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Saúde

Anvisa vai investigar motivo da desigualdade de acesso a analgésicos

02 março 2011 - 21h30Por Redação Douranews, com Exame

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) vai investigar o motivo da desigualdade ao acesso de analgésicos, apontado nesta quarta-feira (2) pelo relatório da relatório anual da Jife (Junta Internacional de Fiscalização de Estupefacientes).

De acordo com o estudo divulgado nesta quarta-feira (2), 90% dos remédios para a dor são consumidos por 10% da população mundial, que se concentra em países como Estados Unidos, Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Europa. Apesar do consumo concentrado, 80% da população mundial precisa desses remédios.

A informação de que a Anvisa vai se debruçar sobre esse assunto é do presidente interino da agência, Dirceu Barbano.

- O relatório traz um dado sobre os quais as autoridades, incluindo a Anvisa, devem estar muito atentas. Essa discrepância do uso de analgésicos entre os países é algo que precisa ser observado com muito cuidado.

De acordo com o presidente da agência, o motivo mais provável do baixo acesso da população brasileira a esses remédios é o controle sanitário.

- Há muito tempo que se fala no Brasil que talvez o controle sobre a circulação e prescrição de analgésicos opioides, como é o caso da morfina, geram uma dificuldade de acesso das pessoas a esses medicamentos.

Barbano chamou a atenção para o fato de que, mesmo que se constate que há abuso do uso desses medicamentos em alguns países, o tamanho da discrepância - nos Estados Unidos são usadas 25 mil doses por milhão de habitantes por dia , e no Brasil 200 doses por milhão ao dia indica que o acesso a esses medicamentos no país pode ser restrito demais.

- Certamente nós vamos chegar a conclusões da dificuldade de acesso das pessoas ao tratamento da dor com esses analgésicos mais potentes em outras partes do mundo, incluindo o Brasil.

A Anvisa lembrou que o perfil de segurança e de eficácia desses produtos (analgésicos contra a dor) é muito bem estabelecido. E que o controle se ampliou hoje esses produtos são autorizados por receituário muito controlado pela vigilância sanitária porque eles têm potencial efeito sobre o sistema nervoso central. E, portanto, passaram a ser usados para fins que não são médicos, o que precisa ser combatido.

- Nós precisamos observar qual é impacto do controle, porque esse controle se intensificou dado ao potencial efeito sobre o sistema nervoso central. De substâncias que passaram a ser usados para fins que não são médicos.