Menu
Buscarquinta, 29 de fevereiro de 2024
(67) 99913-8196
Dourados
28°C
Geral

Dólar sobe para R$ 5,30 em dia de forte volatilidade e intervenção do BC

06 janeiro 2021 - 22h04

O câmbio teve novo dia de forte volatilidade, que só se reduziu após o Banco Central fazer intervenção no mercado. Com o real muito descolado de seus pares emergentes, por conta de incertezas domésticas, principalmente com a questão fiscal, da vacinação da população contra a covid e da declaração do presidente da República, Jair Bolsonaro, que o País está "quebrado", o BC vendeu US$ 500 milhões em novos swaps (venda de dólar no mercado futuro) no meio da tarde, sua primeira ação do tipo em 2021. Com o leilão, a moeda americana passou a operar abaixo de R$ 5,30, mas o movimento perdeu força perto do fechamento, com as cenas de manifestantes a favor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentando invadir o Capitólio em Washington. Os parlamentares faziam a certificação das eleições americanas, que normalmente eram apenas um ato burocrático, mas nesta quarta-feira, 6, tiveram que ser suspensas, por causa das manifestações, que questionam a legitimidade do resultado das urnas. Washington decretou toque de recolher a partir das 20 horas (de Brasília). Com as cenas, o mercado acionário em Nova York piorou e o dólar passou a ganhar força no mercado internacional. No fechamento, o dólar à vista encerrou com alta de 0,80%, cotado em R$ 5,3024. No mercado futuro, o dólar fevereiro fechou em alta de 0,54%, a R$ 5,3215. Para o estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, o mercado de câmbio está muito volátil e tende a seguir assim, na medida em que há uma série de incertezas domésticas, que têm limitado a queda do dólar aqui. Dúvidas se acumulam sobre o compromisso do Planalto com o teto de gastos, a volta do auxílio emergencial, as eleições na Câmara e no Senado e o processo de vacinação contra a covid, que avança em outros países, mas não aqui. Conforme o processo de vacinação ganhe corpo no Brasil e a questão fiscal fique mais clara, Cruz destaca que o real pode se valorizar, aproveitando a tendência de enfraquecimento do dólar no mercado internacional. Nesta quarta, mesmo após a tensão política em Washington, o dólar caiu ante a maioria dos emergentes, com a visão de que um Congresso na mão dos democratas pode acelerar medidas de estímulo fiscais no país. A RB vê chance de o dólar cair a R$ 4,80 ao final do ano, mas para isso é preciso firmeza fiscal do governo. Com a volatilidade, e o foco no fiscal, nem mesmo captações brasileiras tiveram impacto no câmbio. A Klabin está emitindo US$ 500 milhões em bonds sustentáveis e, segundo fontes, houve forte demanda. Já o BTG Pactual fechou na tarde de hoje emissão de US$ 500 milhões. Apesar da recuperação dos fluxos externos para a B3 e captações, o País fechou dezembro com fluxo cambial negativo de US$ 8,4 bilhões, informou o Banco Central. No canal financeiro, houve saída líquida de US$ 4,4 bilhões. Bolsa Para o dia que se desenhava até o fim da tarde, o fechamento do Ibovespa, abaixo dos 120 mil, foi do triunfo completo à decepção. Com a expectativa por mais estímulos fiscais nos EUA, em governo Biden com maioria na Câmara e no Senado, o Ibovespa, em linha com novas máximas em Nova York, rompeu nesta quarta-feira o pico intradia da segunda-feira, 4, para fincar nova referência histórica, bem perto dos 121 mil pontos. Nesta quarta-feira, o índice da B3 parecia, até os minutos finais, firme para também superar o recorde de fechamento de 23 de janeiro passado (119.527,63 pontos). Perto do fechamento, o índice cedeu e encerrou em leve baixa de 0,23%, aos 119.100,08 pontos, saindo de mínima na sessão a 118.916,94 para chegar, no melhor momento do dia, aos 120.924,32 pontos, com ganhos disseminados pelos setores de maior peso, embora moderados no fim. Reforçado, o giro foi a R$ 43,0 bilhões nesta terceira sessão do ano - em 2021, o índice avança 0,07%. O fechamento foi em tom menor, com o índice se afastando das máximas até perder e se afastar da linha dos 120 mil, tocada pela primeira vez na última sessão de 2020. Desde Wall Street, o fôlego cedeu na reta final do dia, quando manifestantes pró-Trump invadiram o Capitólio. Ainda assim, a percepção é de que o ruído tende a ser passageiro, uma vez expirado o atual mandato presidencial, em 