Mato Grosso do Sul, o segundo Estado com a maior população indígena do Brasil, de acordo com o último censo divulgado pelo IBGE, com cerca de 72 mil indígenas [o primeiro é o Estado do Amazonas, com quase 170 mil], discute um projeto de viabilidade para realizar, em 2016, um evento que vai discutir a agroecologia na visão do povo terena, índios que praticam a agropecuária. Entre as instituições envolvidas nesse projeto estão duas Unidades ecorregionais da Embrapa, a Agropecuária Oeste de Dourados e a Pantanal de Corumbá, além da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).
As lideranças terena das Terras Indígenas de Taunay/Ipeque (de Aquidauana) e Lalima e Cachoerinha (ambas de Miranda) aproveitaram a Feira de Sementes Nativas e Crioula e Produtos Agroecológicos realizada em Juti no sábado (11) passado, para apresentar, nesse primeiro encontro, a ideia inicial. "Esse projeto envolve mulheres, jovens, anciões, rezadores e lideranças tradicionais. O evento que queremos elaborar para 2016 se propõe a debater a agroecologia dentro da ótica do Povo Terena, com abordagem mais ampla, extrapolando o arco teórico ambiental e econômico, fortalecendo nossos valores tradicionais", explica Leosmar Terena, assessor regional do Projeto Gati (Gestão Ambiental e Territorial Indígena).
"Queremos nos unir com as demais etnias, universidades, instituições de pesquisa, extensão rural, prefeituras e outros possíveis apoiadores para construirmos de forma conjunta um projeto de futuro comum, criando caminhos sustentáveis aos padrões atualmente dominantes de desenvolvimento", destaca o assessor do Projeto Gati, e ainda menciona: "Dentro desse contexto, numa abordagem intercultural, conciliando os saberes tradicionais do povo indígena com os saberes acadêmicos/técnicos, queremos apontar alternativas que não prejudique o homem, a natureza e o futuro de milhares de crianças".