Em nota conjunta distribuída ontem (3), a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS e a Acrissul (Associação de Criadores de MS) defendem a necessidade da atuação das forças armadas em Mato Grosso do Sul. A proposta foi apresentada pelo presidente da Famasul, Eduardo Riedel, a produtores reunidos na manhã desta segunda-feira, na sede da Acrissul, e será levada hoje (4) à apreciação da bancada federal do Estado, em Brasília.
As duas entidades relatam que o pedido de intervenção levado em diversas ocasiões ao governo federal, alertando para o risco de violência, foi continuamente ignorado. Depois da reintegração de posse da fazenda Buriti, realizada pela Polícia Federal, onde foi morto o índo Oziel Gabriel, os indígenas invadiram outras três fazendas, chegando a 65 o número de propriedades invadidas no Estado.
Além da Buriti, a sede de outra propriedade foi queimada, gerando ainda mais insegurança entre os produtores. “Sou o novo sócio do clube dos invadidos. Mas essa conta não é minha”, lamenta o produtor Nilton Carvalho da Silva Filho, proprietário da fazenda Esperança, invadida sexta-feira (31), em Aquidauana.
O presidente da Famasul justifica a necessidade das forças federais para garantir a ordem púbica e evitar novas invasões.
“Vemos hoje no Estado uma resistência injustificada a ordens judiciais como se fossem meros mecanismos de reivindicação. Vivemos um quadro de desobediência civil e precisamos restabelecer o estado democrático de direito”, avaliou.