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Opinião

E o tio Alfio se foi...Cedo ou tarde?

22 março 2011 - 15h23Por Roberto Senatore Fedrizzi

Na última sexta feira, dia 18 de março de 2011, sepultamos o tio Alfio Senatore, após um sofrimento silencioso mas que o vinha corroendo já há alguns anos... Em seu velório na minha querida terra natal – Dourados - revi vários primos e parentes e alguns ex atletas como Buca (um craque na época que chegou até o São Paulo!!) que o próprio tio Alfio dirigiu durante uns tempos como técnico de futebol do Operário.... Também revi velhos amigos de nossa infância em Dourados como o Ricardo Muguinho (Miguel), o João Carneiro Neto e outros que foram lá dar o seu último adeus ao velho sonhador...

Falar de alguém pós morte é complicado pois podemos nos esquecer de detalhes importantes da personalidade do homenageado ou do referido. no caso do tio Alfio, um sujeito multifacetário, uma hora na área empresarial com várias atividades(e às vezes aventuras empresariais) com destaque para a sua lista telefônica de Dourados e região (acho que por último era chamada de Elitel- aqui tem) que se firmou no mercado há mais de 20 anos. Outra hora na área esportiva levando clubes douradenses a disputar o campeonato estadual de futebol, com poucos recursos - normalmente do próprio bolso, apenas pelo amor que tinha pelo esporte.

Algumas pessoas do Dourados antigo lembrar-se-ão dele como um grande pé de valsa nos anos 60 e 70 e também como o irmão mais novo da d. Ymera, aquele que depois de ter sido organizador de shows, bailes, jogador de futebol (chegou a ser o 3º goleiro reserva da Portuguesa de SP) virou técnico de televisão, tornando-se um dos primeiros donos de uma eletrotécnica de Dourados (na época ter uma tv era considerado algo para ricos, para poucos, um sinal de status!!), a TV Som, com a qual trabalhou por vários anos. Depois, atendendo a convite de meu pai, Vittório Fedrizzi, foi para a região do Aripuanã, Alta Floresta, trabalhar com motel, boate e restaurante.

Sua personalidade sempre foi considerada forte, polêmica, a ponto de ter arrumado  diversas confusões por onde passou (no futebol, nos negócios e em outras), ou seja, nunca passou despercebido... Às vezes era a favor da Lei de Gerson, tentava tirar vantagens extras em certas situações, o que mais o prejudicou do que o favoreceu.

Nos últimos anos, sempre nos natais da família queria mostrar-me uma nova fórmula de “ficar rico rápido”, ora com um sistema de jogo para a mega, ora com algum outro negócio da China!! Chegava a ser engraçado em alguns momentos... Vai saber se não estava certo em alguns casos? Talvez tenha lhe faltado uma organização e capital, nunca coragem para empreender e arriscar, como o fez recentemente montando uma sorveteria com seus filhos.

Em minha última ligação para ele na semana antes do seu passamento, já com a voz bem fraca, propus a ele tomar um produto mexicano muito bom para câncer, ele cortou-me dizendo "Beto, vamos vender anúncio da lista!!”

Estamos sentindo, um pouco tristes por um lado , mas alegres por outro lado, pois sabemos que no plano espiritual ele estará melhor, ouvindo os conselhos do sr. Vittório Fedrizzi e do sr. Tonnani, das histórias e estórias do sr. Rômulo Vieira, dos causos e violadas do meu irmão, Sandro Senatore Fedrizzi, das graças do seu irmão Nelson Senatore e do seu outro irmão Edson Senatore.

Ficamos assim, tio Alfio, “cedo ou tarde a gente vai se encontrar, tenho certeza numa bem melhor”.

Seu sobrinho e fã,

Beto Senatore Fedrizzi