20 de janeiro, em vista também da disposição manifestada nesta quarta-feira por Biden de "tentar trabalhar com pessoas de ambos os partidos". Contudo, a mobilização da Guarda Nacional e os relatos de que o tumulto deixou feridos (inclusive a bala) acendem luz amarela para a transição política no país. O quadro de fundo, econômico, ainda é favorável. "O cenário externo dá suporte aos ativos de risco, inclusive nos emergentes, com o mercado precificando nesta quarta de maneira bem agressiva mais estímulos fiscais, o que explica esta variação grande vista no yield de 10 anos dos EUA", diz Erminio Lucci, CEO da BGC Liquidez, acrescentando que a perspectiva favorece o incremento da recuperação observada na B3, que já vinha sendo observada nos setores cíclicos, como os de commodities, siderurgia, energia e bancos. "No curto prazo, o principal fator de risco é a extensão desta retomada de lockdown, caso os fechamentos venham a se alongar neste primeiro trimestre", acrescenta. "A economia americana puxa todo o resto, o que se reflete neste otimismo visível na Bolsa e especialmente nas commodities, os ativos que mais estão se beneficiando desta recuperação", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, que, considerando o nível de preços atual, observa oportunidades nos setores financeiro, de saúde e construção civil e, quando houver mais clareza sobre a reabertura, também nos de aviação e turismo, duramente descontados durante a pandemia. "As ações de bancos têm se recuperado e isso deve se manter, após um período de elevação de provisionamentos contra eventuais defaults, que acabaram não vindo", acrescenta Moliterno. Nesta quarta-feira, Vale ON fechou em alta de 2,81%, a R$ 95,61, à frente de Petrobras PN (+0,10%) e ON (+0,99%). Destaque também para ganho de 4,95% em Gerdau PN (na ponta do Ibovespa na sessão), de 4,11% em Usiminas (segunda maior alta do dia) e CSN, de 4,05%. Entre os bancos, Bradesco PN subiu nesta quarta 3,12%, com Itaú PN em alta de 2,77% e a Unit do Santander, de 2,48%. Na face contrária do Ibovespa, B2W (-6,93%) e Lojas Americanas (-5,74%) Juros Já impulsionados na sessão regular pelo temor de mais pressão fiscal no Brasil, os juros futuros avançaram ainda mais na etapa estendida. O movimento ocorreu na esteira do aumento da tensão política nos Estados Unidos, depois de manifestantes pró-Donald Trump invadirem o prédio do Capitólio. A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subiu de 2,904% na terça-feira para 2,945% na regular e 2,985% na estendida (na máxima). O janeiro 2023 passou de 4,305% para 4,420% (regular) e 4,465% (estendida). O janeiro 2025 foi de 5,774% a 5,930% (regular) e 5,980% (estendida). E o janeiro 2027 saltou de 6,503% a 6,700% (regular e estendida). O estresse no mercado de juros veio desde a abertura dos negócios, reverberando ainda o noticiário da véspera. Os investidores reagiram com desconfiança à fala do presidente Jair Bolsonaro, que na terça-feira cedo disse a apoiadores que o País estava "quebrado". A equipe econômica tentou conter a desconfiança, alegando que, ao fazer o alerta, o chefe do Executivo mostrava compromisso com as contas públicas. Mas o temor de a fala do mandatário preceder uma rodada de populismo fiscal trouxe desconfiança aos agentes. O gerente de renda fixa de uma corretora paulista lembra que a preocupação fiscal é uma tônica em todo o mundo, embora os países desenvolvidos tenham espaço ainda para reagir à aceleração da doença. "Hoje o fiscal pesou muito, com o mercado vendo uma chance de os auxílios voltarem porque a pandemia segue em alta e o lockdown pode voltar", comentou. Apesar do temor do mercado, na equipe econômica, os gastos sociais estão, neste momento, restritos à dotação já esperada do Bolsa Família. No período da manhã, o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) noticiou que o governo pretende editar uma Medida Provisória (MP) de reestruturação do programa, sem expansão do gasto dele, contudo. O mercado de juros se preparou, também, para o primeiro leilão de títulos pré-fixados do ano, a ser feito na quinta-feira cedo pelo Tesouro. Serão oferecidos lotes de LTN para 1º/4/2022, 1º/1/2023 e 1º/7/2024 e de NTN-F para 1º/1/2029 e 1º/1/2031. Haverá também LFTs para 1º/3/2022 e 1/3/2027. Os volumes serão conhecidos nesta quinta-feira.

Deixe seu Comentário

Leia Também