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Tráfico de influência leva pecuarista de Itaquiraí a mover recurso contra decisão do TJ

03 de junho 2013 - 19h13 Por Redação Douranews
Tráfico de influência leva pecuarista de Itaquiraí a mover recurso contra decisão do TJ

O pecuarista Miguel Mateos Mateos (Miguelito) estuda mover recurso contra decisão do TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) após a investigação feita pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) constatar que o então assessor do desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva, o servidor de carreira André Luiz Germano Amaral de Godoi, recebeu pelo menos R$ 100 mil para prestar informações privilegiadas a um advogado de Naviraí, que atuou no processo em desfavor do pecuarista Miguelito.

Tudo começou após denúncia feita através de carta anônima, em abril de 2012, ao MPE (Ministério Público Estadual). Imediatamente, o Gaeco iniciou investigações sigilosas em Naviraí, Caarapó e no Tribunal de Justiça. Ao perceber a situação e ser inquirido pelos investigadores do Gaeco, o então assessor da corte máxima negou as acusações, porém, dias depois, “estranhamente”, pediu exoneração do cargo naquele mesmo mês. Contudo, a investigação já havia tomado outras proporções, levantando suspeitas até dentro do Poder Judiciário, provocando mal estar entre os desembargadores.

O inquérito policial continuou em andamento e os acusados diretamente na ‘compra’ das informações privilegiadas, os pecuaristas José Manoel Mateos Sandim, de 52 anos, e Pedro Mateos Mateos, ambos irmãos do pecuarista Miguelito, o advogado José Valter de Andrade Pinto, de Naviraí, e o corretor de imóveis Fernando Massi, que teria atuado como lobista no episódio, foram ouvidos. No primeiro momento, também negaram qualquer envolvimento na denúncia. Porém, as ações do grupo teriam sido registradas em vídeo através das câmaras do TJ, fato que desqualificou as declarações dos suspeitos que acabaram confessando, vindo à tona uma grande articulação ocorrida nos corredores do Tribunal visando dar ganho de causa ao produtor Sandim, popularmente conhecido como “Espanholzinho”.

A disputa pela herança da família, que deixou Miguelito de um lado e Sandim de outro, se arrasta há anos, e já provocou briga violenta entre eles, com a troca de tiros envolvendo capangas e policiais. Agora, com a suspeita de tráfico de influência confirmada e o ex-servidor do TJ sendo réu confesso, e entregando os demais envolvidos, o próprio Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por intermédio do Gaeco, ofereceu denúncia na última quinta-feira (23) contra o ex-assessor de desembargador do Tribunal de Justiça de MS pela prática de exploração de prestígio, corrupção passiva e tráfico de influências.

O inquérito foi distribuído para a 6ª Vara Criminal de Campo Grande. A denúncia envolve também o advogado José Valter de Andrade Pinto, e os dois irmãos, Sandim e Pedro Mateos. Se a denúncia for acatada, o processo envolvendo os três irmãos, que havia dado ganho de causa a Sandim, voltará à estaca zero, e a partilha de bens, deverá voltar a ser feita em juízo, no Tribunal de Justiça. Aliás, até mesmo R$ 1 milhão que foi confiscado da conta do pecuarista Miguelito, que foi gasto para mudar a documentação dos imóveis, voltará para Miguel Mateos Mateos, com as correções impostas pela Justiça.