O superintendente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Mato Grosso do Sul, Celso Cestari, prometeu rever a situação de trabalhadores rurais de Itaquiraí que foram despejados dos lotes nos assentamentos Santo Antônio e Lua Branca, e que estão em situação regular, conforme constataram nas vistorias realizadas pelos técnicos do órgão.
Cestari reuniu-se nesta quarta-feira com deputados estaduais, representantes dos assentamentos, vereadores e o prefeito do município, Ricardo Favaro. De acordo com o superintendente do Incra, cerca de 20 das mais de 50 liminares concedidas pela Justiça para despejo dos assentados já foram cumpridas. Algumas famílias afligidas pelo problema participaram da reunião e pediram a suspensão imediata da retirada de trabalhadores rurais do assentamento Santo Antônio e Lua Branca.
Eles admitiram que há pessoas desonestas comercializando lotes, mas também há famílias inocentes sendo despejadas. Algumas delas ficaram acampadas durante anos à beira da rodovia, foram sorteadas para receber o lote, e acabaram despejadas.
Celso Cestari afirmou que as liminares não foram concedidas sem critério e as ordens de despejo só foram expedidas depois de três anos de investigação da Polícia Federal. Entretanto, admitiu que, em alguns casos, pode ter havido excesso. Desta forma, os trabalhadores que estão em situação regular, ou que têm o perfil da reforma agrária, mas necessitam de regularização no cadastro, terão a situação revista.
“Falou-se aqui em famílias humildes, que é justamente o público da reforma agrária, e essas podemos voltar atrás sem problema nenhum”, garantiu. Na Assembléia Legislativa, lotada de líderes políticos da região, o vereador José Antônio Fernandes (PT) ocupou a tribuna e pediu socorro às famílias afetadas. Ele classificou de incoerente e insensível a atuação da polícia na ação de despejo dos trabalhadores.
A deputada Mara Caseiro, que intermediou o encontro, ressaltou que esteve por diversas vezes na sede do Incra conversando com Cestari sobre a situação desses assentamentos. “Pedimos cuidado na avaliação, para que pessoas que estão trabalhando e produzindo não sejam penalizadas em nome de bandidos que atuam desonestamente nos assentamentos”, afirmou.