“As investigações não pararam por um só dia, mas ainda não há nada de concreto”, informou o delegado, que reiterou trabalhar com a hipótese de se tratar de um crime de pistolagem, encomendado por razões ainda a serem esclarecidas.
“É uma investigação complexa. Nenhum dos depoentes disse ter ouvido do jornalista qualquer menção a possíveis ameaças. Por isso, os dados telefônicos são importantes. As chamadas poderão indicar alguém mais com quem a vítima estivesse conversando frequentemente nos últimos dias”, explicou Mendonça.
O delegado também aguarda o resultado do exame de balística realizado na arma apreendida com um paraguaio preso no último dia 16, na cidade de Coronel Sapucaia, na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. Acusado de cometer diversos crimes e de trabalhar para o narcotraficante paraguaio conhecido como Barão da Maconha, quando foi preso, o homem portava uma pistola 9 milímetros, o mesmo tipo de arma usada no assassinato de Rocaro.
“O criminoso detido é conhecido por atuar em uma área distante de Ponta Porã e nega ter estado na cidade [onde Rocaro foi morto]. De qualquer forma, a hipótese [de participação do paraguaio no crime] não está descartada. Vamos comparar os resultados dos exames de balística”, disse o delegado, revelando que as imagens registradas por câmeras de segurança instaladas próximas ao local do crime não permitem identificar os motoqueiros que fizeram os disparos, mas poderão ser usadas para reforçar a acusação quando os criminosos forem identificados.
Mendonça descartou a hipótese de as investigações serem transferidas para a esfera federal. “Isso seria ilegal, pois a Polícia Federal não tem competência constitucional para isso. O trabalho vem sendo feito, inclusive com o apoio da Delegacia Especial de Homicídios, de Campo Grande. Óbvio que qualquer auxílio é sempre bem-vindo”, disse o delegado.
Filiado ao PT de Ponta Porã, Rocaro havia participado de uma reunião política e voltava para sua casa quando, no final da noite do dia 11, foi alvejado por dois motoqueiros que dispararam ao menos 12 vezes contra seu carro e fugiram sem levar nada. O crime ocorreu em uma avenida do centro da cidade. Atingido por vários tiros de pistola calibre 9 milímetros, o jornalista foi levado para o hospital mais próximo, mas não resistiu aos ferimentos.
Além de fundador do site Mercosulnews, Rocaro era editor-chefe do Jornal da Praça, em que trabalhava há quase 30 anos, e publicou três livros, entre eles um com denúncias sobre a atuação de grupos de extermínio na fronteira Brasil-Paraguai.
Rocaro foi o segundo jornalista brasileiro morto este mês. Quatro dias antes, o jornalista Mario Randolfo Marques Lopes e a companheira dele, Maria Aparecida Guimarães, foram mortos na cidade fluminense de Barra do Piraí/RJ. Entidades profissionais e de defesa dos direitos humanos, como a Sociedade Interamericana de Imprensa e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), condenaram os assassinatos e cobraram medidas para garantir a segurança dos profissionais da área. Um terceiro jornalista já havia sido morto em janeiro. Funcionário da Rádio Sucesso, de Camaçari, na região metropolitana de Salvador/BA, Laércio de Souza, de 40 anos, foi morto a tiros.
No último sábado (18), a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, referiu-se às mortes dos dois jornalistas como “crimes de extermínio” e cobrou do Congresso Nacional a aprovação da proposta que transfere à esfera federal a investigação e o julgamento dos crimes cometidos por milícias ou grupos de extermínio. Segundo informações da Agência Brasil.