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Dólar sobe e volta a R$ 5,30, mas acumula queda de 2% na semana

15 janeiro 2021 - 22h17

O dólar fechou a sexta-feira em alta, em sessão marcada por fuga de ativos de risco no mercado internacional e aumento da tensão política no Brasil. Nos últimos cinco dias, porém, o dólar acumulou queda de 2,1%, interrompendo uma sequência de quatro semanas consecutivas de valorização. Os casos de coronavírus seguem crescendo no Brasil e no mundo, o processo de vacinação tem sido lento e nem começou por aqui, o que ajuda a limitar a melhora do real, além do risco fiscal e do cenário político que está piorando após a situação de caos no Amazonas. No exterior, cresceu o temor de que o presidente eleito Joe Biden tenha dificuldade de aprovar o pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão que anunciou na quinta-feira. O dólar fechou a semana em R$ 5,3042, na máxima do dia, em alta de 1,81% nesta sexta-feira. No mercado futuro, o dólar para fevereiro subiu 1,84%, cotado em R$ 5,2935. A sexta-feira, que antecede final de semana prolongado nos Estados Unidos, com feriado na segunda, dia de Martin Luther King, foi marcada por noticiário negativo, com indicadores econômicos fracos da economia americana e do Brasil, número de mortes por coronavírus no mundo superando 2 milhões e, no mercado interno, preocupações com a situação crítica dos hospitais em Manaus, além da piora política gerada pela situação, com a convocação de protestos contra Jair Bolsonaro na noite de sexta e troca de farpas entre ele e o governador João Doria (PSDB). A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou na tarde desta sexta que, se a situação continuar como está na região Norte do Brasil, "veremos uma catástrofe no Amazonas em abril e maio", de acordo com o diretor de emergências da entidade, o irlandês Michael Ryan. "Os ruídos políticos no Brasil podem estar apenas começando", avaliam os gestores da BlueLine Asset Management, destacando que, com piora aguda da covid-19, dificuldades de organização de um plano de vacinação e recrudescimento das pressões para mais gastos públicos, a situação pode se agravar, embora o exterior tenda a continuar mais favorável. A economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico, destaca que tem havido fluxo externo de recursos para o Brasil, mas que não tem sido suficiente para ajudar a valorizar o real de forma sustentada, por causa do risco fiscal. O governo tem emitido sinais complicados, disse ela, destacando que eles têm trazido intranquilidade ao mercado, mostrando falta de convicção com as reformas, além de ingerências na Petrobras, ao não aumentar os preços dos combustíveis nos últimos dias, e no Banco do Brasil, quando Bolsonaro mostrou insatisfação com decisões do presidente André Brandão de corte de funcionários e de agências. Também tem crescido a pressão por estender o auxílio emergencial. No exterior, o anúncio por Joe Biden do pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão foi recebido com cautela pelos participantes do mercado e cresceu o temor de que o presidente eleito tenha dificuldade de aprová-lo, mesmo com os democratas controlando o Congresso. "O programa quase certamente terá de ser reduzido significativamente para ser aprovado", afirmam os estrategistas do canadense TD Securities, prevendo que o pacote de socorro deve ficar mais perto de US$ 800 bilhões. Bovespa O Ibovespa chega ao final da segunda semana do ano acumulando perda de 3,78% no intervalo de cinco sessões, após largada exuberante em 2021, na qual havia avançado 5% do dia 4 a 8, o que o colocou aos 125 mil pontos, em nova máxima histórica. Com a terceira realização desta semana que chega agora ao fim, o índice da B3 limita os ganhos do ano a 1,12%, ainda acima dos observados nos três índices de Nova York - em avanço entre 0,32% (S&P 500) e 0,86% (Nasdaq) neste começo de 21. Nesta sexta, o Ibovespa fechou em baixa de 2,54%, aos 120.348,80 pontos, entre mínima de 120.185,13 e máxima a 123.471,59, com giro a R$ 37,6 bilhões. A realização atingiu Vale ON (-4,35%), Petrobras (PN -4,52%, ON -3,52%), siderurgia (CSN -8,10%, Gerdau PN -5,92%, primeira e terceira maiores perdas do Ibovespa na sessão) e bancos (Santander -5,00%, Itaú PN -3,77%, Bradesco PN -2,76%). Na ponta positiva do índice, destaque para B2W (+5,11%), Suzano (+2,50%) e Rumo (+2,27%). A correção nos preços do petróleo e a retomada do dólar na sessão - em baixa de 2,07% na semana, mas ainda em alta de 2,23% no ano - parecem refletir um cenário de menos apetite por risco, em ajuste ao movimento observado no fim do ano passado e no início deste, quando predominavam a euforia pelo começo das campanhas de vacinação nas maiores economias e a perspectiva de enfraquecimento da moeda americana com a aproximação de estímulos adicionais nos EUA, o que favorece aos emergentes em bloco. "Começa a prevalecer uma realização em cima do fato", diz Erminio Lucci, CEO da BGC Liquidez. Além da expectativa para a tramitação do pacote de US$ 1,9 trilhão nos EUA sob o governo Biden, o mercado segue muito atento à "velocidade e logística da vacinação" em meio a notícias ainda negativas sobre a pandemia, como o aparecimento de