Manoel Afonso

Eleições: menos esperança, mais desilusão

21 AGO 2026 • POR Manoel Afonso • 08h09

Amplavisão (*)

OLHARES: Os números das pesquisas vêm retratando o humor apreensivo do eleitor quanto aos rumos políticos e sociais. As perspectivas de melhora do país, via eleições, tem minguado a cada pleito. Tudo isso graças a um sistema desacreditado, que é manipulado por antigas lideranças, em proveito próprio, desconectadas da realidade.

AUSÊNCIAS:  Não por acaso há um esvaziamento motivacional para ir às urnas. Há 5 pleitos consecutivos a abstenção é crescente. Veja: em 2006, o índice de abstenção foi 16,75%; em 2022 pulou para 20,96%. Resultado: o total de ausentes saiu da casa de 21 milhões de eleitores faltosos para 33 milhões deles nas últimas eleições presidenciais.

FADIGA?  Também pode ser. por causa dos eleitores cansados da polarização. Caso a ascensão da abstenção continue, poderemos ter mais de 22% deles no primeiro turno, representando mais de 35 milhões de ausentes - num total de 158 milhões de eleitores. Claro, o fenômeno preocupa. E pergunto: como motivar o eleitor a comparecer?

CARTAS NA MESA: O eleitor, cético quanto ao teor dos discursos: os escândalos impunes, a gastança dos poderes públicos; a saúde na UTI, a população empobrecida, a insegurança, o tráfico de influência. Entre avalizar propostas duvidosas, tornando-se uma espécie de cúmplice, tem eleitor que opta em se abster. É a arma que tem.  

ALERTA:  Neste cenário não pode ser ignorado o chamado ‘eleitor do meio’, tido como discreto. Sem morrer de amores pelo bolsonarismo ou lulismo, ele encara a polarização com certo ceticismo e tende a decidir só na reta final da campanha. O critério de escolha desse eleitor é o pragmatismo. Repare: há um dele perto de você.

‘BELEZA’: Em tempos de crise e juros altos, 15 vereadores da capital são candidatos.  Sobre a notícia, um amigo questiona: “Mas eles não fizeram compromisso do exercício da vereança por 4 anos? O que seus eleitores – com aquela bolinha vermelha no nariz – estão pensando sobre a palavra empenhada”? Eles merecem novamente o seu voto?

COMPARE: Somos atrasados. A nossa primeira universidade foi do Rio de Janeiro em 1924. Mas antes de nós, na América ‘espanhola’ tivemos -  a de Córdoba (1613), Republica Dominicana (1538), Peru e México (1551), Bogotá (1580), Bolívia (1624), Guatemala (1676). Daí não haver razões para criticarmos os ‘hermanos’ da América.

EXPLICO: A história mostra que os espanhóis em suas colônias, construíam igrejas e escolas ao lado, um binômio aceitável. Por outro lado, o Reino de Portugal, deixando a educação em plano secundário, investia apenas nas igrejas católicas. Nossa primeira faculdade foi a Escola de Cirurgia em Salvador (BA) em 180, por D. João VI.

‘SUPERIOR’: É notório o complexo de superioridade do brasileiro, arrogante até, por ter o maior território e economia. O Brasil consome apenas sua própria cultura, ignora a realidade dando as costas para a identidade da América Hispânica. No Chile por exemplo, devido ao nosso comportamento, somos chamados de ‘texanos da América’.

CAFÉ AMIGO:  O entusiasmo do candidato Capitão Contar (PL) impressiona não só pelos números favoráveis das pesquisas ao Senado e tem suas justificativas. Durante nosso encontro nesta semana, presenciei várias manifestações de apoio de prefeitos, vereadores, deputados e lideranças. Sinto esse clima positivo também na Assembleia.

CENSURA? Vozes no STF sugerem a regulamentação da profissão de jornalista. Seria como exigir teste oficial do cantor para soltar a voz - do intelectual para escrever um texto. Imagine Fernando H. Cardoso, nos tempos do regime militar, proibido de escrever por não ter diploma de jornalista’. Lula e o PT vão se calar? Mudaram de opinião?

NA GUILHOTINA: Nesta semana deputados comentavam em ‘off’ a situação do colega Jamilson Name, sob risco de prisão e candidatura cassada. Comentou-se também o caso do chefe de gabinete dele – Junior Vasconcelos – ex-prefeito de Fatima do Sul, pego na ‘Operação Gutenberg’. Pasmem! Junior é escrivão de polícia, conhecedor do Direito e é claro, dos deveres.

ÔLHO VIVO: No seu 4º mandato, Junior Mochi se prepara para mais uma guerra eleitoral, ciente de que por conta das mudanças das regras, será uma eleição difícil. Ex-prefeito de Coxim por 2 mandatos, Mochi construiu uma liderança invejável na região norte do estado. Sua performance nas pesquisas reflete sua boa atuação parlamentar.

EQUÍVOCOS: Publicados na mídia os números constantes das declarações de bens dos candidatos. O detalhe que chamou atenção da opinião pública se refere ao ‘caixa’ disponível de cada deputado) Ora! -  o valor do ‘caixa’, necessariamente não é em espécie, em dinheiro guardado, mas sim um saldo meramente contábil para uso em declarações futuras. Neste ponto, as reclamações dos parlamentares procedem.

DESAFIOS: Será que os candidatos adversários de Riedel conseguirão encantar o eleitorado e reverter a diferença de votos entre eles? O tempo é curto e não é fácil transformar uma mera simpatia inicial em votos, a ponto de se tornar o vencedor. Será que mesmo com ferramentas de marketing político e redes sociais será possível?

OBSERVAÇÕES: Discursos de intelectuais são problemáticos, não chamam a atenção do eleitor.  Caso do ex-embaixador Roberto Campos (vindo de Londres), candidato do PDS ao Senado fazendo discurso em Alto Araguaia (1982) usando bordões e termos técnicos em inglês para a plateia interiorana. Alertado, mudou o tom e venceu as eleições.

O PASSADO:  Ele está acoplado ao presente de todo político. Não há como se livrar dele mesmo sob a justificativa de amadurecimento de sua ideia. O eleitor, leva isso em conta na hora de votar. A negação – mesmo baseado em argumentos diversos, geralmente é interpretada como pura vaidade e oportunismo eleitoral.

GENTE & URGENTE

 A TURMA mais jovem sabe pouco do passado por desinteresse e/ou porque acha que a vida e o futebol começaram com a internet. É preciso conhecer o passado para entender o passado. (Tostão)

A ÚNICA maneira de sobreviver neste ninho de cobras é agarrando-se a um princípio nobre. O mais nobre que puder. E, enquanto eles estiverem olhando para este princípio, você foge com o dinheiro. (Lillian Hellman)

SEMPRE vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. (Rubem Alves)

SANTÍSSIMA TRINDADE. Um deputado morreu de piripaque cardíaco aos 40 anos, e Delfim Netto disse que fora vítima da Santíssima Trindade brasiliense: champanhe, cocaína e putas. “É por isso que tanta gente quer ser deputado e senador”, explicou. Acrescente-se agora as emendas parlamentares. (Mario S. Conti)

* 'Inaugurando' foto nova na coluna