Em Mato Grosso do Sul, muitos produtores já se prepararam para realizar a colheita do milho que deve ter início no próximo mês. Por causa da incerteza da safra, que teve praticamente metade da área plantada fora do prazo recomendado pelo Ministério da Agricultura, os agricultores devem estar atentos na hora de vender a produção.
O produtor rural Celestino Piovezan está satisfeito com o desenvolvimento do milho, principalmente porque nesta safra decidiu aumentar a área plantada em mais de 30%. No total foram cultivados 160 hectares. Para aproveitar os bons preços do mercado, o produtor vendeu 40% da lavoura antecipadamente com o preço de R$ 21,50 pela saca de 60 quilos.
“É uma segurança para gente ter certeza de receber o dinheiro e vender a um preço razoável a produção para liquidar despesas e dívidas de banco, por exemplo”, conta Celestino.
Mesmo prevendo queda no preço do milho, o agricultor afirma que vai vender o restante da produção depois da colheita. “Acredito que o preço vai se manter, talvez em um nível mais baixo do que vendemos agora, mas deve ficar entre R$ 18 e R$ 20”, prevê o agricultor.
Segundo os economistas, a previsão dos agricultores deve se confirmar. Em Mato Grosso do Sul o produtor que tem grão disponível nos armazéns está recebendo R$ 24 pela saca. Com o início da colheita a tendência é que esse valor caia para R$ 22 e no fim chegue a R$ 18. Além do aumento da oferta vários fatores no mercado interno e externo devem contribuir para a queda nos preços.
Para o produtor que ainda não negociou a produção, o economista Leonardo Mussury orienta que é preciso estar atento a essas oscilações do mercado para aproveitar melhores preços de venda.
“Aquele agricultor que tem produto para ser colhido em agosto e não quer correr o risco de fazer um contrato e ter uma frustração de safra em função de uma ausência de chuvas ou de uma geada, eu recomendo que não negocie nesse momento. Agora para os produtores que já tem safra definida para julho, eu diria que é o momento ideal para começar as negociações de venda”, explica o economista.
Os produtores ainda devem prestar atenção no clima, principalmente aqueles que plantaram no fim ou depois do zoneamento agrícola, já que as geadas e a estiagem podem prejudicar a produção e modificar novamente o mercado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), metade das lavouras no estado foram cultivadas fora do período recomendado.