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Dólar tem maior queda diária desde junho com realização de ganhos e fluxo

12 janeiro 2021 - 22h06

O real teve dia de recuperação das perdas recentes nesta terça-feira, 12. Se na segunda-feira a moeda brasileira foi uma das divisas com pior desempenho internacional ante o dólar, nesta terça ficou na ponta oposta, com melhor performance. O dólar devolveu parte dos ganhos recentes ante moedas fortes e nos emergentes, em dia de noticiário morno e, que no Brasil, teve como destaque o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro e de 2020, mostrando aceleração da inflação e aquecendo o debate sobre a volta da alta de juros no País. No mercado doméstico, a perspectiva de entrada de fluxo prossegue, com os aportes seguindo na Bolsa e várias empresas, como o Itaú, captando recursos no mercado internacional, o que ajuda a retirar pressão no câmbio. No fechamento, o dólar à vista encerrou o dia em baixa de 3,29%, cotado em R$ 5,3226. Foi a maior queda porcentual desde 2 de junho de 2020, quando recuou 3,34%, então com a expectativa pela reabertura das economias. No mercado futuro, o dólar para fevereiro caiu 3,0%, a R$ 5,3260. O chefe da mesa de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, ressalta que não houve mudanças no cenário da segunda-feira para a terça, com o foco seguindo nos casos de covid e na vacinação, mas o humor dos participantes do mercado melhorou. "Houve um pouco de exagero ontem", disse ele. Há ainda, destaca Nagem, a perspectiva de que o Brasil continue recebendo fluxo externo, por conta da liquidez sem precedentes no mercado internacional. Só na primeira semana do ano, os estrangeiros aportaram R$ 10,7 bilhões na B3 e nesta terça o Ibovespa voltou a retomar os 124 mil pontos. Com a aceleração da inflação, o gestor e ex-diretor do Banco Central, Sergio Goldenstein, escreveu em seu Twitter nesta terça que os juros deveriam voltar a subir "em março ou maio", o que deve aliviar, caso não ocorram mais surpresas fiscais negativas, as pressões no câmbio. Ele observa que o juro real no Brasil está mais negativo que na Suíça, o que vem gerando distorções importantes no câmbio. "O real depreciou 30%, com performance relativa pior do que seus pares, mesmo com o BC tendo vendido cerca de US$ 60 bi em reservas e swaps cambial." "O Brasil se acostumou a conviver com diferencial de juros alto ou muito alto, sendo consistentemente um dos três mais altos do mundo", disse o diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra, em evento da XP nesta terça. Ele acrescentou que nenhum país com classificação de risco 'BB' pratica hoje taxa de juros de 2% ao ano, como o Brasil. Para ele, no longo prazo, o câmbio tende a voltar a uma situação de maior normalidade por questões estruturais. Juros Depois de uma reação de alta pela manhã com a surpresa do IPCA de dezembro, os juros futuros fecharam com viés de queda em todos os trechos da curva nesta terça-feira. Primeiro, porque as taxas já vinham recompondo prêmios nos últimos dias, e a melhora sensível do câmbio deu espaço para realização de lucros. Segundo porque a visão do mercado sobre os próximos passos do Banco Central já está "contratada". Ou seja, a instituição retirará o forward guidance para, depois, analisar o cenário de inflação e iniciar a trajetória de ajuste na Selic. A dúvida é quando. O mercado precifica chance de 13% de alta de 0,25 ponto porcentual na semana que vem, contra 44% em março, nos cálculos da Quantitas Asset Management. A aposta de parte do mercado é de que os fatores que fizeram a inflação saltam em dezembro foram deixados para trás. Os preços dos alimentos tendem a arrefecer, assim como os de energia elétrica. "Não vemos pressões de preços significativas devido à fraca demanda doméstica em tempos de fracas condições do mercado de trabalho e alta capacidade ociosa na indústria", pondera o MUFG em relatório enviado a clientes, ao projetar IPCA de 3,25% este ano, abaixo da meta de 3,75%. Neste sentido, o plano de voo do BC seguiria sem maiores surpresas. Primeiro, haveria a retirada do forward guidance de juros baixos e, depois, iniciaria a elevação dos juros. Nesta terça mesmo, Bruno Serra, do BC reafirmou que não há um "diagnóstico mecânico" entre o fim da orientação futura e a alta da Selic. