Menu
Buscarsábado, 24 de fevereiro de 2024
(67) 99913-8196
Dourados
34°C
Geral

Na contramão de NY, Bolsa fecha em baixa de 0,82%, aos 119.646,40 pontos

20 janeiro 2021 - 21h46

O Ibovespa conseguiu moderar as perdas observadas mais cedo para fechar o dia não tão distante dos 120 mil pontos, após ter chegado aos 118.739,87 na mínima desta quarta-feira, estendendo a correção iniciada na semana passada. Nesta quarta-feira, o índice da B3 fechou em baixa de 0,82%, a 119.646,40 pontos, a segunda perda seguida, com abertura a 120.644,50 e máxima a 121.449,10 pontos. O giro financeiro totalizou R$ 32,1 bilhões. Na semana, o Ibovespa cede 0,58%, limitando os ganhos no ano a 0,53%. O dia positivo em Nova York na posse de Joe Biden na presidência dos Estados Unidos, com ganhos de até 1,97% (Nasdaq), não foi o suficiente para que os investidores desviassem a atenção das preocupações brasileiras, especialmente sobre o avanço da vacinação, dificultado pela falta de disponibilidade imediata de princípios ativos para ampliar a produção dos imunizantes, por enquanto restrita ao Instituto Butantan. "O foco inicial de Biden será o combate à pandemia. Se for bem-sucedido, a economia irá melhorar, o que será positivo também para seu governo. O problema número um, para os Estados Unidos e o mundo, continua a ser a vacinação", diz Scott Hodgson, gestor de renda variável da Galapagos Capital, acrescentando que preocupações do mercado com relação ao governo democrata - mais tributação e regulação do setor tecnológico - devem ficar para depois: no segundo ou mesmo terceiro trimestre. "Uma nova era está começando e os investidores voltam a investir em ações graças às garantias da secretária indicada ao Tesouro, Janet Yellen, e do presidente do Fed, Jerome Powell, de que a economia dos EUA precisa de mais ajuda. O apelo de Yellen por uma ação 'grande' e a consistência 'dovishness' de Powell significam que a quantidade de estímulos só vai crescer no primeiro ano do presidente Biden", escreve em nota Edward Moya, analista da Oanda em Nova York. Em um ambiente global de afrouxamento monetário e expansão fiscal prolongada, o nível de precificação dos ativos pode vir a ser uma preocupação. "Estamos já em ambiente de bolha, não há dúvida. Temos o S&P 500 bem esticado e o Russell 2000 mais ainda, considerando a média móvel de 200 dias. No Brasil, já vemos um pouco de recuo do 'reflation trade', com Vale, siderurgia e bancos realizando", observa Hodgson, da Galapagos. "Aqui, acho que será como na eleição dos Estados Unidos: há barulho no cenário político e precisamos de uma resposta sobre as reformas, o que se espera que possa vir com a definição da presidência da Câmara, para então (o mercado) ajustar", acrescenta. Na B3, as perdas desta quarta-feira se distribuíram pelos setores de maior peso, como commodities (Vale ON -1,85%, Petrobras PN -1,67%), siderurgia (Usiminas -1,67%, Gerdau PN -2,06%) e bancos (Santander -2,56%, Bradesco PN -2,08%). Na ponta negativa do Ibovespa, PetroRio cedeu nesta quarta 3,66%, à frente de Embraer (-3,27%) e Santander (-2,56%). No lado oposto, B2W subiu 8,53%, Magazine Luiza, 5,56%, e Lojas Americanas, 4,06%. Dólar O dólar caiu nesta quarta-feira ante o real, em linha com os pares emergentes, à medida que o mercado cambial segue apostando em medidas fiscais a serem tomadas pelo novo presidente dos Estados Unidos. No discurso de posse, o democrata reafirmou o compromisso com o combate aos efeitos econômicos da covid-19, o que reforça a visão de que mais estímulos estão a caminho - sem a oposição da Casa Branca e com maiorias na Câmara e no Senado. O investidor segue de olho também na política monetária brasileira, à espera de que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a Selic a 2%, mas retire o forward guidance, que, no limite, abre espaço para um aumento de juros em breve. O dólar à vista fechou em queda de 0,63%, aos R$ 5,3118. No mercado futuro, o dólar para fevereiro caiu 1,28%, a R$ 5,2925. O discurso de posse de Biden nesta quarta deu a tônica de como serão os próximos quatro anos da gestão democrata frente à Casa Branca. O novo presidente americano reforçou que o combate à pandemia de covid-19 não passa apenas pela questão sanitária, mas também pela união de toda a nação. Implicitamente, ele apoiou o tom usado na terça pela futura secretária do Tesouro, Janet Yellen, que defendeu ao Senado que era necessário aprovar o novo pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão para "agir com grandeza" para superar a crise. "Vimos desde cedo um movimento do mercado em torno da posse do Biden, na expectativa que se gerou