11h37
Projeto de Gleice resgata memória de botânica pantaneira - Divulgação

A deputada estadual Professora Gleice Jane (PT) protocolou na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), nesta segunda-feira (17), o projeto de lei que propõe incluir o nome da cientista Graziela Maciel Barroso na denominação oficial do Bioparque do Pantanal, em Campo Grande.

Pela proposta, o espaço passaria a se chamar oficialmente Bioparque do Pantanal 'Graziela Maciel Barroso'. O projeto foi apresentado em 13 de agosto e, segundo a justificativa, busca reconhecer a contribuição da pesquisadora para a botânica brasileira e ampliar a presença das mulheres na memória dos espaços públicos de Mato Grosso do Sul.

Nascida em Corumbá em 1912, Graziela Maciel Barroso construiu uma trajetória que a tornou uma das principais referências brasileiras na área de taxonomia vegetal. Ela ingressou na universidade mais tarde do que o habitual e se graduou aos 50 anos, depois de já atuar como naturalista no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Graziela foi a única mulher entre os candidatos aprovados em concurso público para atuar como naturalista na instituição e, ao longo da carreira, tornou-se uma das principais catalogadoras de plantas do país. Seu trabalho contribuiu para o estudo e a classificação da flora brasileira e para a formação de diferentes gerações de pesquisadores.

Para Gleice Jane, associar o nome da cientista ao Bioparque permite aproximar duas dimensões da história de Mato Grosso do Sul: a biodiversidade e a contribuição das mulheres para a produção científica.

“Graziela nasceu em Corumbá e se tornou uma das maiores referências da botânica brasileira, mas sua história ainda é pouco conhecida pela própria população de Mato Grosso do Sul. Dar seu nome ao Bioparque é reconhecer uma cientista extraordinária, valorizar a ciência produzida por mulheres e mostrar às novas gerações que uma mulher sul-mato-grossense ajudou a construir conhecimento fundamental sobre a biodiversidade do nosso país”, afirma a deputada.

Mulheres na memória dos espaços públicos

A justificativa apresentada pela parlamentar também chama atenção para a baixa presença de mulheres na denominação de equipamentos e espaços públicos.

O texto sustenta que nomes atribuídos a esses locais ajudam a construir a memória coletiva e a determinar quais personagens e trajetórias permanecem reconhecidos ao longo do tempo. Para a autora do projeto, ampliar a presença feminina nesses espaços é uma forma de tornar essa memória mais representativa.

“A memória de um Estado também é construída pelos nomes que escolhemos preservar. Durante muito tempo, as contribuições das mulheres para a ciência, a educação, a cultura e tantas outras áreas foram invisibilizadas. Homenagear Graziela é também dizer que as mulheres fizeram e continuam fazendo parte da construção da história de Mato Grosso do Sul”, diz Gleice.

A parlamentar destaca ainda o simbolismo de vincular a trajetória de uma botânica ao Bioparque do Pantanal, equipamento público dedicado à biodiversidade e localizado no estado onde Graziela nasceu.

O projeto não prevê a retirada da expressão “Bioparque do Pantanal”, já consolidada como identidade do espaço. Acrescenta apenas o nome da pesquisadora à denominação oficial.