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ELEIÇÕES

Estudo revela novos dados

Professora da UFGD comenta falta de identificação do eleitor com candidato

29 março 2022 - 14h56Por Redação Douranews

Um dado extraído das estatísticas mais recentes do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) vem causando grande mobilização nas redes sociais e chegou a ser um dos assuntos mais divulgados pela imprensa brasileira nos últimos dias: a Justiça Eleitoral registrou o menor número, em três décadas, de jovens entre 15 e 17 anos com título de eleitor. Esse período considera toda a série histórica computada pela instituição. Recente campanha pelas redes sociais contribuiu, contudo, para que pouco mais de 850 mil jovens dessa faixa retirassem o título, nos primeiros três meses do ano.

No Brasil, mesmo não sendo obrigatório, adolescentes de 16 e 17 anos têm direito ao voto e, ainda, quem tem 15 anos agora, mas completa 16 até o dia 2 de outubro – data do primeiro turno das eleições de 2022 – também pode solicitar o título de eleitor. A obrigatoriedade, no entanto, somente se dá aos 18 anos de idade.
  
Professora da Fadir (a Faculdade de Direito e Relações Internacionais) da Universidade Federal da Grande Dourados, Deborah Silva do Monte explica que o interesse dos jovens por temas políticos, fenômeno percebido nas redes sociais, é diferente da efetiva participação desse mesmo grupo na política. “É importante que o interesse se traduza em ações concretas, como a participação em coletivos, partidos políticos, movimentos estudantis e sociais, por exemplo. O debate é importante para a política, seja no ambiente virtual ou não, e a informação é o combustível das decisões políticas”, pontua a docente.
 
Ela diz que a tarefa é árdua e exige de diferentes instituições sociais e políticas o trabalho de qualificar o ambiente virtual com informações corretas e discussões profundas, com linguagem acessível. “É necessário ampliar os ambientes de discussão e democratizar o acesso à informação de qualidade sem, contudo, reduzir temas complexos a ‘memes’”, completa a professora, que é doutora em Relações Internacionais e atua em pesquisas sobre teoria democrática e regimes políticos.
   
Em Mato Grosso do Sul, até fevereiro deste ano, 1.861.285 eleitores estavam alistados, conforme dados do TSE. A maior parte desse número é formada por mulheres (52,7%), ante 47,2% de homens. Ou seja, o perfil do eleitorado sul-mato-grossense é feminino e, em buscas no Portal do TSE, encontramos ainda outras características: majoritariamente jovem e etnicamente diverso. Entretanto, a participação política é preocupante: em 2020, 25,12% dos cidadãos votantes de Mato Grosso do Sul se abstiveram. O percentual nacional no primeiro turno foi de 23,14%. Afunilando-se ainda mais o gargalo eleitoral, no município de Dourados 27% dos eleitores deixaram de ir às urnas.
 
Sob a análise da professora Deborah, que foi mais a fundo e traçou o perfil dos candidatos que disputaram as eleições naquele ano, a abstenção pode estar ligada à representatividade. “A maioria dos candidatos era do sexo masculino, com idade entre 40 e 59 anos e branca. Não corresponde ao perfil do eleitorado. Podemos concluir que aumentar a representatividade é necessário, fazendo com que a classe política ‘se pareça’ com os cidadãos que ela representa”, conclui, alegando que, para isso, uma maior participação política de todos os grupos de cidadãos é essencial.