Dívida de R$ 300 mil matou a pessoa enganada
Delegado do SIG e pai da vítima falam sobre investigação
O comerciante Mauricio Orsini, pai do jovem Vitor Orsini, de 19 anos, que foi assassinado com três tiros, dois deles na cabeça, pelas costas, no dia 7 deste mês, falou nesta quarta-feira (26) com jornalistas de Dourados sobre o episódio que ainda abala a família, do grupo de revenda de veículos Gauchinho, alvo do crime praticado no dia 7 deste mês na avenida Hayel Bon Faker.
O empresário agradeceu o apoio da comunidade e elogiou a ação policial que resultou, até agora, na prisão de seis pessoas. Dois homens ainda são procurados, como responsáveis pelo crime de execução ocorrido na cidade.
Pela manhã, o delegado Lucas Weppo, do SIG, o Setor de Investigações Gerais da Polícia Civil, disse que Vitor foi morto por engano. Havia uma outra pessoa que estaria na mira do grupo criminoso contratado para eliminar 'alguém' na garagem de veículos.
"Até agora a gente continua sem entender porque mataram o nosso filho", disse o pai de Vitor, que acompanhou a entrevista coletiva do delegado do SIG, juntamente com o delegado regional da Polícia Civil, Adilson Stiguivitis.
De acordo com o delegado da Regional, as equipes do SIG estão em permanente mobilização, desde o dia do crime, na tentativa de solucionar o caso. "Estamos checando todas as informações, buscando a elucidação do fato, que vitimou um menino de 19 anos", disse o delegado Stiguivitis.
Seis pessoas foram identificadas até agora como envolvidas no crime, quatro estão presas, entre elas um adolescente de 17 anos e ainda os jovens Dênes de Melo, de 25 anos e Aleksander Borges Gomes, de 27 anos. E, por último, Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, que seria ligado a uma academia de musculação em Ponta Porã.
Dívida motivou crime
A Polícia continua procurando Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23 anos e Jeferson Lopes, de 31 anos, que seriam também moradores em Ponta Porã, apontados por presos já ouvidos na delegacia do SIG como as pessoas que teriam 'contratado o serviço' que resultou na morte de Vitor Orsini.
"A motivação a que chegamos, e que estava sendo apurada desde os primeiros dias após o crime, e que chamou muita atenção, foi uma negociação que ocorreu na garagem do pai do Vitor, e que foi o fator fundamental dessa investigação", disse o delegado.
Segundo o titular do SIG, ele próprio passou o final de semana seguinte, inclusive o domingo (9) do dia dos pais, ao crime analisando conversas no celular da vítima. Já na terça-feira (11) seguinte, foi preso o adolescente de 17 anos que conduziu os autores do crime, no caso Dênes e Aleksander, até a garagem.
"O autor dos disparos é de Brasília, mas já estava em Ponta Porã, onde tinha ligações com o tráfico de drogas e teria contraído uma dívida. Ele foi contratado para executar uma pessoa - sobre uma negociação envolvendo veículos, que ainda acreditamos que seja falsa - porque seria um 'X-9' [alguém que trai a confiança de outra], mas houve um equívoco na informação do alvo e o rapaz acabou morto por engano", relatou o delegado.
Segundo o delegado Weppo, o empresário de Ponta Porã teria uma dívida atualmente estimada em torno de R$ 300 mil com uma pessoa que teria sido atraída até a garagem, mas por fim não compareceu. "Quando essa pessoa estava indo para a garagem, fechar a negociação, ficou sabendo da morte do Vítor no local, ou seja, quem deveria ter sido morto não chegou ao local onde deveria ser a vítima do crime".