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Reportagem mostra gambiarras de desembargador do TJMS

Fantástico aponta relatório do CNJ sobre atitudes de Divoncir

25 maio 2026 - 07h44Por Redação Douranews

Trocas de mensagens obtidas pela Justiça e detalhadas no PAD, o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) aberto pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para investigar a atitude do desembargador aposentado Divoncir Schereiner Maran, mostram a preocupação de assessores que atuaram na soltura do traficante Gerson Palermo.

Palermo, que é considerado um dos principais chefes do PCC, o Primeiro Comando da Capital, fugiu oito horas após ser solto, em abril de 2020. Ele foi condenado a 126 anos de prisão por tráfico de drogas, associação para o tráfico e pelo sequestro de uma aeronave em 2000.

O desembargador foi aposentado compulsoriamente. A punição foi aplicada porque o magistrado concedeu prisão domiciliar ao traficante. O Fantástico, da Rede Globo, repercutiu o assunto neste domingo (24), onde a defesa do desembargador negou "a prática de qualquer irregularidade"

Trocas de mensagens entre assessores

Conforme o portal G1, documento do CNJ que analisa a conduta do desembargador, aposentado compulsoriamente como punição no dia 10 de fevereiro deste ano, apresenta um relatório com prints de trocas de mensagens entre assessores que atuavam no gabinete do desembargador. 

Veja algumas mensagens abaixo:

Assessor 1 - "Desculpa o horário... esqueci de avisar antes. Fiz uma 'gambiarra' e deferi o pedido de prisão preventiva conforme o Des Divoncir determinou. Tem supressão de instância e o paciente comprovou apenas ser idoso (não há provas de doenças que alegou no HC)".

Assessor 2 - "O cara é traficante, então determinei a prisão domiciliar mediante monitoramento eletrônico".

No processo administrativo, o CNJ reforça que o fato de Gerson Palermo ser considerado idoso não seria suficiente para que o traficante fosse colocado em prisão domiciliar, por se tratar de "indivíduo de elevada periculosidade". À época, a defesa de Palermo entrou com Habeas Corpus alegando riscos à saúde do traficante em meio à pandemia de Covid-19.

Em outra mensagem da assessora com um contato pessoal enfatiza que não queria ter feito o pedido de prisão ao traficante.

- O desembargador mandou, eu obedeci. Mas nunquerianão. Na verdade, quem soltou, eu apenas fiz o que ele determinou.

Investigado

O desembargador Divoncir Schereiner Maran é um dos sete investigados na operação Ultima Ratio, que apura esquema de venda de sentenças no TJMS, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

No processo administrativo contra o magistrado, as trocas de mensagens obtidas pela Justiça apontam que Maran já teria atuado com venda de sentenças antes da decisão que soltou Palermo. Sobre a soltura do chefe do PCC, os assessores levantam a hipótese da venda de decisões:

  • Assessor 1 - "Custou quanto será?"
  • Assessor 2 - "Não duvido nada viu."
  • Assessor 1 - "Certeza"
  • Assessor 1 - "Quem foi o desembargador?"
  • Assessor 2 - "Divoncir."
  • Assessor 1 - "Essa já tem fama neh"
  • Assessor 2 - "Já... mas não é escrachada"

Troca de mensagens falam sobre conduta de magistrado.  Foto: Reprodução