Prestes a completar seis anos, o roubo ao Banco Central de Fortaleza voltou aos noticiários com a estreia, ontem (22), do filme “Assalto ao Banco Central”, megaprodução nacional dirigida por Marcos Paulo. Nos dias 6 e 7 de agosto de 2005 foram roubados do cofre do banco R$ 164,7 milhões, tudo em notas de R$ 50, quantia que consagrou o assalto como o maior da história do país e o segundo maior roubo a banco do mundo.
O Ministério Público Federal denunciou mais de 120 suspeitos por envolvimento no crime, dos quais 36 teriam participação direta no assalto. Do total de denunciados, quase 50 foram condenados, 11 foram absolvidos e 65 aguardam julgamento. Restam dois foragidos, que vivem em vilarejos do sertão do Ceará tal qual o bando de Virgulino Lampião: fugindo da polícia, praticando crimes e intimidando a população local
Antônio Celso dos Santos, delegado da Polícia Federal que presidiu as investigações do crime e interrogou todos os envolvidos, atualmente trabalhando como adido da PF no Paraguai, critica os livros e o filme sobre o assalto, os quais, segundo ele, estão longe de relatar os fatos com verossimilhança.
Em entrevista ao site UOL Notícias, Santos diz que a PF conseguiu resgatar cerca de R$ 20 milhões em espécie. Já o BC recuperou R$ 20,3 milhões com bens adquiridos com o dinheiro do assalto, cujos valores de mercado são muito inferiores aos que foram pagos pelos criminosos nas operações para lavar dinheiro. Para o delegado, “não há como recuperar mais dinheiro”, em razão do tempo que já se passou.
O assalto foi um exemplo de ousadia dos criminosos. Com equipamentos rudimentares, eles conseguiram cavar um túnel de 90 metros da casa que alugaram até o cofre do BC e levar três toneladas de dinheiro sem serem notados.