Júlio César Cardoso

Política no Brasil: o grande negócio sem concurso e habilitação

28 AGO 2026 • POR Júlio César Cardoso • 07h27

No Brasil, virar político é quase tão fácil quanto virar coach. Não exige diploma, experiência ou preparo - só cara de pau. Basta acordar e pensar: “Que tal ser vereador? Ou melhor, presidente? Parece divertido, o salário é bom, o título é pomposo e ainda chamam de excelência.” É a profissão dos que não passaram em concurso, não tiveram coragem de abrir um negócio ou simplesmente cansaram de ser inúteis sem título. 

Nesse cenário, surge a família Bolsonaro, especialista em usufruir das benesses públicas e lutar com unhas e dentes para se manter no poder, sem apresentar propostas relevantes à nação. O chefe do clã, Jair Bolsonaro, condenado e impedido de concorrer; Flávio Bolsonaro, enroscado com Daniel Vorcaro e sonhando com a presidência; Carlos Bolsonaro, que abandonou o mandato de vereador no Rio para tentar o Senado em Santa Catarina; Renan Bolsonaro, uma coisa eleita vereador em Balneário Camboriú e já candidato para deputado federal; e Michelle Bolsonaro, sem preparo algum, candidata ao Senado por Brasília. O espetáculo político brasileiro se transforma em um verdadeiro circo mambembe, iluminado por mediocridades. 

Grande parte dos políticos não está na vida pública por idealismo, mas por conveniências. Há empresários que buscam resolver problemas particulares, aposentados e profissionais de diversas áreas que veem na política um bom cabide de emprego e a oportunidade de viver das benesses públicas. E há também os que não largam o osso por acreditarem ser indispensáveis. Esquecem que o cemitério está cheio de ex-políticos cuja ausência jamais foi sentida. 

Se fosse possível, substituiríamos todos por inteligência artificial e sobraria muito dinheiro para investimentos sociais. Ao menos, a IA não pediria reembolso de gasolina, não faria rachadinha, não pediria verba a banco para financiar filmes de familiares, nem confundiria a Constituição com receita de pão de queijo. 

Enquanto isso, a solução mais plausível seria criar um curso obrigatório de um ano para políticos: economia, ética (a disciplina mais difícil) e Constituição. E para presidenciáveis, inglês básico (sem direito a popcorn), boas maneiras e diplomacia. Porque política não é fantasia de escola de samba. 

* É Servidor federal aposentado/Balneário Camboriú-SC