Três pastores, um diácono e fornecedores deverão depor na Delegacia de Defraudações e Falsificações de Vitória para explicar o suposto esquema de desvio de dinheiro doado por fiéis da igreja cristã Maranata. O vice-presidente da igreja, Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e o contador, Leonardo Meirelles de Alvarenga, já foram intimados.
O esquema de corrupção foi identificado pela própria igreja Maranata, após denúncias feitas em setembro de 2011. Depois de uma auditoria interna, foi descoberto o rombo de R$ 2,1 milhões, o que motivou o afastamento dos acusados da instituição. Já este ano, a estimativa é de que esse valor supere os R$ 20 milhões, conforme apontam as investigações federais.
Segundo o Ministério Público Federal, as denúncias apontam para diversas irregularidades e crimes que estariam ocorrendo na gestão da igreja, e que parte dos dirigentes da instituição estaria utilizando os bens em benefício próprio.
Os fiéis se manifestaram indignados com o desvio de verba e com denúncias sobre a compra de carros luxuosos por membros da igreja, além da compra de equipamentos sem nota fiscal e superfaturados.
Há a suspeita de que dinheiro do dízimo arrecadado em 4.709 templos no país seria enviado para a caixa do presbitério da Maranata, em Vila Velha, na grande Vitória, onde está localizada a sede da Igreja.
A instituição, que reconheceu a gravidade da situação, se manifestou em nota afirmando que irá processar os suspeitos de desvios de dízimo. A devolução do dinheiro desviado também já foi requerida à Justiça.
Se comprovada a irregularidade por parte dos representantes da igreja Maranata, os acusados poderão pegar mais de 20 anos de cadeia, segundo informações do delegado da Delegacia de Defraudações e Falsificações, Gilson Gomes.
Dos 2.378 pastores da Igreja Cristã Maranata, 838 estão no Espírito Santo, atuando em 1.669 igrejas.