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"Máfia" de Cachoeira fazia reuniões no apartamento de Demóstenes

04 de abril 2012 - 14h29 Por Redação Douranews
"Máfia" de Cachoeira fazia reuniões no apartamento de Demóstenes

Grampos da Polícia Federal indicam que o apartamento funcional em que mora o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) em Brasília serviu de ponto de encontro da cúpula da chamada "máfia dos caça-níqueis" em Goiás e no Distrito Federal. Em conversas interceptadas pela Operação Monte Carlo, o sargento Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, apontado como um dos operadores de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, relata uma reunião de integrantes do esquema no local.

No telefonema que durou 17 minutos, gravado em 21 de dezembro de 2010, Dadá diz a Lenine Araújo de Souza,  segundo homem na hierarquia do esquema, responsável pela administração contábil do grupo, conforme a PF, que está no Bloco C da Quadra 309, na Asa Sul, em Brasília. Trata-se do chamado bloco dos senadores, onde Demóstenes e outros parlamentares ocupam apartamentos funcionais cedidos pelo Senado. "Está aonde?", indaga Lenine. "Aqui na 309, Bloco C, no estacionamento, na Sul, na Asa Sul", responde o sargento. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo as transcrições, foram ao local Cachoeira, a quem Dadá e outros integrantes do grupo se referem como "o homem"; Cláudio Dias de Abreu, citado no inquérito como sócio do empresário em negócios ilegais; e Wladimir Garcez Henrique, que seria seu braço direito, encarregado de obter facilidades nas Polícias Militar e Civil de Goiás. O Bloco C e o Bloco G, onde mora Demóstenes, são unidos e têm estacionamento e portaria comuns. Eram cerca de 16h40 e, na conversa, Dadá dizia estar em frente ao prédio desde a hora do almoço. "O homem está aqui, Cláudio, está aqui, não posso sair", explicou a Lenine. Demóstenes estava em Brasília nesse dia, conforme registros do Senado. Procurado ontem, o advogado dele, Antônio Carlos de Almeida Castro, não se pronunciou. O inquérito da Monte Carlo comprova a extensa teia de relações do grupo, que se valia de contatos nos mais diversos órgãos. Segundo o inquérito, Cachoeira controlava o jogo em Goiás e no Distrito Federal. O dinheiro obtido como comissão de operadores das casas de jogos era ‘lavado’ em diversas empresas, retrata reportagem do portal Terra.