A área a ser plantada com soja na safra 2012/13 deverá crescer 8,4% em relação à temporada passada, para 27,22 milhões de hectares, de acordo com um levantamento divulgado nesta segunda-feira pela consultoria Safras & Mercado. Se o aumento for confirmado e o clima ajudar, a produção brasileira da oleaginosa no próximo ciclo poderá bater recorde, com um total de 82,23 milhões de toneladas, avanço de 24,1% sobre a safra anterior.
Para o analista Flávio França Jr., uma série de fatores sinaliza este forte aumento no plantio da soja. “A média de lucratividade bruta foi novamente positiva e há ainda o aumento na disponibilidade de crédito oficial e privado. Apesar das perdas de produção, os altos preços vêm compensando parcialmente esse gargalo”, explica.
Segundo França Jr., o cenário de preços firmes em Chicago e no mercado interno deverá se estender a 2013, inclusive tendo em vista que mais de 35% da safra nova do país já foi comercializada. “Existe ainda uma positiva sinalização da demanda. Apesar de crise financeira e econômica, o consumo mundial segue subindo”, avalia.
Já o milho deve perder espaço na safra de verão 2012/13 na região Centro-Sul do país. A Safras & Mercado acredita em uma redução de 14,2% na área ante o ciclo anterior, com 5,08 milhões de hectares. Em condições climáticas normais, a produção da primeira safra poderia ficar em 28,11 milhões de toneladas. No ciclo 2011/12 foram colhidas 28,87 milhões de toneladas.
Para a segunda safra de milho, a chamada “safrinha”, a consultoria estima uma queda de 10% na área plantada, que totalizaria 6,27 milhões de hectares. A produção da safrinha está estimada em 33,97 milhões de toneladas, abaixo das 37,71 milhões de toneladas previstas para a temporada anterior. Assim, a área total de milho no Centro-Sul está estimada em 11,35 milhões de hectares, baixa de 11,9%. A colheita seria de 62,09 milhões de toneladas.
O algodão terá um recuo ainda mais significativo que o milho, segundo a Safras. Os preços baixos praticados no mercado doméstico de algodão pelo segundo ano consecutivo, em contraste com a alta ocorrida na soja e no milho, deverão reduzir em 20,3% a área cultivada com a fibra em 2012/13, para 1,10 milhão de hectares.
Em Mato Grosso, maior produtor nacional, a retração esperada é de 19,7%; na Bahia, de 22,9% e em Goiás, queda de 15,8%. Nessas condições, a produção da pluma deve alcançar 1,67 milhão de toneladas, retração de 9,8% ante 2011/12.
“O recuo só não é maior porque os cotonicultores, com altos investimentos em tecnologias destinadas ao cultivo de algodão, seguirão plantando, mas destinando uma maior parte de suas terras às outras culturas com possibilidade de rentabilidade maior”, explica o analista Elcio Bento.
Em Mato Grosso, por exemplo, considerando-se os preços atuais, a produtividade da safra anterior e o custo de produção atual, enquanto soja e milho têm rentabilidade positiva de 43,4% e de 20%, respectivamente, a do algodão está negativa em 10,3%. (Valor Econômico)