em torno do governo dele com os estímulos fiscais", frisou a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack. Em evento virtual do Centre for the Study of Financial Innovation, o economista Mohamed El-Erian, consultor-chefe do grupo Allianz e presidente do Queens College da Universidade de Cambridge, considerou apropriado o pacote fiscal trilionário proposto por Biden. "É uma resposta absolutamente certa", disse, ao reforçar que a liquidez que pode ser despejada na economia mundial este ano, em três frentes - fiscal, monetária e gastos das famílias - pode somar vários trilhões de dólares, entre 20% e 25% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Mas o estrategista-chefe para mercados emergentes do Deutsche Bank, Drausio Giacomelli, ponderou que os países emergentes precisam fazer a "lição de casa" porque caso a economia americana ganhe muito impulso diante dos estímulos fiscais que estão sendo preparados, o dólar vai se fortalecer, afetando os fluxos. "Isso não deve acontecer agora. Enquanto o mundo estiver em recuperação, o euro deve refletir melhor os fundamentos das economias dominantes na região e com espaço para apreciar ante o dólar. Mas a economia dos EUA pode ganhar tanta tração que passe a atrair mais recursos que a Europa, e podemos ver o euro novamente a US$ 1,15", comentou, em live promovida pelo jornal Valor Econômico. Mesmo em baixa nesta quarta, depois de indicadores fracos da zona do euro, a moeda comum operava a US$ 1,21. Para Giacomelli, do Deutsche, a política monetária brasileira pode ter exagerado ao levar a Selic até 2%, mas que o Banco Central tem tempo para corrigir a rota. "Talvez devesse ter parado em 3%. Foi demais? Provavelmente, mas isso não tem gerado distorção séria na economia além da sobredesvalorização do real", opinou, ressaltando que atualmente a moeda brasileira é uma das mais depreciadas do mundo. Juros Os juros futuros terminaram a quarta-feira de decisão do Copom com viés de baixa na parte intermediária e de alta na ponta longa, enquanto os curtos ficaram estáveis. Os cenários fiscal e político incertos e a expectativa pelo comunicado do Copom (que ainda não havia sido até o fechamento deste texto) limitaram a dinâmica das taxas e o volume negociado. No início da tarde, a curva toda bateu mínimas num momento de maior fraqueza do dólar e percepção de que colegiado poderia trazer uma comunicação mais conservadora ao justificar a esperada retirada do forward guidance da política monetária. Diante dos fatores internos, o mercado de juros, mais uma vez, não compartilhou do bom humor visto no exterior, em dia de posse do presidente Joe Biden. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 3,24% (regular) e 3,215% (estendida), ante 3,24% no ajuste de terça, e a do DI para janeiro de 2023 passou de 5,001% para 4,96% (regular) e 4,93% (estendida). O DI para janeiro de 2025 terminou com taxa de 6,48% (regular) e 6,45% (estendida), de 6,495% na terça. A do DI para janeiro de 2027 avançou a 7,15% (regular) e 7,13% (estendida), de 7,124%. Entre os agentes, a avaliação é que quedas mais pronunciadas das taxas têm tido vida curta em função do quadro de incertezas, apesar da curva brasileira seguir como uma das mais inclinadas do mundo, com prêmios atrativos. O calendário caótico da vacinação contra covid-19 no Brasil segue inspirando cautela, na medida em que o atraso na imunização prorroga a retomada da economia e pressiona o governo a retomar os benefícios fiscais, como o auxílio emergencial, ainda mais dada a piora da popularidade do presidente Jair Bolsonaro. "O mercado está louco para tomar risco, tem muito dinheiro sobrando no mundo, mas a agenda de reformas não anda e o cronograma de vacinação está um fiasco", disse o trader de renda fixa da Sicredi Asset Danilo Alencar. A expectativa geral do mercado é de que a Selic seja mantida em 2% e que o forward guidance, segundo o qual o Copom não pretende reduzir o estímulo desde que satisfeitas determinadas condições, seja abandonado, na medida em que as expectativas de inflação vêm caminhando na direção das metas e não há avanços nas reformas. Entre 79 investidores institucionais consultados pela XP Investimentos, 70% esperam que a sinalização seja abandonada nesta quarta. Outros 25% esperam o fim do instrumento em março e 5%, em maio ou depois. "Se o forward guidance for mantido, a leitura amanhã será dovish", disse Alencar. Ele ressalta, ainda, que o mercado de juros pode ter ficado mais cauteloso à tarde em função do leilão de prefixados nesta quinta-feira, com os agentes antecipando posições de hedge.

Deixe seu Comentário

Leia Também