A atuação da inteligência americana no Brasil não se limita à espionagem eletrônica, revelada em documentos do ex-analista da NSA (Agência de Segurança Nacional, sigla em inglês) Edward Snowden. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo deste domingo (15), reproduzida pelo Terra, agentes da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, trabalham livremente no País por meio da parceria entre a Embaixada americana e a Polícia Federal, - formalizada em 2010, mas ativa na prática desde muito antes disso. À época, a justificativa para o convênio era que o auxílio entre americanos e brasileiros serviria para o combate às drogas. Depois do 11 de Setembro, no entanto, o foco passou a ser o terrorismo.
Os americanos estão espalhados pelo Brasil atrás de informações sobre residentes no Brasil, brasileiros ou não. Policiais federais, militares da inteligência do Exército e funcionários do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência da República entrevistados dizem que eles dão a linha em investigações e apontam quem deve ser o alvo dos policiais federais. Os americanos mantêm escritórios próprios no Rio de Janeiro, com a justificativa da realização da Copa do Mundo e da Olimpíada de 2016, e em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, para vigiar a atuação das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) na fronteira. Cinco bases da PF para o combate ao terrorismo funcionam hoje no País: no Rio, em São Paulo, em Foz do Iguaçu/PR e em São Gabriel da Cachoeira. Todas contam com equipamentos e tecnologia da CIA para auxiliar nos trabalhos e há agentes americanos atuando em parceria com os brasileiros. Procurada, a Embaixada dos EUA no Brasil não se pronunciou.
Espionagem
Matéria do jornal O Globo de 6 de julho já havia denunciado que brasileiros, pessoas em trânsito pelo Brasil e também empresas podem ter sido espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, que virou alvo de polêmicas após denúncias do ex-técnico da inteligência americana Edward Snowden. A NSA teria utilizado um programa chamado Fairview, em parceria com uma empresa de telefonia americana, que fornece dados de redes de comunicação ao governo do país. Com relações comerciais com empresas de diversos países, a empresa oferece também informações sobre usuários de redes de comunicação de outras nações, ampliando o alcance da espionagem da inteligência do governo dos EUA.