variantes do vírus em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, e aumento ou prorrogação de restrições sociais, que afetam diretamente a retomada econômica neste princípio de ano, observa Lucci. Em paralelo, com o afrouxamento prolongado das condições monetárias e o expansionismo fiscal, o cenário é de "reflação nos próximos trimestres", o que tem se materializado aqui em leituras maiores nos índices de preços e, lá fora, em oscilações nos yields dos Treasuries de 10 anos. "Havia expectativa por retomada mais forte", o que começa a ser colocado em questão com as dificuldades vistas na contenção da pandemia, aponta Lucci. "Nesta semana, componentes de risco que não estavam mapeados começaram a surgir. Nada mais natural do que uma queda depois de disparada de praticamente 10 semanas consecutivas", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. Das últimas 11 semanas - ou seja, desde a primeira de novembro - , houve perdas em apenas duas. "Acima de 119 mil pontos, a tendência de alta em todos os tempos gráficos segue firme e forte. Poderemos falar de correção mais forte somente abaixo de 115 mil pontos. Mas o mercado começa a questionar se, no nível atual, existe um risco-retorno interessante para aumentar posição." Para Cesar Mikail, gestor de renda variável da Western Asset, a realização desta semana é natural tendo em vista quanto o Ibovespa andou, sem revogar a perspectiva para o ano, ainda favorável globalmente, com expectativa de recuperação mais firme nos Estados Unidos e na China a partir do segundo trimestre, o que favorece a demanda por commodities, nosso carro-chefe. "Temos uma volatilidade normal, o cenário global ainda é favorável para o ano, e o Brasil tem acompanhado bem o global. Quando o estrangeiro olha para América Latina, vê Brasil e México e, com a concentração do Ibovespa em commodities, os múltiplos costumam ser mais baixos quando comparados, por exemplo, a mercados como o americano, com peso em tecnologia, mais esticados", acrescenta o gestor, que vê o Ibovespa perto dos 140 mil pontos este ano. "Do lado do volume, houve uma queda em relação ao giro da semana passada, quando chegou à faixa diária de R$ 40 bi a 45 bilhões. Houve uma acomodação nesta semana, o mercado está testando um equilíbrio. Os estrangeiros viraram o ano ainda comprando muito, não só no Brasil, mas também em outros emergentes. É preciso continuar monitorando este fluxo", observa Naio Ino, responsável pela mesa de trading de equities da Western Asset. Juros Os juros futuros encerraram a sessão regular com leve viés de alta, com o investidor reforçando a visão defensiva antes do fim de semana. O movimento, contudo, ganhou fôlego na etapa estendida. A cautela deriva da tensão política, da implicação fiscal que o recrudescimento da covid-19 pode causar e do feriado que fecha as praças americanas na segunda-feira. A curva, contudo, desinclinou nesta semana com base nas cotações de ajuste, à medida em que o mercado debate o fim do forward guidance pelo Banco Central na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2022 fechou com taxa de 3,345% (regular) e 3,325% (estendida), de 3,271% na quinta. O janeiro 2023 subiu de 4,966% a 5,035% (regular) e 5,060% (estendida). E o janeiro 2027 terminou em 7,11% (regular) e 7,240% (estendida), de 7,104%. O movimento de alta ganhou fôlego no fim da sessão regular e ao longo da estendida. O gerente de renda fixa de uma corretora paulista destacou que os investidores temem pela piora do ambiente político e sanitário ao longo do fim de semana, o que reforçaria também a pressão fiscal. No domingo, as atenções estão voltadas à reunião da Anvisa sobre a autorização de uso emergencial das vacinas da CoronaVac e da AstraZeneca/Oxford. Depois de o governador de São Paulo endossar a convocação de panelaços, nesta sexta à noite, contra o presidente Jair Bolsonaro, o chefe do Executivo federal chamou o tucano de "moleque". Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aliado de Doria, disse que vai pedir ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a convocação da Comissão Representativa do Congresso para tratar da "tragédia que está acontecendo em Manaus" e também da vacinação contra a covid-19 no País. O deputado afirmou ainda que o afastamento do presidente do cargo, "de forma inevitável, será debatido pelo Congresso no futuro". Por sua vez, o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), pediu a Bolsonaro que decrete intervenção federal na saúde pública do Amazonas, o que depende da aprovação no Congresso Nacional. Além disso, o mercado de juros também tenta absorver o noticiário econômico e retomar o debate de fundamentos antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic, na terça-feira e na quarta-feira. Há crescente expectativa de que o forward guidance para juros seja abandonado pelos dirigentes do Copom, o que abriria as portas para, num momento seguinte, a elevação dos juros básicos. Nesta sexta, por exemplo, o Itaú Unibanco reforçou a visão de que a orientação será retirada e antecipou a aposta de início de alta da taxa Selic para maio, de agosto anteriormente, mas mantendo a projeção de fim de ano em 3,5%.

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