Seis vereadores da bancada evangélica da Câmara de Curitiba saíram do Plenário, nesta quarta-feira (19), durante a participação de Laiza Minelly, presidente do Grupo Esperança - organização não governamental voltada aos direitos de travestis e transexuais. Ela foi convidada pela vereadora Professora Josete (PT) e falou sobre os 20 anos do grupo. Ao todo, a bancada é formada por onze parlamentares.
Consultados pelo G1, os vereadores negam uma possível relação entre as ausências no Plenário e convicções religiosas. Chico do Uberaba (PMN) e Thiago Gevert (PSC) afirmaram que saíram porque participaram de uma reunião com o bispo Gabriel Paz da Igreja Mundial. O parlamentar Dirceu Moreira (PSL) disse que precisou sair para receber representantes do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR). “Eu não sabia o teor da tribuna livre. Eu, realmente, tinha agendamento às 11h”, justificou Moreira. Eles voltaram ao Plenário após os compromissos.
A peemedebista Noemia Rocha afirmou porque estava com dor de dente e tinha uma consulta marcada. Ela ressaltou que avisou publicamente a ausência à Mesa Diretora. “Mas eu também posso questionar quando um pastor vai falar, e [os vereadores] saem. Vai virar uma guerra santa. Mas toda vez que este grupo aparece lá existe este contexto de preconceito, mas é só acompanhar as sessões da Câmara que vão ver que muitos vereadores saem no horário da tribuna livre”, afirmou a vereadora.
Já o vereador Valdemir Soares (PRB), de acordo com a assessoria de imprensa, tinha uma videoconferência agendada. E o vereador Ailton Araújo (PSC) não deu um retorno até a publicação desta reportagem.
Laiza Minelly não avaliou a saída dos vereadores com uma atitude preconceituosa e falou em livre arbítrio. Ela destacou as conquistas que o grupo teve nestes 20 anos de atuação e considerou que apenas o fato de ter o reconhecimento da Câmara, com a presença de boa parte dos vereadores, é algo significativo. “Eu não posso julgar que foi por isso, porque eu estaria sendo preconceituosa. Mas, assim, de alguma maneira, a gente falou da questão porque é um momento importante, um momento ímpar (...). Enfim, eu não penso desta maneira. Eu seria egoísta. As pessoas têm o direito de pensar diferente também”.
Segundo Minelly, ela não soube quais os vereadores saíram. “É o direito das pessoas, eu nem fui atrás para saber de que bancada eram. Se for pensar assim, eles perderam a oportunidade de conhecer uma parcela da sociedade, um segmento que eles não conhecem. Eles que perderam, eu fiz o meu papel”, disse.
Também saíram do Plenário os vereadores Jairo Marcelino (PSD) e Sabino Picolo (DEM), que não integram a bancada evangélica.