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Dólar chega a cair com vacina e fluxo, mas encerra dia estável a R$ 5,30

18 janeiro 2021 - 21h58

O dólar firmou queda nos negócios da tarde, depois de uma manhã de volatilidade, mas acabou fechando perto da estabilidade, no aguardo da posse de Joe Biden e da reunião de política monetária do Banco Central. Com o feriado nos Estados Unidos, a liquidez foi fraca e as oscilações mais contidas, respondendo principalmente à entrada de fluxo para a Bolsa, que levou a moeda americana para as mínimas do dia, a R$ 5,23, e ao comportamento da divisa dos Estados Unidos no exterior, que operou mista nos emergentes, mas caiu ante pares do Brasil, como o México. O início do processo de vacinação no Brasil trouxe algum otimismo, mas a visão segue cautelosa com o cenário político, em meio às eleições no Congresso. No fechamento dos negócios, o dólar à vista encerrou o dia estável (+0,01%), cotado em R$ 5,3047. No mercado futuro, o dólar para fevereiro fechou em leve alta de 0,14%, a R$ 5,3010. O economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, observa que sem a vacinação deslanchar, pode haver riscos para a atividade econômica na primeira metade do ano, que se somaria a outros "ventos contrários", como o do aumento da inflação. Ramos classifica o início do processo de vacinação no Brasil como "lento" e "errático", mas que finalmente começa a ganhar forma. O economista acredita que um novo auxílio vai acabar sendo aprovado, por conta dos efeitos da segunda onda da pandemia. Pelo lado positivo, os dois principais candidatos à Presidência da Câmara - Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP) - se comprometeram em recentes declarações com medidas sociais dentro das regras fiscais, o que foi bem recebido pelas mesas de operação. Para o CEO da Arko Advice, Murillo de Aragão, os dois nomes são a favor do andamento das reformas, mas não se deve fazer análise simplistas. "Não é automático que ganhando o Lira está tudo bem para as reformas e ganhando o Baleia está tudo ruim", comentou Aragão em live da Genial Investimentos nesta tarde. "Quem vai arbitrar o andamento das reformas é o mercado", disse, citando que o comportamento do câmbio e dos juros futuros serão importantes balizadores para os parlamentares. O presidente Jair Bolsonaro está jogando a sobrevivência do seu governo na eleição para o comando da Câmara e do Senado, comentou Aragão. "Para Bolsonaro, Artur Lira ganhar a eleição é fundamental", disse o analista político. Na agenda desta semana, a posse de Joe Biden e suas declarações no evento podem ter impacto no mercado de moedas. "É o principal evento mundial da semana. Biden já anunciou o pacote fiscal, mas isso vai requerer importantes negociações com os republicanos", observam os analistas do ING. Bovespa Após ceder 2,54% na sexta-feira e acumular perda de 3,78% na semana passada, o Ibovespa obteve nesta segunda-feira, 18, ganho de 0,74%, aos 121.241,63 pontos, em dia de vencimento de opções sobre ações que coincidiu com feriado em Nova York, o que costuma resultar em enfraquecimento da liquidez. O domingo da vacina e o crescimento de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB) da China em 2020, por outro lado, deram suporte a compras neste começo de semana, vindo o Ibovespa de realização na anterior. Assim, o índice da B3 saiu de mínima na abertura a 120.351,43 para chegar na máxima da sessão aos 122.585,82 pontos, com giro financeiro a R$ 49,7 bilhões nesta segunda-feira. No ano, o índice avança 1,87%. "Hoje tivemos o dia seguinte à vacina, e o mercado vinha penalizando o Ibovespa também pela indefinição sobre isso. Tivemos certo desconto com a realização vista na semana passada e assim, com a efetivação da vacina, o mercado ficou mais leve, conseguindo se recuperar do baque da sexta-feira. Nesta segunda, o volume do exercício de opções sobre ações não foi ruim, mas teria sido maior caso não fosse feriado em Nova York", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, chamando atenção para o desempenho de ações mais correlacionadas à recuperação, como as de companhias aéreas (Azul +1,82%, Gol +1,02%) e shoppings (Iguatemi +1,26%). Virada a página da aprovação de vacinas pela Anvisa, o mercado passa a olhar para outros importantes eventos da semana, ambos na quarta-feira: a posse do presidente Joe Biden nos Estados Unidos e a decisão de política monetária do Comitê de Política Monetária (Copom). "Está dado o Copom (manutenção de juros), mas pode haver a retirada do 'forward guidance', o que não significa que a Selic já começaria a subir na reunião seguinte. Será preciso continuar acompanhando os índices de inflação e de atividade para antecipar quando, em 2021, teremos juros mais altos", observa Moliterno. "Nos EUA, Biden