O ministro da Justiça José Eduardo Cardozo informou na tarde de ontem (17) que tropas da Força Nacional e a Polícia Federal vão acompanhar os técnicos agropecuários e proprietários rurais que vão vacinar contra a febre aftosa as 68 mil cabeças de gado que estão nas 11 propriedades rurais nos municípios de Corumbá e Porto Murtinho invadidas por índios kadiwéu desde a semana passada.
A decisão ocorreu após reunião, que durou mais de uma hora, do governador André Puccinelli, secretários de Mato Grosso do Sul, representantes de órgãos federais ligados à questão indígena e dos produtores rurais no Ministério da Justiça, em Brasília.
O contingente e a forma como será a atuação dos policiais serão definidos ainda hoje (18). A decisão foi tomada após o governador André Puccinelli explicar ao ministro José Eduardo Cardozo, aos representantes da pasta e de outros órgãos federais a situação existente nas fazendas. “A obrigação com as questões indígenas é da União, por isso chamamos atenção para que pelo menos nos ajude”, enfatizou o governador após o encontro, destacando que o governo do Estado fez investimentos na área socioeconômica para amenizar os problemas das questões indígenas.
Puccinelli se colocou à disposição para buscar uma solução neste impasse. “A Força Nacional e a Polícia Federal são para garantir que os produtores vacinem seu gado”, destacou. A presença da Força Nacional é para garantir a “segurança jurídica”, completou Eduardo Riedel, presidente da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) que também participou do encontro, explicando que caso haja algum conflito durante os trabalhos, a proteção dos técnicos agropecuários e dos donos das fazendas só pode ser feita por policiais vinculados ao governo federal.
Também o presidente da Famasul e o governador destacaram que neste momento não se está discutindo a reintegração de posse das terras, mas sim a sanidade animal com a vacinação contra a febre aftosa de 68 mil cabeças de gado. A decisão sobre o retorno dos proprietários está na esfera judicial. “O ministro foi claro em focar na sanidade animal”, destacou Riedel.
Além do governador e de Riedel, participaram da reunião com o ministro, a vice-governadora Simone Tebet, as secretárias de Educação, Nilene Badeca e de Trabalho e Assistência Social, Tania Garib e o secretário de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini. Também estiveram presentes representantes da AGU (Advocacia Geral da União), da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), Funai (Fundação Nacional do Índio), Polícia Federal e do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).