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou com taxa de 3,15% (regular) e 3,14% (estendida), de 3,23% no ajuste de sexta-feira. O janeiro 2023 recuou de 4,896% a 4,81% (regular e estendida). E o janeiro 2027 cedeu de 7,254% a 7,11% (regular e estendida). Bolsa O enfraquecimento do dólar nesta terça-feira e o ajuste de baixa também observado na curva de juros, contribuiu para que o Ibovespa sustentasse ganho na sessão, recuperando a linha de 124 mil pontos nos melhores momentos do dia, em variação superior à observada nos índices de Nova York. Ao final, a referência da B3 mostrava alta de 0,60%, a 123.998,00 pontos, tendo oscilado entre mínima de 123.227,47 e máxima de 124.584,33 pontos, em faixa relativamente estreita se comparada às últimas sessões. Assim como na segunda, o giro financeiro se mostrou um pouco mais acomodado do que o observado entre quarta e sexta passadas, quando o índice renovou máximas históricas. Nesta terça, o volume foi de R$ 37,2 bilhões e, no ano, o Ibovespa avança 4,18%, com perda de 0,86% nesta semana. "Recuperando-se do processo de realização de ontem (quando fechou em queda de 1,46%), o Ibovespa voltou para a faixa de 124 mil pontos, com os bancos, mas foi o dólar que mais chamou atenção nesta terça - e sem uma forte intervenção do Bacen", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. O desempenho moderadamente positivo das ações de bancos (Santander +1,01%, Itaú PN +0,31%) foi o contraponto à realização em Vale ON (-2,74%) e ao desempenho negativo em Petrobras (PN -0,75%, ON -0,35%) e no setor de siderurgia, à exceção de CSN (+0,45%). Embraer segurou a ponta positiva do Ibovespa, em alta de 7,90%, seguida por Carrefour (+6,05%) e Rumo (+5,29%). No lado oposto, Intermédica, em baixa de 2,74%, devolveu pequena porção do forte ganho observado nas duas últimas sessões, com Gerdau PN mostrando perda de 2,76% e Copel, de 3,23%. "Os juros e o dólar avançaram muito neste começo de ano e havia espaço para uma correção, depois da sequência de altas para a moeda americana. Até que se tenha mais clareza sobre o fiscal, a partir da definição da próxima presidência da Câmara, é possível uma acomodação maior para o dólar, que o traga para a faixa de R$ 5,30 e R$ 5,20. A Bolsa continua barata para o estrangeiro em dólar e, caso Biden consiga colocar em votação pacote de US$ 3 trilhões, vai haver festa nos mercados", diz Jefferson Laatus, estrategista do Grupo Laatus. Para Alex Lima, head de gestão da Lifetime Asset Management, a inflação - que tem ficado na ponta acima do previsto - é um fator de risco não negligenciável que pode levar o BC a ter de mudar o forward guidance em breve. "Muitos (no mercado) têm errado nisso, e a inflação tem ficado acima do que se esperava", observa Lima. Ele chama atenção também para a conjuntura externa favorável mas não livre de riscos, inclusive no curto prazo. "O cenário é de juros amassados no mundo, dólar fraco e commodities para cima, o que já coloca, por exemplo, a ação da Vale a R$ 100. No curto prazo, há também o acompanhamento das estratégias de vacinação, o que resulta em prêmios que vão mudando com o tempo. Parece que agora estamos nos organizando um pouco melhor para a vacinação - pelo menos, as novidades têm deixado de ser negativas", acrescenta.

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