tem sinalizado que pode reverter parte das decisões de Trump de forma monocrática, assegurando, por exemplo, o reingresso dos EUA no Acordo de Paris - o início do governo Biden certamente será acompanhado muito de perto por todos." "Nesta madrugada, a China divulgou seus dados de PIB, com números melhores do que o esperado. Ainda que o crescimento de 2,3% em 2020 seja o pior resultado em 44 anos, o último trimestre do ano passado apresentou uma alta de 6,5% frente ao mesmo período de 2019", diz Lucas Collazo, especialista da Rico Investimentos. "Na China, o PIB de 2,3% em 2020, com consenso a 2% para o período, era algo que já vinha sendo antecipado por outros indicadores do país, mas a questão passa a ser o avanço da Covid e a retomada de lockdown em cidades chinesas, no momento em que a atividade por lá vinha respondendo à recuperação da demanda externa", acrescenta Moliterno, da Veedha. Assim, acabou prevalecendo a cautela na parte da tarde, com o Ibovespa e o dólar limitando o que se viu mais cedo, aponta Adilson Bonvino, sócio da Unnião Investimentos. "Sem desmerecer a vacina, algo positivo, não há por que ocorrer uma reação exagerada quando se tem ainda incerteza adiante, com o mercado à espera de definições importantes, como as das presidências da Câmara e do Senado", diz. Na ponta do Ibovespa nesta segunda-feira, WEG fechou em alta de 7,02%, Natura, de 5,16%, e BTG Pactual, de 3,97%. No lado oposto, Equatorial cedeu 2,14%, PetroRio, 1,94%, e Sabesp, 1,79%. Entre as blue chips, destaque para alta de 0,81% para Vale ON, que coloca o avanço da ação no ano a 7,84%, após progressão de 70,43% em 2020, enquanto CSN ON (+1,98% no fechamento desta segunda) acumula ganho de 10,02% neste começo de 2021. Petrobras PN e ON fecharam nesta segunda respectivamente em baixa de 0,18% e 0,17%, com ganhos moderados observados em parte das ações de bancos (Bradesco PN +0,34% e Unit do Santander +0,50%). Juros Perto dos menores níveis de liquidez desde a virada do ano, os juros futuros encerraram a sessão regular com viés de queda, à medida que o investidor recalibrou posições. Sem a referência de Nova York, devido ao feriado de Martin Luther King, o mercado aproveitou para reduzir prêmios, em especial na ponta mais curta da curva a termo, que na semana passada teve alta firme. O compromisso dos principais candidatos à Presidência da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP), com a ampliação de medidas sociais dentro das regras fiscais também agradou. Tudo isso nas vésperas da decisão do Copom sobre a Selic, em que a precificação de manutenção da taxa a 2% atinge 96%, nos cálculos da Quantitas. O DI para janeiro de 2022 cedeu 9 pontos, encerrando em 3,26% a sessão regular e a estendida. O janeiro 2023 passou de 5,041% na sexta-feira a 4,98% (regular) e 4,995% (estendida). E o janeiro 2027 recuou de 7,114% a 7,08% (regular), mas subiu a 7,12% na estendida. O vértice mais líquido desta segunda foi o janeiro 2022, que teve 249.099 contratos negociados. Foi o dia de liquidez mais baixa desde a virada do ano. Na média, até sexta-feira passada, foram negociados 639 mil contratos desse vencimento em 2021. A liquidez mais limitada também afetou outros pontos da curva. O janeiro 2023 teve 241.095 contratos negociados, ante média no ano até a sexta-feira de 468,5 mil. Já o janeiro 2027 teve 43,7 mil, ante média de 76,3 mil. Assim, os ajustes de posições tendem a ser amplificados, já que operações pontuais tendem a exacerbar os movimentos. E, de certa forma, o mercado entendeu que o dia era propício para esses ajustes nesta segunda. Dados fortes da China, confirmando a recuperação econômica na virada do ano, também alimentam o cenário positivo a emergentes, que ao fim das contas ajuda em termos de fluxo. Depois da aprovação no domingo pela Anvisa do uso emergencial de lotes da Coronavac e da vacina da AstraZeneca/Oxford, o governo federal montou o plano para distribuição das doses, embora tenha havido problemas de logística neste primeiro dia. Por sua vez, em São Paulo, onde é fabricada, a imunização de profissionais de saúde teve início na Capital e no interior. Com a vacinação tendo início, o mercado de juros agora centra as atenções para a disputa em torno da Presidência da Câmara, que ocorre no dia 1º de fevereiro. Mais do que a abertura ou não de um processo de impeachment, o comandante da Casa tem poder sobre o ritmo de reformas e discussões orçamentárias. Nesse sentido, houve boa recepção aos sinais dados ao longo do fim de semana. Em artigos na Folha de S.Paulo, ambos se comprometeram com o equilíbrio das contas públicas, ao mesmo tempo que mencionaram a necessidade de ampliar a ajuda social no contexto da pandemia respeitando-se as regras fiscais.

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